Este foi um ano razoavelmente produtivo para o presente blog.
Creio que alguns textos de alguma qualidade foram publicados aqui, sobretudo os de natureza literária. Dos não-literários, mas sobre Literatura, parece-me que os mais acessados foram os que abordavam a série de ficção-científica alemã "Perry Rhodan" - e com razão. Nunca se esgotam os assuntos relativos a esse universo ficcional e ao histórico de sua publicação e alcance.
Este ano, em geral, acredito que o blog teve apenas dois textos incompletos - um deles em continuação (o "A embarcação divina") e o outro, intitulado "Singularidade", por ter sido uma versão alternativa do meu livro O Núcleo.
Evidentemente, possuo deficiências em meu fluxo de pensamento e de concentração na produção de uma ficção. E isso evita que eu alimente ilusões em algum dia publicar algo fora da net. Por outro lado, para todos nós que ainda insistimos em escrever, é uma experiência inescusável para aprendermos tanto a disciplina exterior, do dia a dia, como a disciplina de manter o fluxo de pensamentos afinado ao projeto de um texto que tenhamos feito anteriormente, com alterações futuras e constantes.
Escrever é um processo dinâmico. Reflete a forma como pensamos muito mais que o conteúdo de nosso pensamento. É justamente na forma, no ritmo, no tracejado, digamos assim, que se é possível perceber mais elementos.
Também aproveitei este espaço para textos dissertativos, somente meus, abertos sempre a questionamentos, na liberdade íntima que cada leitor possui ao entrar em contato com um texto. Creio que obtive sucesso em evitar polêmicas potenciais ("potenciais" porque o blog não é tão frequentado assim). Afinal, é justo que exista a liberdade de escolha entre algum tipo de engajamento - ou em ser, simplesmente, um zapeador do cotidiano, passando rapidamente por cada "canal", tal como faço na vida fora do fluxo de hiperconexões a que chamamos internet (isso se ainda existirem os conceitos de "fora" e de "dentro" no nosso uso cotidiano da internet, claro).
Em suma, foi e continua sendo uma experiência agradável rechear o presente blog, o presente espaço.
Que 2015 seja ainda melhor, e que os eventuais leitores deste blog continuem acessando.
Até mais.
João Batista Firmino Júnior.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014
quarta-feira, 3 de dezembro de 2014
Sobre liberdade de expressão e redes sociais
Escrevo este tópico um pouco no improviso, como já fiz com muitos textos deste blog. Além disso, provavelmente, posso ter escrito anteriormente sobre o assunto "liberdade de expressão" neste espaço; ainda assim, tentarei não me repetir, caso tenha feito isso.
Recorto o assunto, para melhor aproveitamento neste espaço, dividindo o assunto "liberdade de expressão" em antes e depois dos sites de redes sociais. Fiquemos no "depois".
Talvez uma das questões mais difíceis sobre o assunto e sua expressão em redes sociais seja descobrir até onde algo é aceitável. É como uma pirâmide, na qual temos uma base (as leis); e o topo, que é a realização "livre" de uma opinião ou de um trabalho científico, ou de uma divulgação (ainda assim em algum grau pautado numa autocensura bem inconsciente).
E no meio? É onde temos questões sobre a falibilidade de todos nós, na condição de moderadores de comunidades ou fóruns. Essa falibilidade pode ser técnica, naturalmente; mas, também, relativa a cair na tentação mais simples, básica e fundamental: eliminar divergências a nós mesmos sem contra-argumentar (eliminar no sentido de apagar, banir, ou seja, dentro das regras de poder que tenho a minha disposição).
Isso pode ocorrer devido não meramente a uma tentação de Poder, mas também a um senso de território, que é formado pelas assim chamadas "regras implícitas" de uma comunidade - indo além do falibilismo de qualquer dono ou moderador, que deseja uma "aparência", um "estilo", para seu espaço (porque, no final, o espaço é sempre de quem tem o poder legitimado de montar todo um fórum ou comunidade).
E é nesse ponto que pode ser possível entender a ausência de contra-argumentação que não seja pela simples eliminação da divergência, a partir do fato de que não há - ainda - relação contratual alguma entre fóruns/comunidades/congêneres e cada usuário.
Diante da condição "movediça" de diversos espaços de "liberdade de expressão", podemos nos decepcionar um pouco. Afinal, lembremos que antes da liberdade de expressão propriamente dita, há a liberdade para qualquer um criar seu território virtual e basear-se, naturalmente, em seu subjetivismo. Um subjetivismo mais "solto" que os critérios estritamente legais, por exemplo.
De qualquer forma, é o que temos: Poder/Território na parte intermediária, e majoritária, da pirâmide a que me referi.
Além disso, o nosso contato com o Outro, com a Diferença, independente de nossa condição de "moderador" ou de "participante". Liberdade não se faz sem interações. Nem é um conceito que faça sentido sem relações de uma coisa com a outra.
Liberdade é sempre com pessoas, e a vida entre diferentes sempre será uma trama repleta de idas e vindas. O que podemos fazer é tornar isso menos drástico. Em ambientes públicos, como as redes sociais, por exemplo, buscar evitar atritos - e se utilizar de espaços até certo ponto mais "isolados" em termos de interação e influências, para opiniões mais contundentes (e ainda assim, voltadas a um espaço, a um grupo específico, ou seja, NUNCA para todo mundo, para qualquer pessoa).
Em suma: vivendo e aprendendo, entendemos que as coisas nunca são somente uma questão "apenas de Legalidade", no que diz respeito às nossas opiniões. Há um jogo de constrangimentos que não começa nem termina nunca - apenas é. E, nesse jogo, nada melhor que (partindo já do pressuposto legal, constitucional e humano): editar e reeditar opiniões; focá-las APENAS a um espaço e grupo específico; e, ainda melhor: ir até a origem das próprias opiniões, ir até a visão de mundo pessoal, e usá-la para trabalhos objetivos, profissionais, e sobretudo muito mais voltados ao mundo fora das redes sociais (não necessariamente um mundo sem internet).
Assinado: João Batista Firmino Júnior.
Recorto o assunto, para melhor aproveitamento neste espaço, dividindo o assunto "liberdade de expressão" em antes e depois dos sites de redes sociais. Fiquemos no "depois".
Talvez uma das questões mais difíceis sobre o assunto e sua expressão em redes sociais seja descobrir até onde algo é aceitável. É como uma pirâmide, na qual temos uma base (as leis); e o topo, que é a realização "livre" de uma opinião ou de um trabalho científico, ou de uma divulgação (ainda assim em algum grau pautado numa autocensura bem inconsciente).
E no meio? É onde temos questões sobre a falibilidade de todos nós, na condição de moderadores de comunidades ou fóruns. Essa falibilidade pode ser técnica, naturalmente; mas, também, relativa a cair na tentação mais simples, básica e fundamental: eliminar divergências a nós mesmos sem contra-argumentar (eliminar no sentido de apagar, banir, ou seja, dentro das regras de poder que tenho a minha disposição).
Isso pode ocorrer devido não meramente a uma tentação de Poder, mas também a um senso de território, que é formado pelas assim chamadas "regras implícitas" de uma comunidade - indo além do falibilismo de qualquer dono ou moderador, que deseja uma "aparência", um "estilo", para seu espaço (porque, no final, o espaço é sempre de quem tem o poder legitimado de montar todo um fórum ou comunidade).
E é nesse ponto que pode ser possível entender a ausência de contra-argumentação que não seja pela simples eliminação da divergência, a partir do fato de que não há - ainda - relação contratual alguma entre fóruns/comunidades/congêneres e cada usuário.
Diante da condição "movediça" de diversos espaços de "liberdade de expressão", podemos nos decepcionar um pouco. Afinal, lembremos que antes da liberdade de expressão propriamente dita, há a liberdade para qualquer um criar seu território virtual e basear-se, naturalmente, em seu subjetivismo. Um subjetivismo mais "solto" que os critérios estritamente legais, por exemplo.
De qualquer forma, é o que temos: Poder/Território na parte intermediária, e majoritária, da pirâmide a que me referi.
Além disso, o nosso contato com o Outro, com a Diferença, independente de nossa condição de "moderador" ou de "participante". Liberdade não se faz sem interações. Nem é um conceito que faça sentido sem relações de uma coisa com a outra.
Liberdade é sempre com pessoas, e a vida entre diferentes sempre será uma trama repleta de idas e vindas. O que podemos fazer é tornar isso menos drástico. Em ambientes públicos, como as redes sociais, por exemplo, buscar evitar atritos - e se utilizar de espaços até certo ponto mais "isolados" em termos de interação e influências, para opiniões mais contundentes (e ainda assim, voltadas a um espaço, a um grupo específico, ou seja, NUNCA para todo mundo, para qualquer pessoa).
Em suma: vivendo e aprendendo, entendemos que as coisas nunca são somente uma questão "apenas de Legalidade", no que diz respeito às nossas opiniões. Há um jogo de constrangimentos que não começa nem termina nunca - apenas é. E, nesse jogo, nada melhor que (partindo já do pressuposto legal, constitucional e humano): editar e reeditar opiniões; focá-las APENAS a um espaço e grupo específico; e, ainda melhor: ir até a origem das próprias opiniões, ir até a visão de mundo pessoal, e usá-la para trabalhos objetivos, profissionais, e sobretudo muito mais voltados ao mundo fora das redes sociais (não necessariamente um mundo sem internet).
Assinado: João Batista Firmino Júnior.
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