Vila augusta de todos os santos,
Desperta vagamente,
Com suas casas sem Sol,
Com suas mudas decaídas.
O quarteirão é o único ponto de
terra
Que cobre com pó de serra
A imensidão do Vale do Escuro
Que cobre cada trabalho
meticuloso das formigas negras,
Que escondem os corpinhos
fervilhantes de vinte centímetros,
O dobro em terra vermelho-escura.
Vago como um corvo
Em meu voar esmolambado,
Verificando de longe, o sono
retumbante de cada Ser
Que descreve e cala a vila.
Cada casa é pintada de terra,
Bem como aquela onde pouso.
Lá ao fundo estou na sala,
Mais adiante vejo um corredor
Que segue até uma
cozinha-horizonte,
Um pedaço de parede com um terço
de pia,
Com baratas ralas e alguns cupins
Apontando uma das bordas do
quarteirão
Que termina no sopé de um dos
lados rochosos do vale...
O som é nenhum, pois não venta.
O corvo vai para o topo da casa
vizinha, e tenta
Enxergar o céu escuro e sem
estrelas,
E não há mais gente, nenhum
fantasma do passado.
Mas, no silêncio absoluto eu
canto,
E o canto é o sereno fim das Eras,
O Tempo que termina sempre
Quando o Espaço também termina
Naquele fim de mundo.
E o canto enxerga o fim da
tridimensionalidade
Das formas em-terra de cada leve
casa.
E a trilha do quarteirão se
despede,
O vento não reaparece,
Só minha voz se despede.
E o canto segue, vaga, torce o
horizonte
E mergulha-o na mais profunda
escuridão.
Ao cantar vou libertando inúmeros
olhos vermelhos
Lá do canto mais escuro de uma
semi-casa perto de pedras,
E esses inúmeros olhos viram um só
par que silva para mim,
E silva cada vez mais gravemente,
Despertando desorientação no
corvo…
É quando a fome atinge-me por fim.
Faz a Morte satisfeita.
E cada Forma sem cheiro ou som se
desvanece em linhas...
E todas as linhas viram
Horizonte,
Mas logo se tornam pontos
enfileirados de escuridão na Noite,
E se tornam um só Ponto
que se
despede...
Autor: João Batista Firmino Júnior.


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