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segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Equívoco sobre minha postagem anterior:


Quando eu usei o conceito de "moralidade" não foi num sentido restrito a uma religião, cultura ou tradição. Mas, relativo a uma noção de certo e errado que por vezes transcende esses sistemas, como uma "voz interior" ou "consciência".

Devo ter misturado os conceitos de "moral" e "ética" e causado alguma confusão em relação a quem quer que entenda "moralidade" como algo essencialmente religioso, por exemplo.


quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Todas as coisas são três coisas?

Pode parecer uma pergunta absolutamente confusa. Como posso dizer que 1 coisa são 3 coisas? Talvez comparando à ideia, vaga, abstrata, talvez até mal utilizada por aqui, de "estratégia-tática-operacionalidade". Mas, isso não se aplica, não há bem uma linha reta, vertical.

Vamos dizer o seguinte, para termos logo um texto mais curto: imaginemos uma maçã. Em um extremo ela é um nome e perfeitamente conceituada pela cultura vivida. Ok. É o ponto mais simples.

Já o ponto mais abrangente seria a maçã como um composto de átomos, genérica, inexpugnável, inacessível, ou ligada a um Imaginário.

E no meio: a maçã. Aquilo que tem serventia, para comer ou vender.

É como concebermos um rio para que possamos entender o Oceano (e, a partir disso, o nome e o conceito simplificado de "rio"). Somos finitos em nossa própria lógica como humanos, o que impede pensarmos o restante de todo o Universo como algo assemelhado à Humanidade; mas, ao mesmo tempo, há ordem suficiente, como um filete representacional e ao mesmo tempo prático desse mesmo universo inexpugnável, para que tenhamos nossa singularidade, nossa autoconsciência, nosso próprio campo de existência. E, de forma meramente auxiliar, o lado mais fraco: o nome usado e seu histórico de usos.


Autor: João Batista Firmino Júnior.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Reflexão: Entre “Poder de Fato” e Moralidade

Poder de Fato é o termo utilizado por mim para designar aquilo que não necessariamente precisa de um valor anterior ordeiro e honrado que se sobreponha à existência física de uma dada imposição ou “poder de império”. Ou, o único valor é o da sobrevivência/dominância. Não dá para dizer que simplesmente por isso algo seja transcendentalmente “correto”, mais “belo” ou mais “honroso”. A propaganda é feita por quem pode fazer. As coisas assim o são sem um elemento transcendental, salvo uma dada organização e um dado Sistema (“sistema” entendido como organismo vivo encadeado de elementos e vulnerável à entropia, ou tendência ao retorno ao estado inicial, que é o caos).

Daí, por esse entendimento, (infelizmente) os valores são criados depois e em função da dominação já existente. É como por exemplo dar uma justificativa que tenta parecer “moral”, e totalmente imposta, quanto a uma catástrofe natural – ou a uma série de crimes cometidos por pessoas e instituições. 

O “Poder de Fato” de setores da Humanidade, de nações, por exemplo, pode possuir algum tipo de “script” antecedente ou subsequente à tomada de um dado Poder concreto (que pode ser simbólico e material). Mas, se ele não transcende o “poder de fato”, é apenas uma "propaganda" ou imposição pelo discurso, se eu for considerar um conjunto de valores “em si”. 

Moralidade mesmo é algo em constante mutação (mas não ligada fundamentalmente, ao menos fundamentalmente, à mutação dos poderes tecnopolíticos existentes em dada civilização), de forma flexível perante uma essência ainda não descoberta que é absolutamente rígida, íntegra (que fique claro que tento não relativizar, mas demonstrar que a flexibilidade do mundo exterior existe em respeito à inflexibilidade do mundo interior).

Daí temos o seguinte, se é que consigo explicar: sim, um dado reino, país, império ou civilização, obviamente (pois sempre haverá algum), terminantemente se impõe através do que chamo desse “poder de fato”. 

O problema está apenas na corrupção do que são considerados valores (o que eu percebo, não é que o valor de uma civilização que se impõe pelo poder tecnopolítico esteja errado, mas é que quando está certo é apenas porque segue um bom-senso simples, uma ordem lógica perfeitamente compreensível pela maioria das pessoas desde que corretamente traduzido). O que são esses valores realmente? Eles transcendem e ainda estão a ser descobertos. Podem ter milhares de anos (se bem que a Razão vista em si é eterna, não tem início nem fim), sobreporem-se a/transcenderem  Impérios e Nações que vêm durando séculos, transcenderem toda sua força (não no sentido de “superioridade”, mas de preexistência conforme a liberdade humana de SENTIR o que é certo e o que é errado através de um raciocínio próprio).

Digo: Não há uma força mágica que determina o poder de um país. Existem sistemas e momentos. As coisas não são assim “desde sempre”, nem permanecerão do jeito que estão “para sempre”. Apenas uma moralidade que transcenda diferentes costumes, que transcenda as forças da natureza, poderá sair viva de poderes impostos que se acham como essas forças da natureza: desprovidas de moral (“propaganda” não é moral), mas providas de Poder, e seguidoras da lógica do “faço porque posso fazer” – um ditado que tristemente é usado para fundamentar e muito a falta de proporção de pensamentos e ações, a falta de razoabilidade e a existência da crueldade.

Um indivíduo fora da “festa do Poder” só pode realmente admitir para si que exista e que deva ser respeitada essa superioridade (que difere de “supremacia”, que pelo meu conceito é outra coisa) se 1 condição ocorrer (pois esse é o único poder, a moral, ou em última instância a Consciência, que resta a quem “está fora”): o convencimento pleno de que o que está no Poder é digno de estar nele, conforme não meramente em seus costumes, mas diante de algo que vá além de padrões e que fixe o que é ser humano enquanto espécie e o que é ser parte do Universo como entes.

Ou seja, explico:

Ninguém “obedece” ou é “condescendente internamente” simplesmente por medo da violência de um grupo, pessoa ou instituição que faça algo contra essa pessoa ou propague a intenção e o poder de evitar que outra coisa faça algo contra essa mesma pessoa. Faz isso –quando faz – se, e somente se, for convencida da DIGNIDADE e LEGITIMIDADE do que está no Poder. Em suma, isso se dá pelo:

1) Reconhecimento de sabedoria, decência, solidariedade, senso de proporção e racionalidade (um reconhecimento que se dá sozinho e em liberdade subjetiva);

2) “Poder de fato” em função do ponto 1;

Fui claro?

Autor: João Batista Firmino Júnior.

domingo, 13 de outubro de 2013

Reflexão:

Oras, ninguém lê isto aqui. Em língua portuguesa, com especificidades brasileiras no linguajar, e sobre coisa alguma.  Porém, vamos adiante.

Apenas queria falar das palavras que perderam o sentido (ou que nunca tiveram um “sentido integral”). Faço isso em meio ao espetáculo de parênteses que ronda por diversos textos deste blog.

O que é Mercado?

O que é Amor?

O que é Povo?

Fiquemos em apenas três palavras.

“Mercado” é um termo cujo coração é grande e generoso; aceito para qualquer afirmação na maior parte das vezes superficial ou pseudo-intelectual. Não diz nada, na maior parte das vezes que li ou ouvi (ou é apenas uma questão de ignorância minha). Trata-se de uma tentativa de, em alguns casos, meramente justificar o que uma pessoa ou instituição de poder deseja, sem necessariamente uma “grande razão” por trás.

“Amor” é um termo confundido com relacionamento em algum grau “marital” ou coisa do tipo. Confunde-se com “Paixão”. Não pode ser usado fora de um contexto muito delicado, ou ficará parecendo o que não deveria. Se tratado pelo seu verdadeiro significado (que sequer é absoluto), demonstrará que está mais próximo da razão que seu estereótipo.

E “Povo”? Normalmente, vejo isso surgir, esse termo, não como “o conjunto de pessoas que formam uma nação ou parte dela, ou entre-nações”. Vejo como um termo apropriado demais por qualquer um e por qualquer instituição. Sempre há quem queira ser “mais povo” que “todo o povo”. É uma forma de “afirmação por exclusão”. Quem não é “Povo” dentro de um determinado contexto que se apropria de todo o significado, não é “Povo”, não é nada – ou é menos, de segunda classe.

Há outras palavras, mas essas me surgiram mais recentemente.


(P.S.: o capítulo 6 daqueles “versos” que andei publicando por aqui ainda vai sair. No final, irá até o oitavo capítulo; daí, terminará de vez)

Autor: João Batista Firmino Júnior.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

O que é ser brasileiro?




É verdade. Pelo que percebo, apesar de sermos um país, não somos uma nação. Ser uma nação significa encontrar um grau de coerência e coesão, um "espírito comum" baseado numa tradição de várias gerações. Não me refiro à imagem do samba, do futebol ou da figura do anti-herói. Refiro-me a uma consciência de povo que não seja atrelada a regimes de Poder ou a partidos e ideologias.

Não sei dizer o que as pessoas sentiam diante dessa pergunta ("o que é ser brasileiro?") antes de 1964. Mas, posso inferir que a ideia era que "ser brasileiro" era servir ao regime. E isso se repetiu nos governos subsequentes, após a redemocratização, em graus maiores ou menores.

Hoje em dia, pensa-se que "ser brasileiro" é ser de um partido X, ou apoiar tudo o que ele faça. Uns entendem que "ser brasileiro" é estar mais próximo de um governo de Direita e outras de um governo de Esquerda (sendo que no Brasil nem tenho ideia mesmo do que é ser de Direita ou de Esquerda). Mas isso definitivamente é "menor" que um conceito de nação, que é mais amplo. Isso de Direita e Esquerda pode servir e serve a um conceito de GOVERNO, mas não de ESTADO. Lembrando que o conceito de ESTADO é produto do conceito de NAÇÃO. 

Somos mais um país, mais um estado ambulante tal qual um objeto com pernas e braços que anda para lá e para cá, que o espírito que anima e que é maior que tal objeto. 

E essa condição de não sabermos o que é ser brasileiro se repete quando ocorrem casos contra nossa soberania... por quê? Porque pensamos: "é a nossa soberania, algo que me envolve enquanto parte de uma nação ou a soberania de um governo cujo exercício eu concordo ou eu discordo?".

O que quero dizer é que certamente, ainda que desconheçamos, há Princípios anteriores e "maiores" que nosso apoio ou desapreço a determinados governos. Por outro lado, não podemos cair na armadilha de usar a ideia de soberania e de "ser brasileiro" de forma a participar da distorção de que devemos seguir a ideologia X para sermos brasileiros. É preciso certa calma e inteligência, certa frieza até, para tomarmos o devido cuidado de, ao defendermos nossa soberania, não degenerarmos à subcondição de tolos úteis, servindo aos interesses do grupo de Poder X, Y ou Z.

Enfim: o que é ser brasileiro? Se ainda temos dificuldades em saber o que é (e mais grave ainda quando achamos que sabemos, daí somos enganados mais facilmente), o que é até positivo (reconhecer essa dificuldade), tentemos ao menos pensar e agir como pessoas dignas, honradas e, mais importante que esses valores: auto-críticas (a fonte da maldade e da degenerescência está na ausência de uma adequada auto-crítica, está em acreditarmos que isso é para "fracos"), sem confundir com mera auto-depreciação sem solução.

Autor: João Batista Firmino Júnior.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

[Texto em tiras, não versificado, nada metrificado]


                          DOCE

Há mais naquela velha Mérida,
Mais mistério que odor;
Em alguma parte do interior
Daquelas matas próximas a casa,
Sua força permanecia silente,
Naquele dia árido de magia,
Quando por lá passou, pelo
Sul do grande México, os
Ventos vagos de uma Era.

Não adianta impedir,
É naquela casa verde de
Número doze onde reside
Há mais tempo que qualquer morador, um
Tributo àquela sensação estranha
No estômago, ao anoitecer,
Tributo à paz que se me insurgia
Em momento oportuno, naquele cômodo
Trancado,
Tributo à sensação de inquietação do mundo,
De um mundo,
Tributo à força silente que se busca
Naquela árida mansão verde,
Naquele verde que iludia minha visão,
Naquele verdadeiro deserto próximo
Que me atraía, isso sim, ao espantalho
Que trouxera de longe, ainda
A indicar-me suas distrações.

Mas eu me ia em outra maior,
Naquela força de fim de dia que
Se aproximava,
Naquele trabalho suado que terminava
Ao gravar tantos símbolos no papel,
Ao ver aquele Sol nascendo em outro mundo,
Ao ver a sombra do espantalho apontando
Ao lugar oposto,
E os vales distantes, bem
Distantes, daquela cidade e da casa de número doze. 
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Autor: João Batista Firmino Júnior.