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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Sobre a perspectiva de vida inteligente além da Humanidade


É parte do conhecimento comum que nosso planeta possui bilhões de anos de existência e diferentes fases de evolução, destruições diversas, recomeços. Por outro lado, temos ao menos dois planetas rochosos (além de Mercúrio, que aqui não estou levando em consideração), com proximidade maior para conosco. São planetas como Vênus e Marte, que, no decorrer desse período, também tiveram suas fases, seus períodos, seus avanços e retrocessos naturais.
            Há de se questionar até que ponto não seria possível a existência de outras civilizações em algum desses períodos, considerando o horizonte de eventos da tríade Vênus-Terra-Marte. Considerando as características desejáveis e de acordo com nossa existência biológica, seriam civilizações cujos seres inteligentes seriam fisicamente parecidos conosco – ou até mesmo nossos antepassados, cujos conhecimentos técnicos e culturas foram inexoravelmente perdidos.
            Indo além, evidentemente, há os pontos mais distantes do Sistema Solar da Terra – e mais além. Qual a natureza de cada uma das civilizações possíveis, provavelmente existentes muito além de nosso Sistema Solar? E qual a natureza possível de diferentes conglomerados, ou zonas de livre troca, entre diferentes civilizações avançadas de planetas (ou corpos celestiais equivalentes) distantes?
            Penso que, em caso de encontro, talvez devêssemos ter mais cuidado com “povos extraterrestres” de mentalidade mais próxima da nossa que com os de mentalidade mais distante. Mas, ainda há um fator complicador extra, que reside em um pressuposto básico de toda a discussão: a noção de diferença.
            Considerando que surgimos a partir de partículas que viajam pelo espaço, em essência, não há alienígenas nem nativos – salvo no condicionamento ao ambiente, na aleatória (ou não) união de genes, no livre-arbítrio e em um pré-condicionamento de partículas por zonas espaciais. Explicar cada parte levaria a muitas linhas, e ficamos apenas nessa exemplificação resumida, podendo haver outras diferenças – mas não no fundamental, que diz respeito quase que a um “tecido biológico” do cosmos.
            Não devemos, desde já, mistificar a existência de civilizações alienígenas avançadas. Penso que aquilo que chamei de “tecido biológico” do cosmos, ou a lógica primordial da formação de entes biológicos inteligentes, ou não, por longas zonas espaciais, é basicamente a mesma (salvo em se tratando das superinteligências da ficção-científica, que são personagens fabulosos, sobretudo na série literária alemã “Perry Rhodan”). Pois, afinal, a mesma mistificação a literatura de aventuras da Europa não fazia sobre os povos além-mar?
            Devemos, pois, considerar, afinal, esse pressuposto de que falei. Revisá-lo. Afinal, somos os mesmos e não somos a mesma coisa. Já sobre pesquisas envolvendo esse campo da busca por vida inteligente além da Humanidade, talvez devamos começar pelo passado remoto da Terra, de Vênus e de Marte, no decorrer dos próximos dois séculos, ao menos. Verificar a hipótese de se “tivemos antepassados avançados tecnicamente na Terra, em Vênus ou em Marte” ou, ao menos, assemelhados biológica e culturalmente.



Assinado: João Batista Firmino Júnior.