A mais longa série literária de ficção-científica de todos os tempos passou dolorosos anos sem lastro no Brasil. A editora responsável, a SSPG, passou anos tentando se reerguer. Por algum tempo, veio o Projeto Traduções - que permanece em sua missão. Até que, há algum, tempo, tivemos o já sabido retorno da SSPG, com suas edições quinzenais em ebook.
Os bastidores desse retorno, todo o trabalho envolvido, envolve um conjunto de informações e experiências além do meu alcance. Sou um mero leitor, longe dos principais preparadores da série no Brasil. Não possuo condições para qualquer tipo de contribuição além do pagamento de cada ebook e o ato de evitar de minha parte qualquer tipo de pirataria.
Porém, posso falar dos rumos atuais da série. "Atuais" entre aspas, naturalmente, pois aqui no Brasil estamos muito distantes do rumo alemão, país de origem da série.
O Concílio foi um empreendimento opressivo, naturalmente, que durou tempo demais. E foi com muito custo e após anos que pude observar finalmente o desmonte desse tipo de empreendimento na história. Algo esperado, pois sabemos que a série na Alemanha continua bem avançada e já longe de se falar novamente em "Concílio" como algo presente na realidade verdadeiramente atual da série; todavia, nada esperado foi o "como".
A série manteve seu ritmo. E seu percurso marcado por desencontros entre personagens e partes diferentes, ou camadas diferentes de uma mesma narrativa. Temos, assim, um Rhodan e uma Humanidade às voltas com acontecimentos cósmicos, presentes na série desde o primeiro aparecimento do superser Aquilo, demonstrando-se que o antigo ex machina está presente de forma racional, explicada, através de uma Grande Mão por trás dos grandes acontecimentos e diante das situações universalmente mais graves, evitando sempre o pior.
Aquilo, Bardioc, a Imperatriz, entidades intermediárias, civilizações, indivíduos extraordinários (mutantes ou não), e, futuramente, até seres acima das superinteligências, demonstram uma sempre presente continuidade capaz de não apenas constituir uma rede de segurança para a Humanidade, mas também um conjunto de vetores para antagonismos diversos.
O "sal da terra", na série, está sempre na presença de - ou sua perspectiva - um Plano Harmonia, de algo que explique globalmente o conjunto dos acontecimentos, oferecendo a perspectiva de uma finalidade e de um propósito para certos pontos-chave.
O sacrifício pessoal para certos personagens é imenso. Vida longa e cheia de perigos, quebra-cabeças, desvios. O ganho se dá para a Humanidade, na manutenção de sua sobrevivência presente e na criação de salvaguardas para a sobrevivência futura. Também há um ganho para os povos humanóides, sobretudo, seres presentes na Via Láctea e descendentes da "humanidade antes da humanidade" - os lemurenses.
Venho, por fim, nestes dias, lendo tanto o Enxame como Bardioc, dois ciclos para mim interessantes. Ainda que eu venha a dar mais atenção à fase presente nas publicações da SSPG, como sinal de lealdade. São crises, catástrofes prolongadas, envolvendo grandes contextos - eis que um uso contínuo da série, os grandes contextos, que trazem benefícios (a história anda e revela-se extraordinária nas "grandes matizes") e perdas (perde-se em certo aspecto de realidade do comportamento humano ou equivalente ao comportamento humano, certas disputas tornam-se muito irrelevantes, pequenas e somem diante desses "contextos maiores").
Esperemos que a SSPG e o Projeto Traduções sigam firmes, leais, num crescente constante, de agora em diante. E que nossa comunidade de leitores se amplie, torne-se múltipla, fiel, e que nunca permita que a série no Brasil naufrague.
Assinado: João Batista Firmino Júnior.


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