Textos do João
Textos diversos de João Batista Firmino Júnior.

terça-feira, 6 de junho de 2017
Indo além do "tutorial"...
Quase dois anos sem publicar nada aqui. Realmente...
Nos últimos tempos, dentre outras áreas do Geoprocessamento, venho interessado em análises espaciais por meio do QGIS e do ArcGIS. Mas, sobretudo, mediante a base para essas análises de SIG: o conhecimento em banco de dados geográficos.
Há diversos blogues, em mais de um idioma, bastante interessantes sobre a área. Aqui, meu intuito é muito mais abordar algumas noções, para pessoas que ainda são meras curiosas no assunto.
O primeiro passo talvez esteja em entender que tudo o que nós vamos fazer de importante e minimamente complexo depende de um Planejamento.
Planejamento com que finalidade, no caso de Banco de Dados Geográficos? No de, uma vez sendo base para os Sistemas de Informações Geográficas, fornecer uma estrutura lógica para um usuário avançado manipular dados com o intuito de extrair informações geográficas. De forma a extrapolar o conhecimento "tutorial" sobre certos aplicativos. De forma a ultrapassar o "passo-a-passo" e fornecer instrumentos para o pensamento crítico, estratégico, desse tipo de usuário, que vai em busca, por exemplo, desde informações "tradicionais", numéricas ou de texto, até a visualização de formas geométricas, relações topológicas, bem como a determinação de áreas, comprimentos, distâncias, de acordo com o sistema de referência, o sistema de projeção e mesmo a escala das feições geográficas.
Por trás de tal sistema há uma lógica para mim confusa e complexa. Mas é possível prover estruturas em SQL, baseadas em um planejamento através de:
a) Problemática e Objetivo (ou, se quisermos, um Plano de Negócio com as regras do jogo);
b) Abstração mediante "classes" (palavra minha, sem qualquer relação com a definição "oficial") ou relações, suas funções e atributos, seus relacionamentos com outras relações ou entidades (o esquema conceitual);
c) A transformação em um esquema lógico (essa sim a parte mais complicada, a meu ver), com a metodologia de como de fato aquele "mundo das ideias" será aplicado num script em SQL;
d) O esquema físico sob a forma do script em SQL;
e) O computador entendendo o script (banco em funcionamento);
f) O humano extraindo informação e gerando, com ela, conhecimento...
Com base nos conhecimentos e na mudança da realidade com o tempo, uma nova necessidade, uma nova problemática e, por sua vez, um novo projeto.
Em suma, quero ressaltar a utilidade do conhecimento que vai além do tutorial. Não se trata de trocar um ambiente eficiente e esteticamente bem elaborado... não se trata de trocar uma interface bem-feita para que o gestor tenha que lidar diretamente com SQL e até ambiente DOS (ainda que nesse universo se possa manipular mais "diretamente" a lógica como se desejam os dados, e as informações geradas). Mas de aprender a pensar.
Aprender a pensar com Geografia. E, através dela, permitir a visualização não apenas "física", mas mental, de uma realidade dinâmica sobre uma gama variada de disciplinas. Reunindo conhecimentos de cartografia, SIG (ou GIS), Sensoriamento Remoto,... para uma análise espacial "com conhecimento de causa", consequência, finalidade... com método e estudo do método.
No final das contas, o mesmo vale, de forma pouco diferente, para um escritor e seu programa de edição de textos: do que vale compreender decoradamente, e mesmo "na prática", todo o tutorial, sem nem ao menos ter o que dizer?
sábado, 1 de agosto de 2015
Matemática - descobertas e liberdade
É verdade. Não sou um especialista da área. Mas, creio poder trazer alguns elementos informais de discussão acerca do tema.
Fui mal apresentado a essa disciplina pelas primeiras vezes em vida escolar. Em parte, por culpa minha; e, em parte, por culpa do sistema de ensino.
Acreditava - ainda que no fundo já desconfiasse haver algo mais - que toda a matéria se resumia a me "treinar" para o vestibular (ainda que não conseguisse fazer o mesmo quanto a sobreviver num curso de Exatas, nem muito menos para suas aplicações em outras áreas), tal qual um equino para a corrida.
Eu enxergava Funções, por exemplo, sem saber correlacionar a outros assuntos. Realizava questões, vindas prontas, apenas por aproximação para com aquilo que o professor esperaria como uma resposta minimamente satisfatória naquele contexto.
Não tinha a inteireza da noção de Função no que diz respeito ao verdadeiro significado de uma Relação, suas aplicações em diversas áreas formais e informais da vida diária, e tudo muitas vezes devido à falta minha do uso puro e simples da criatividade, da capacidade de usar a Matemática e a Lógica como um barro moldador, capaz de transpor dificuldades e de permitir inúmeras novas aplicações descobertas de meu próprio punho - ou grandes coincidências com descobertas mais elaboradas do que eu já "imaginava".
Há algumas noites, tive um insight. Creio que um insight tolo, porém interessante. Consistia na ideia, talvez de minha parte ultrapassada, de converter a notação de uma Função simples em um formato de Fração ou Razão. E desconverter esse formato de fração numa Função simples (ou realizar o mesmo para transformar Funções mais complexas em Funções simples). Afinal, Função, a grosso modo, não é um campo de relações entre grandezas? [por favor, qualquer equívoco ou incompletude aqui, comentem!]
Muito, muito importante o que vemos no Primário sobre as 4 operações. Entender, por exemplo, quantas vezes um valor cabe em outro, ou quantas ele se repete (ou, bem mais na frente, como uma letra pode significar um número; como o vazio pode ser algo; e como é exatamente o conceito de uma igualdade). E a relação entre quantas vezes um valor se repete em relação a seu estado original, e quantas vezes o estado original do valor cabe naquele que o antecede.
Por enquanto, trago aqui algo superficial, primário, que não resiste a muitos questionamentos. Mas penso que o fundamental está nessa liberdade de, tal qual um Holmes da Literatura, proceder a partir desses insights, persistir, enquanto vou aprendendo mais, acrescentando à minha neuroestrutura anterior, novas ligações nervosas. Afinal, o que tentei dispor aqui pode não significar nada ou, no máximo, o princípio de algo que já exista na Matemática desde o século XVII.
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Há alguns pré-requisitos fundamentais, sobre aprender Matemática, que venho percebendo e talvez compreendendo no decorrer do último semestre:
1) Matemática não é mera técnica. É um arcabouçou para que você crie a sua;
2) Matemática NUNCA deve ser decorada, mas ENTENDIDA;
3) Nunca copie. Tal qual aprender Programação, só se aprende Matemática FAZENDO;
4) Modelagem matemática é uma constante: tomar aquela liberdade OBRIGATÓRIA de não se limitar a resolver problemas anteriormente organizados como que num concurso; mas, ao contrário, olhar os elementos práticos do dia a dia de seu quintal, de sua fazenda, de seu apartamento, de qualquer situação ou local em que você se encontre, e formular seu próprio problema. Para, depois, resolvê-lo. (pois, grande parte da resolução de um problema envolve contato com o mundo empírico, e não com perguntas assépticas);
5) Para quem domina o assunto, sempre que em condição de alunos da vida ou de uma disciplina da área, busquem sempre saber que é no aparentemente simples que você encontrará as aplicações mais elaboradas (como ressuscitar conteúdo até mesmo do Primário para o correto entendimento de assuntos mais avançados). Jogue no lixo a parte inútil do natural orgulho que você costume ter.
6) Não se limite a Tabelas de Fórmulas. Um dia, com tempo de sobra, aproveite para refazê-las e ver se consegue chegar ao mesmo resultado (exceto se forem fórmulas cujos estudiosos do passado levaram décadas para resolver);
7) Na medida do possível, seja democrático com o conhecimento;
8) Melhor forma de aprender: ensinar. Porque, por mais orgulho que se possa ter com seus próprios resultados existe a satisfação de ter ajudado os outros a se transformarem;
9) Lembrem-se os iniciantes: notação matemática não é enfeite para complicar, ainda que complique. Tudo possui uma origem, e essa origem, no caso da Matemática, é plenamente JUSTIFICADA. E, nessa justificativa, há detalhes sobre a natureza de um assunto que lhes facilitarás aprender;
10) Por último: leiam de tudo, leiam qualquer coisa. Desde que, na leitura, treinem a imaginação e a criatividade. Saibam compreender, por exemplo, detalhes topográficos apenas com a narrativa de um escritor muito bom. Saibam imaginar, pegar elementos aparentemente incongruentes, sem relação, e formar todo um cenário em suas cabeças. Treinem isso bastante com boa Literatura, e verão que isso irá auxiliar a examinar questões BEM elaboradas de Matemática (muitas dessas não apresentam perguntas prontas - no lugar disso, contextualizam).
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Assinado: João Batista Firmino Júnior
sábado, 2 de maio de 2015
Um punhado de Realidade
Como apreender o mundo? Por cada uma de suas manifestações, através de fenômenos naturalmente multidisciplinares.
A abordagem pode envolver uma postura baseada no conhecimento
prévio de quem for identificar determinada manifestação do mundo. A partir de
um conhecimento prévio, e de sua comparação com a novidade, a sensação de que
algo é reconhecível.
Uma memória soma-se a novos elementos análogos, os dois
conjuntos de elementos se casam. Nisso, uma filtragem, sobrando o efetivamente
desconhecido pelo indivíduo.
Tal qual um código fechado, ou um mistério narrativo, vai-se
quebrando através de técnicas de economia de energia. Atalhos são criados para
que sejam efetivos e reproduzíveis.
Um novo aspecto do fenômeno é descoberto e, tal qual um
processo de deglutição, soma-se ao conhecimento prévio, alterando
essencialmente tudo aquilo que existia anteriormente. Cada pedaço do ser é
minimamente mudado após isso. E isso trás a possibilidade de um caminho
seguinte para um novo aspecto do mesmo problema a ser estudado.
Explicando melhor: analogias são criadas. Pontes. Disso, ao
mesmo tempo ocorre uma filtragem, sobrando os elementos mais brutos, mais desconhecidos.
Porém, o conhecimento prévio torna-se diferente com a deglutição anterior,
possibilitando prosseguir no caminho. E nada se perde quando há aspectos
emocionais envolvidos, quando há um “choque” perceptivo e de concepção. É da
mesma forma quando lido com um determinado problema, formal ou informal, mas
que precisa ser resolvido.
Trata-se de um jogo útil, com fases. Cada fase parte
do processo de apreensão e modificação de meu próprio conhecimento. Essa
modificação é fluida, não é enrijecida numa estrutura pesada.
A abordagem por fenômeno aceita a riqueza e natural
complexidade do mundo bruto ao redor. Nossa caixa de ferramentas
necessariamente se utilizará de Física, Matemática, Química, Leitura,
Astronomia, Geografia… e de elementos intermediários entre essas ciências ou
grandes temas.
Na sala de aula, sintetizando, bem como em qualquer
aprendizado mais informal, o ideal seria conseguir ir mostrando o mundo – não
se fechando para ele. É no próprio mundo onde residem todas as disciplinas e
grandes temas. E é a partir de um punhado de realidade que nos choca, que nos
intriga, que podemos nos utilizar de ferramentas que nunca serão apenas
ferramentas, mas um fim tanto delas mesmas como da explicação desse mesmo
fenômeno – que, por sua vez, como disse, é apenas um punhado de realidade.
Assinado: João Batista Firmino Júnior.
sábado, 4 de abril de 2015
Cotidiano Multidisciplinar
O que sei sobre Educação? Basicamente, em linhas gerais, como o processo de permitir a compreensão e interpretação sobre determinado campo do saber por parte do agente ativo do processo, que é o aluno, que terá que provar que domina determinado campo, formal e informalmente, pelo resto de sua vida profissional - e não apenas para passar na disciplina.
Claro que é preciso restringir meu conceito não-especializado. Refiro-me ao adulto universitário, evidentemente. Não tenho o que dizer sobre educação de adolescentes e crianças (e o que tenho aqui é algo absolutamente informal).
O ideal é entender o processo não como um conjunto de disciplinas separadas e fechadas em si mesmas, mas como ferramentas para desbravar um determinado Fenômeno.
Fenômenos não são especificamente algo de uma disciplina. São singularidades. São "problemas", vamos dizer assim. E "problemas" devem ser resolvidos pelo que for útil, pela articulação de ferramentas diferentes.
Vejamos o caso do aprendizado em criação de programas de computador. Se for exigido a criação de um programa específico que resolva uma fórmula matemática do segundo grau, uma questão contábil, uma média ponderada etc., você terá que dominar aquilo que o programa deverá realizar, e não apenas a forma do programa em si. Quer dizer, ou você entende a lógica do conteúdo, ou a "forma" linear dos comandos não terá no que se basear para agir (claro que não vai adiantar também saber apenas do conteúdo e não saber programar).
Outra disciplina: Desenho Técnico. É evidente que, sem conhecimento basilar em Trigonometria e Geometria, não dá para avançar muito. Ou: sem Matemática e Física, onde ficam certas partes da Geografia Física?
E mais: realocação de disciplinas em uma determinada grade. Poderá envolver o quê? Uma pitada de Lógica.
E há o sentido das palavras. O que uma palavra quer realmente dizer e em que contexto? Sem o domínio correto da Língua Portuguesa, como traduzir, do português, uma questão ou explicação matemática para a linguagem da própria Matemática? Sobretudo no uso do "ou", do "e", do "somente", ou no não uso do "somente". O mesmo avança para outros idiomas.
Trabalhar o fenômeno, enfim, parece-me ser o ponto essencial do aprendizado. Traz a vida real para o assunto tratado, exige novos assuntos e bases, além de trabalho em equipe. Um processamento maior é realizado que aquele estudo solitário, fechado e sem... contexto, sem esqueleto, sem objetivo, sem uma finalidade específica.
O que nos falta, talvez, seja o grau zero do aprendizado: o controle das emoções (não a destruição delas), a provocar melhor foco. Foco na vida, foco nos assuntos que serão estudados, ou, em outras palavras, organização. Um fundamento disso pode ser uma dada filosofia de vida construída milenarmente e moldada pela sociedade, uma sociedade que poderia exigir um determinado modo de ver o mundo (e de agir sobre ele) por parte do indivíduo. Esse determinado modo de ver o mundo já, por si só, exigiria uma disciplina e um respeito pelos outros e por si mesmo muito mais forte que aquilo que temos em partes do Ocidente.
Lembrando que isso vem também da maturidade do indivíduo, algo que independe, muitas vezes, da idade. É preciso largar equívocos envolvendo as relações humanas e os problemas diários. Livrar a mente de armadilhas que construímos para nós mesmos. E deixá-la livre para fazer o que ela faz de melhor: pensar.
Autor: João Batista Firmino Júnior.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
Sobre a perspectiva de vida inteligente além da Humanidade
É parte do
conhecimento comum que nosso planeta possui bilhões de anos de existência e
diferentes fases de evolução, destruições diversas, recomeços. Por outro lado,
temos ao menos dois planetas rochosos (além de Mercúrio, que aqui não estou
levando em consideração), com proximidade maior para conosco. São planetas como
Vênus e Marte, que, no decorrer desse período, também tiveram suas fases, seus
períodos, seus avanços e retrocessos naturais.
Há de se questionar até que ponto
não seria possível a existência de outras civilizações em algum desses
períodos, considerando o horizonte de eventos da tríade Vênus-Terra-Marte.
Considerando as características desejáveis e de acordo com nossa existência
biológica, seriam civilizações cujos seres inteligentes seriam fisicamente
parecidos conosco – ou até mesmo nossos antepassados, cujos conhecimentos
técnicos e culturas foram inexoravelmente perdidos.
Indo além, evidentemente, há os
pontos mais distantes do Sistema Solar da Terra – e mais além. Qual a natureza
de cada uma das civilizações possíveis, provavelmente existentes muito além de
nosso Sistema Solar? E qual a natureza possível de diferentes conglomerados, ou
zonas de livre troca, entre diferentes civilizações avançadas de planetas (ou
corpos celestiais equivalentes) distantes?
Penso que, em caso de encontro,
talvez devêssemos ter mais cuidado com “povos extraterrestres” de mentalidade
mais próxima da nossa que com os de mentalidade mais distante. Mas, ainda há um
fator complicador extra, que reside em um pressuposto básico de toda a
discussão: a noção de diferença.
Considerando
que surgimos a partir de partículas que viajam pelo espaço, em essência, não há
alienígenas nem nativos – salvo no condicionamento ao ambiente, na aleatória
(ou não) união de genes, no livre-arbítrio e em um pré-condicionamento de partículas
por zonas espaciais. Explicar cada parte levaria a muitas linhas, e ficamos
apenas nessa exemplificação resumida, podendo haver outras diferenças – mas não
no fundamental, que diz respeito quase que a um “tecido biológico” do cosmos.
Não devemos, desde já, mistificar a
existência de civilizações alienígenas avançadas. Penso que aquilo que chamei
de “tecido biológico” do cosmos, ou a lógica primordial da formação de entes
biológicos inteligentes, ou não, por longas zonas espaciais, é basicamente a
mesma (salvo em se tratando das superinteligências da ficção-científica, que
são personagens fabulosos, sobretudo na série literária alemã “Perry Rhodan”). Pois,
afinal, a mesma mistificação a literatura de aventuras da Europa não fazia
sobre os povos além-mar?
Devemos, pois, considerar, afinal,
esse pressuposto de que falei. Revisá-lo. Afinal, somos os mesmos e não somos a
mesma coisa. Já sobre pesquisas envolvendo esse campo da busca por vida
inteligente além da Humanidade, talvez devamos começar pelo passado remoto da
Terra, de Vênus e de Marte, no decorrer dos próximos dois séculos, ao menos.
Verificar a hipótese de se “tivemos antepassados avançados tecnicamente na
Terra, em Vênus ou em Marte” ou, ao menos, assemelhados biológica e
culturalmente.
Assinado: João
Batista Firmino Júnior.
quarta-feira, 31 de dezembro de 2014
Término de 2014
Este foi um ano razoavelmente produtivo para o presente blog.
Creio que alguns textos de alguma qualidade foram publicados aqui, sobretudo os de natureza literária. Dos não-literários, mas sobre Literatura, parece-me que os mais acessados foram os que abordavam a série de ficção-científica alemã "Perry Rhodan" - e com razão. Nunca se esgotam os assuntos relativos a esse universo ficcional e ao histórico de sua publicação e alcance.
Este ano, em geral, acredito que o blog teve apenas dois textos incompletos - um deles em continuação (o "A embarcação divina") e o outro, intitulado "Singularidade", por ter sido uma versão alternativa do meu livro O Núcleo.
Evidentemente, possuo deficiências em meu fluxo de pensamento e de concentração na produção de uma ficção. E isso evita que eu alimente ilusões em algum dia publicar algo fora da net. Por outro lado, para todos nós que ainda insistimos em escrever, é uma experiência inescusável para aprendermos tanto a disciplina exterior, do dia a dia, como a disciplina de manter o fluxo de pensamentos afinado ao projeto de um texto que tenhamos feito anteriormente, com alterações futuras e constantes.
Escrever é um processo dinâmico. Reflete a forma como pensamos muito mais que o conteúdo de nosso pensamento. É justamente na forma, no ritmo, no tracejado, digamos assim, que se é possível perceber mais elementos.
Também aproveitei este espaço para textos dissertativos, somente meus, abertos sempre a questionamentos, na liberdade íntima que cada leitor possui ao entrar em contato com um texto. Creio que obtive sucesso em evitar polêmicas potenciais ("potenciais" porque o blog não é tão frequentado assim). Afinal, é justo que exista a liberdade de escolha entre algum tipo de engajamento - ou em ser, simplesmente, um zapeador do cotidiano, passando rapidamente por cada "canal", tal como faço na vida fora do fluxo de hiperconexões a que chamamos internet (isso se ainda existirem os conceitos de "fora" e de "dentro" no nosso uso cotidiano da internet, claro).
Em suma, foi e continua sendo uma experiência agradável rechear o presente blog, o presente espaço.
Que 2015 seja ainda melhor, e que os eventuais leitores deste blog continuem acessando.
Até mais.
João Batista Firmino Júnior.
Creio que alguns textos de alguma qualidade foram publicados aqui, sobretudo os de natureza literária. Dos não-literários, mas sobre Literatura, parece-me que os mais acessados foram os que abordavam a série de ficção-científica alemã "Perry Rhodan" - e com razão. Nunca se esgotam os assuntos relativos a esse universo ficcional e ao histórico de sua publicação e alcance.
Este ano, em geral, acredito que o blog teve apenas dois textos incompletos - um deles em continuação (o "A embarcação divina") e o outro, intitulado "Singularidade", por ter sido uma versão alternativa do meu livro O Núcleo.
Evidentemente, possuo deficiências em meu fluxo de pensamento e de concentração na produção de uma ficção. E isso evita que eu alimente ilusões em algum dia publicar algo fora da net. Por outro lado, para todos nós que ainda insistimos em escrever, é uma experiência inescusável para aprendermos tanto a disciplina exterior, do dia a dia, como a disciplina de manter o fluxo de pensamentos afinado ao projeto de um texto que tenhamos feito anteriormente, com alterações futuras e constantes.
Escrever é um processo dinâmico. Reflete a forma como pensamos muito mais que o conteúdo de nosso pensamento. É justamente na forma, no ritmo, no tracejado, digamos assim, que se é possível perceber mais elementos.
Também aproveitei este espaço para textos dissertativos, somente meus, abertos sempre a questionamentos, na liberdade íntima que cada leitor possui ao entrar em contato com um texto. Creio que obtive sucesso em evitar polêmicas potenciais ("potenciais" porque o blog não é tão frequentado assim). Afinal, é justo que exista a liberdade de escolha entre algum tipo de engajamento - ou em ser, simplesmente, um zapeador do cotidiano, passando rapidamente por cada "canal", tal como faço na vida fora do fluxo de hiperconexões a que chamamos internet (isso se ainda existirem os conceitos de "fora" e de "dentro" no nosso uso cotidiano da internet, claro).
Em suma, foi e continua sendo uma experiência agradável rechear o presente blog, o presente espaço.
Que 2015 seja ainda melhor, e que os eventuais leitores deste blog continuem acessando.
Até mais.
João Batista Firmino Júnior.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2014
Sobre liberdade de expressão e redes sociais
Escrevo este tópico um pouco no improviso, como já fiz com muitos textos deste blog. Além disso, provavelmente, posso ter escrito anteriormente sobre o assunto "liberdade de expressão" neste espaço; ainda assim, tentarei não me repetir, caso tenha feito isso.
Recorto o assunto, para melhor aproveitamento neste espaço, dividindo o assunto "liberdade de expressão" em antes e depois dos sites de redes sociais. Fiquemos no "depois".
Talvez uma das questões mais difíceis sobre o assunto e sua expressão em redes sociais seja descobrir até onde algo é aceitável. É como uma pirâmide, na qual temos uma base (as leis); e o topo, que é a realização "livre" de uma opinião ou de um trabalho científico, ou de uma divulgação (ainda assim em algum grau pautado numa autocensura bem inconsciente).
E no meio? É onde temos questões sobre a falibilidade de todos nós, na condição de moderadores de comunidades ou fóruns. Essa falibilidade pode ser técnica, naturalmente; mas, também, relativa a cair na tentação mais simples, básica e fundamental: eliminar divergências a nós mesmos sem contra-argumentar (eliminar no sentido de apagar, banir, ou seja, dentro das regras de poder que tenho a minha disposição).
Isso pode ocorrer devido não meramente a uma tentação de Poder, mas também a um senso de território, que é formado pelas assim chamadas "regras implícitas" de uma comunidade - indo além do falibilismo de qualquer dono ou moderador, que deseja uma "aparência", um "estilo", para seu espaço (porque, no final, o espaço é sempre de quem tem o poder legitimado de montar todo um fórum ou comunidade).
E é nesse ponto que pode ser possível entender a ausência de contra-argumentação que não seja pela simples eliminação da divergência, a partir do fato de que não há - ainda - relação contratual alguma entre fóruns/comunidades/congêneres e cada usuário.
Diante da condição "movediça" de diversos espaços de "liberdade de expressão", podemos nos decepcionar um pouco. Afinal, lembremos que antes da liberdade de expressão propriamente dita, há a liberdade para qualquer um criar seu território virtual e basear-se, naturalmente, em seu subjetivismo. Um subjetivismo mais "solto" que os critérios estritamente legais, por exemplo.
De qualquer forma, é o que temos: Poder/Território na parte intermediária, e majoritária, da pirâmide a que me referi.
Além disso, o nosso contato com o Outro, com a Diferença, independente de nossa condição de "moderador" ou de "participante". Liberdade não se faz sem interações. Nem é um conceito que faça sentido sem relações de uma coisa com a outra.
Liberdade é sempre com pessoas, e a vida entre diferentes sempre será uma trama repleta de idas e vindas. O que podemos fazer é tornar isso menos drástico. Em ambientes públicos, como as redes sociais, por exemplo, buscar evitar atritos - e se utilizar de espaços até certo ponto mais "isolados" em termos de interação e influências, para opiniões mais contundentes (e ainda assim, voltadas a um espaço, a um grupo específico, ou seja, NUNCA para todo mundo, para qualquer pessoa).
Em suma: vivendo e aprendendo, entendemos que as coisas nunca são somente uma questão "apenas de Legalidade", no que diz respeito às nossas opiniões. Há um jogo de constrangimentos que não começa nem termina nunca - apenas é. E, nesse jogo, nada melhor que (partindo já do pressuposto legal, constitucional e humano): editar e reeditar opiniões; focá-las APENAS a um espaço e grupo específico; e, ainda melhor: ir até a origem das próprias opiniões, ir até a visão de mundo pessoal, e usá-la para trabalhos objetivos, profissionais, e sobretudo muito mais voltados ao mundo fora das redes sociais (não necessariamente um mundo sem internet).
Assinado: João Batista Firmino Júnior.
Recorto o assunto, para melhor aproveitamento neste espaço, dividindo o assunto "liberdade de expressão" em antes e depois dos sites de redes sociais. Fiquemos no "depois".
Talvez uma das questões mais difíceis sobre o assunto e sua expressão em redes sociais seja descobrir até onde algo é aceitável. É como uma pirâmide, na qual temos uma base (as leis); e o topo, que é a realização "livre" de uma opinião ou de um trabalho científico, ou de uma divulgação (ainda assim em algum grau pautado numa autocensura bem inconsciente).
E no meio? É onde temos questões sobre a falibilidade de todos nós, na condição de moderadores de comunidades ou fóruns. Essa falibilidade pode ser técnica, naturalmente; mas, também, relativa a cair na tentação mais simples, básica e fundamental: eliminar divergências a nós mesmos sem contra-argumentar (eliminar no sentido de apagar, banir, ou seja, dentro das regras de poder que tenho a minha disposição).
Isso pode ocorrer devido não meramente a uma tentação de Poder, mas também a um senso de território, que é formado pelas assim chamadas "regras implícitas" de uma comunidade - indo além do falibilismo de qualquer dono ou moderador, que deseja uma "aparência", um "estilo", para seu espaço (porque, no final, o espaço é sempre de quem tem o poder legitimado de montar todo um fórum ou comunidade).
E é nesse ponto que pode ser possível entender a ausência de contra-argumentação que não seja pela simples eliminação da divergência, a partir do fato de que não há - ainda - relação contratual alguma entre fóruns/comunidades/congêneres e cada usuário.
Diante da condição "movediça" de diversos espaços de "liberdade de expressão", podemos nos decepcionar um pouco. Afinal, lembremos que antes da liberdade de expressão propriamente dita, há a liberdade para qualquer um criar seu território virtual e basear-se, naturalmente, em seu subjetivismo. Um subjetivismo mais "solto" que os critérios estritamente legais, por exemplo.
De qualquer forma, é o que temos: Poder/Território na parte intermediária, e majoritária, da pirâmide a que me referi.
Além disso, o nosso contato com o Outro, com a Diferença, independente de nossa condição de "moderador" ou de "participante". Liberdade não se faz sem interações. Nem é um conceito que faça sentido sem relações de uma coisa com a outra.
Liberdade é sempre com pessoas, e a vida entre diferentes sempre será uma trama repleta de idas e vindas. O que podemos fazer é tornar isso menos drástico. Em ambientes públicos, como as redes sociais, por exemplo, buscar evitar atritos - e se utilizar de espaços até certo ponto mais "isolados" em termos de interação e influências, para opiniões mais contundentes (e ainda assim, voltadas a um espaço, a um grupo específico, ou seja, NUNCA para todo mundo, para qualquer pessoa).
Em suma: vivendo e aprendendo, entendemos que as coisas nunca são somente uma questão "apenas de Legalidade", no que diz respeito às nossas opiniões. Há um jogo de constrangimentos que não começa nem termina nunca - apenas é. E, nesse jogo, nada melhor que (partindo já do pressuposto legal, constitucional e humano): editar e reeditar opiniões; focá-las APENAS a um espaço e grupo específico; e, ainda melhor: ir até a origem das próprias opiniões, ir até a visão de mundo pessoal, e usá-la para trabalhos objetivos, profissionais, e sobretudo muito mais voltados ao mundo fora das redes sociais (não necessariamente um mundo sem internet).
Assinado: João Batista Firmino Júnior.
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