Parece que a interligação de tudo, aparelhos, programas, smartphones e redes sociais, tablets, computadores, tudo, ao invés de facilitar, apenas nos prende mais.
Prender não apenas no sentido comum do sujeito que não abandona as "telas", mas na fragilidade que isso provoca - bem como a uma nova burocracia.
Fragilidade e burocracia. Você não pode mais se dar ao luxo de deletar um perfil de rede social sem que um serviço seja inutilizado devido a isso. Se quiser ter um determinado serviço que envolva alguma nova modalidade de acesso ao celular (mesmo que essa modalidade seja o básico, e não um luxo), "não pode" deletar perfil, nem pode perdê-lo.
Além disso, vem a profusão de smartphones que escondem ou eliminam as possibilidades de tirar o acesso fácil, em seu próprio produto, a redes sociais, emails e companhia. Basta um furto, uma perda de celular, e uma série de páginas pessoais, blogs, contas de email, podem cair por terra - caso não se chegue a tempo ao computador e se altere todas as senhas.
Ah, e sobre as senhas? Diversas. Cada atividade, seja entretenimento ou "coisa séria", exige uma senha - que deve ser complicada, comprida e alterada a cada três dias (de preferência, a cada cinco minutos).
A tecnologia pode ser um elemento facilitador, mas não é algo perfeito - claro. São centenas de senhas para milhares de mudanças de senhas; aparelhos que não se desconectam - ou cuja desconexão é difícil - de redes sociais, deixando tudo aberto a um furto; e o mais conhecido transtorno obsessivo-compulsivo no ato constante de, a cada 30 segundos, verificar o surgimento de algum email novo, alguma mudança de status, algum comentário, alguma bobagem qualquer.
Muita coisa. Muito barulho. E, ainda por cima, pouca proteção. Como a quantidade grandiosa de cartas de baralho para um material fácil de rasgar; para castelos de cartas que não aguentam um único suspiro.
É diante dessa fragilidade que construímos perfis, contas de email e blogs. E o pior é que nada pela internet é realmente nosso. Um game, por exemplo: hoje em dia, há alguns títulos cuja posse não é nossa - com exceção da chave de entrada para nossa "conta".
Primeiro, a digitalização. Papeis, documentos físicos, tudo trocado para o 0 e o 1 armazenados em Hard Disks. Basta um pulso eletromagnético, ou água, ou queda, para tudo se perder. E ficou "pior". Sim. Veio a distribuição de dados pela internet.
Sou contra o computador e a internet? Não. Apenas aponto a fragilidade do conceito de "posse" em prol, paradoxalmente, do conceito de "acesso". O acesso surge em detrimento da posse. Não possuo nada realmente, em termos de internet. Há um acesso, um passatempo, um trabalho - mas nada a ser guardável em cofres, ou mesmo no bolso.
O que são as coisas? Tudo é informação. Está certo que, em um nível muito pequeno, tudo com que temos contato é ilusão. São apenas conceitos ambulantes que formam átomos, que mais parecem conceitos que formam coisas. Mas, ainda assim, uma ilusão mais consistente que a falta de corpo de um dado na internet ("na" não, "pela").
E a realidade brasileira? Uma realidade ainda menos segura. Oh, doce paranóia! Ideal para este mundo. É fácil nossos dados se perderem, é fácil demais a "casa cair". O que vale é o acesso constante, o acesso possível, a permissão, a chave, o código - nunca a posse, o controle real, concreto.
E não adianta ter tanto medo. Mas, aproveitar o momento - o momento do acesso.
Que seja.
Assinado: João Batista Firmino Júnior.

sábado, 31 de maio de 2014
quarta-feira, 28 de maio de 2014
Meu fanzine sobre Perry Rhodan - bons tempos
Durou apenas 1 edição. E só circulou entre eu e o professor da graduação que avaliou meu trabalho. Foi para nota, mas envolveu todo o meu interesse pela obra.
A série Perry Rhodan, como já é sabido, é uma duradoura série literária alemã de ficção-científica, abordando o futuro da humanidade e sendo guiada pelo personagem que dá nome à série.
Meu fanzine foi numa disciplina de Comunicação Social, habilitação "Jornalismo", em que abordávamos justamente "fanzines", e tínhamos que fazer um na prática, uma edição, editorializado, revisado, com a ajuda de um programa de computador.
Até hoje, por saudosismo, guardo os meus arquivos do CorelDraw. São quase 10 anos. Lá, me utilizei de toda a gênese da série, seus fundadores, seus autores mais conhecidos, seus personagens principais dos primeiros ciclos, os ciclos, as tecnologias e os povos, em diversas seções, se não me engano totalizando 12 páginas.
Tive que aprender do zero a usar o software de editoração, mas foi um trabalho bem-sucedido. Não levei a ideia adiante, para além da simples exigência de uma disciplina acadêmica, por falta de fãs, naquela época, na cidade de João Pessoa (ao menos no que eu tivesse conhecimento).
Poderia dispor de algumas páginas do meu fanzine aqui, neste blog, mas não sei exatamente como são as questões envolvendo direito autoral, em caso de publicação real de alguma imagem que compunha a capa que construí e as imagens das fotos que compõem as páginas internas. Na época não tive problemas com isso, já que não publiquei nada do que fiz.
O valor intrínseco dessa série está justamente em sua forma literária. Se um dia fizerem uma série de TV ou uma cinessérie, tudo bem, poderá dar certo - mas, ainda assim, a essência da coisa está na relação livro-leitor ou ebook-leitor.
A construção de um mundo próprio, inclusive com detalhes sociológicos e de engenharia, sempre foi algo interessante para mim. Como nunca consegui algo desse porte de minha própria autoria, até por falta de informações, tempo e dinheiro para pesquisa, consultores científicos e viagens, claro que tive que me ater à literatura.
Rhodan, originalmente, é um astronauta norte-americano do século XX. O primeiro a pisar na Lua, naquela realidade alternativa típica da ficção. Um militar acho que de uns trinta e cinco anos que, em 1972, rumou para a Lua - ele, Reginald Bell e mais dois.
Lá, encontraram um dois arcônidas (Crest e Thora), de um decadente Império espacial. Com base na inconsciente experiência que Rhodan teve com uma superinteligência cósmica na infância (chamada "Aquilo"), ele teve a ideia de usar a situação para refundar a Humanidade. Por se tratar de ficção, ele não teria feito isso por Poder ou para se tornar um ditador, mas por amor à Humanidade, sem nunca ter se degenerado para a sede de a tudo poder controlar, em nenhum momento de sua trajetória de vida.
Criou a Terceira Potência (para fazer frente à URSS e aos Estados Unidos), na China. E teve ampla ajuda não apenas de seu sonho, de seus aliados e amigos e da tecnologia arcônida, mas também dos "mutantes", alienígenas e humanos com poderes paranormais.
Ergueu para a Humanidade um "império democrático", tanto no voto como nas instituições, expandindo-o com a ajuda da superinteligência Aquilo, dos mutantes, da aliança com os mutantes e com a manipulação da geopolítica da Terra e de outros povos muito além deste planeta e desta galáxia.
Um fator preponderante na série, que realmente sempre me interessou, foi o "lugar do transcendental", presente não numa ideologia ou numa religião "guiando" os acontecimentos cósmicos, mas do conceito de "superinteligência" ou "superentidade" do espaço sideral (existente dentre outras diversas superentidades, de maior ou de menor porte, tendência e leis de formação). Com tal ajuda, Rhodan e seus amigos formaram um núcleo de imortais relativos (só podem morrer de morte violenta).
A estratégia global, evidentemente, como aqui quero dizer, não parte de Rhodan ou da Humanidade erguida - e reerguida tantas vezes - por ele e seu núcleo de personagens: têm-nos como timão principal, mas o timoneiro é Aquilo (e o "acaso") diante de um conjunto de forças cósmicas maiores. Esse é o pendão da série. As tecnologias, os mutantes, as regras de ciências humanas formadoras das mais diversas civilizações espaciais, o carisma dos personagens, tudo isso, só consegue se reunir através de um eixo, de uma coluna e de um direcionamento focado nos enigmas cósmicos e numa espécie de "caso Harmonia", capaz de explicar todos os grandes mistérios da série, teoricamente - mas ainda não exposto, até onde li.
Acompanhei a série inicialmente em 1997, através das edições da editora Ediouro, a partir de uma biblioteca pública. Parei por anos até me deparar com os lançamentos da editora S.S.P.G.. Atualmente, sigo, sempre que possível, a versão digital. Acompanhei volumes esparsos do Primeiro Ciclo (o suficiente para entender o início de tudo); ciclos como O CONCÍLIO, AFILIA e parte de BARDIOC, e, atualmente, venho lentamente lendo o ciclo O ENXAME (dentre outros livros de outras literaturas).
Há lugares-comuns? Há clichês? Há eventuais episódios fracos? Há. Mas o que interessa é o conceito geral e a continuidade maior da série. Sem essa noção de contexto, a série não seria tão rica e o mundo fictício que é produzido através da interação com a mente de cada leitor seria muito mais vazio e desinteressante. É por isso que os pontos fracos, que eventualmente existem, não destroem a série. Aliás, tornam mais realista o mundo fictício - afinal, é também de rotinas e clichês que a própria Realidade é feita, porém sem ficar só nisso.
Assinado: João Batista Firmino Júnior.
A série Perry Rhodan, como já é sabido, é uma duradoura série literária alemã de ficção-científica, abordando o futuro da humanidade e sendo guiada pelo personagem que dá nome à série.
Meu fanzine foi numa disciplina de Comunicação Social, habilitação "Jornalismo", em que abordávamos justamente "fanzines", e tínhamos que fazer um na prática, uma edição, editorializado, revisado, com a ajuda de um programa de computador.
Até hoje, por saudosismo, guardo os meus arquivos do CorelDraw. São quase 10 anos. Lá, me utilizei de toda a gênese da série, seus fundadores, seus autores mais conhecidos, seus personagens principais dos primeiros ciclos, os ciclos, as tecnologias e os povos, em diversas seções, se não me engano totalizando 12 páginas.
Tive que aprender do zero a usar o software de editoração, mas foi um trabalho bem-sucedido. Não levei a ideia adiante, para além da simples exigência de uma disciplina acadêmica, por falta de fãs, naquela época, na cidade de João Pessoa (ao menos no que eu tivesse conhecimento).
Poderia dispor de algumas páginas do meu fanzine aqui, neste blog, mas não sei exatamente como são as questões envolvendo direito autoral, em caso de publicação real de alguma imagem que compunha a capa que construí e as imagens das fotos que compõem as páginas internas. Na época não tive problemas com isso, já que não publiquei nada do que fiz.
O valor intrínseco dessa série está justamente em sua forma literária. Se um dia fizerem uma série de TV ou uma cinessérie, tudo bem, poderá dar certo - mas, ainda assim, a essência da coisa está na relação livro-leitor ou ebook-leitor.
A construção de um mundo próprio, inclusive com detalhes sociológicos e de engenharia, sempre foi algo interessante para mim. Como nunca consegui algo desse porte de minha própria autoria, até por falta de informações, tempo e dinheiro para pesquisa, consultores científicos e viagens, claro que tive que me ater à literatura.
Rhodan, originalmente, é um astronauta norte-americano do século XX. O primeiro a pisar na Lua, naquela realidade alternativa típica da ficção. Um militar acho que de uns trinta e cinco anos que, em 1972, rumou para a Lua - ele, Reginald Bell e mais dois.
Lá, encontraram um dois arcônidas (Crest e Thora), de um decadente Império espacial. Com base na inconsciente experiência que Rhodan teve com uma superinteligência cósmica na infância (chamada "Aquilo"), ele teve a ideia de usar a situação para refundar a Humanidade. Por se tratar de ficção, ele não teria feito isso por Poder ou para se tornar um ditador, mas por amor à Humanidade, sem nunca ter se degenerado para a sede de a tudo poder controlar, em nenhum momento de sua trajetória de vida.
Criou a Terceira Potência (para fazer frente à URSS e aos Estados Unidos), na China. E teve ampla ajuda não apenas de seu sonho, de seus aliados e amigos e da tecnologia arcônida, mas também dos "mutantes", alienígenas e humanos com poderes paranormais.
Ergueu para a Humanidade um "império democrático", tanto no voto como nas instituições, expandindo-o com a ajuda da superinteligência Aquilo, dos mutantes, da aliança com os mutantes e com a manipulação da geopolítica da Terra e de outros povos muito além deste planeta e desta galáxia.
Um fator preponderante na série, que realmente sempre me interessou, foi o "lugar do transcendental", presente não numa ideologia ou numa religião "guiando" os acontecimentos cósmicos, mas do conceito de "superinteligência" ou "superentidade" do espaço sideral (existente dentre outras diversas superentidades, de maior ou de menor porte, tendência e leis de formação). Com tal ajuda, Rhodan e seus amigos formaram um núcleo de imortais relativos (só podem morrer de morte violenta).
A estratégia global, evidentemente, como aqui quero dizer, não parte de Rhodan ou da Humanidade erguida - e reerguida tantas vezes - por ele e seu núcleo de personagens: têm-nos como timão principal, mas o timoneiro é Aquilo (e o "acaso") diante de um conjunto de forças cósmicas maiores. Esse é o pendão da série. As tecnologias, os mutantes, as regras de ciências humanas formadoras das mais diversas civilizações espaciais, o carisma dos personagens, tudo isso, só consegue se reunir através de um eixo, de uma coluna e de um direcionamento focado nos enigmas cósmicos e numa espécie de "caso Harmonia", capaz de explicar todos os grandes mistérios da série, teoricamente - mas ainda não exposto, até onde li.
Acompanhei a série inicialmente em 1997, através das edições da editora Ediouro, a partir de uma biblioteca pública. Parei por anos até me deparar com os lançamentos da editora S.S.P.G.. Atualmente, sigo, sempre que possível, a versão digital. Acompanhei volumes esparsos do Primeiro Ciclo (o suficiente para entender o início de tudo); ciclos como O CONCÍLIO, AFILIA e parte de BARDIOC, e, atualmente, venho lentamente lendo o ciclo O ENXAME (dentre outros livros de outras literaturas).
Há lugares-comuns? Há clichês? Há eventuais episódios fracos? Há. Mas o que interessa é o conceito geral e a continuidade maior da série. Sem essa noção de contexto, a série não seria tão rica e o mundo fictício que é produzido através da interação com a mente de cada leitor seria muito mais vazio e desinteressante. É por isso que os pontos fracos, que eventualmente existem, não destroem a série. Aliás, tornam mais realista o mundo fictício - afinal, é também de rotinas e clichês que a própria Realidade é feita, porém sem ficar só nisso.
Assinado: João Batista Firmino Júnior.
sábado, 24 de maio de 2014
Imaginário
O que há por trás de todos os nossos sonhos, de todas as ideologias, de todas as religiões, de todas as narrativas?
Estruturas, nexos, um mundo onírico de histórias que são partes de histórias em um imenso e interminável sistema, espraiado por milhares de diferentes folclores.
Quais as pulsões mais básicas por trás de um ídolo lendário? O que atravessa a psicanálise, os contos de todos os povos, o instrumento do rito que, não sendo por si uma história, não deixa de revelar humores, tendências, um rico universo em um ainda mais rico inconsciente coletivo - ou fragmentado, mas com pontos em comum, como parte de uma lógica que espelha, de alguma forma, aquilo que nos torna humanos mais que como integrantes de uma espécie (sim, o humano é uma coisa, o "sapiano", de Homo sapiens, é outra categoria).
Para quem se interessar, recomendo as publicações brasileiras e portuguesas de Gilbert Durand. Para mim, ele serve de porta de entrada para um mundo inexplorado de maravilhas para a pesquisa e para a fruição pessoal.
Imaginem, primeiramente, um mundo "fácil", o nosso. Tão óbvio que nada é óbvio, e nos leva aos sonhos e às lendas. Mas, mesmo os sonhos e as lendas são versões "acabadas", "evoluídas", de uma complexa "sensação", pulsão, tendência lógica geral que leva um aglomerado, uma constelação de imagens-ideias, a um determinado caminho - conforme um anterior esquema de orientação.
Muito complicado, mas encantador. E, no final, muito mais interessante que a mais pura Física Quântica.
Em um dado momento, em Durand, enxergamos um pouco do que ele se refere como um campo esquizomórfico, um campo de luz, de bipedismo, do alto, do além e adiante, do mundo ao ar livre, no topo da montanha e na ponta da espada, acima de quaisquer subterrâneos e contra os aspectos pantanosos da existência.
Em seguida, um campo nictomórfico e outro catamórfico. Entendo, em minhas palavras, o primeiro como uma estética da escuridão, da caverna, da água e do ponto antes de nascermos. Entendo o segundo como a morte, como o fim de fato, no lugar do "endeusamento" do claustro, da noite e do frio úmido.
Tantas ideias incompletas, tantas coisas incompreensíveis por mim. E tanta coisa útil para a pesquisa!
Se eu entendi 30 porcento das ESTRUTURAS ANTROPOLÓGICAS DO IMAGINÁRIO, de Durand, na época em que li, foi muito. E se, hoje em dia, só me lembro de uns 10 porcento, então... é um prêmio. Mas, ainda assim, todo esse campo é capaz de produzir excelentes imagens-ideias para poemas (aliás, não poemas, apenas poesias), meus velhos poemas não-metrificados, minhas velhas linhas tortas.
Aliás, com efeito, em Neil Gaiman encontrei o Sonhar, o mundo de um ser Eterno, Morpheus. Entretanto, apenas em Durand pude ir além e descobrir - apesar de não entender - que há muita mas muita coisa mesmo por trás de cada história, deuses, espíritos, criaturas mitológicas mais as mais diversas, totens, segredos e mistérios presentes nesse mundo do escritor Neil Gaiman.
É isso... um verdadeiro enlevo. Além de Gilbert Durand, recomendaria Todorov, Cassirer e Bachelard. Em seguida, fazer uma pequena e deliciosa sopa com as tradições cristãs e judaicas da Idade Média para a Antiguidade. Isso para começar a complicar com o folclore russo e o japonês.
Infelizmente, porém, e desconhecendo o regime (do Imaginário) em que vivo, vivo como muitos de nós: num mundo corrido, bagunçado, onde os pensamentos não se reúnem de forma a criar algo. Não sonhamos mais, temos "espasmos"; não escrevemos mais que parágrafos, se queremos escrever; tendemos, nem que um pouco, todos nós, em graus variados, a uma parcela do analfabetismo funcional que é a essência - ainda! - deste país; pois é tudo corrido, tudo rápido, barulhento e bagunçado. Mas não é por isso que, nesse cotidiano infernal, desejaríamos o claustro, a ilha deserta, o silêncio exterior... o que muitos de nós buscamos, neste Brasil, neste Ocidente, nesta terrível humanidade, é justamente o retorno à própria humanidade, à quietude interna, ao sentido não das coisas comuns, mas ao sentido de nossa percepção do correr do mundo, do correr do tempo, da construção de micro-cotidianos. Isso nos livraria bastante da ansiedade, da depressão, dos dissabores, da sensação de que a vida passa, da sensação de que tudo passa, e no final nada conseguimos agarrar. Vivemos como num suspiro e logo morremos... não por falta de religião, de ideologia, de contos, de livros, de ideias dos outros, mas porque não conseguimos ordenar nossa própria consciência.
Talvez tendamos todos a uma solidão no topo de uma colina de sons, de cheiros, de angústias, de projetos inacabados e ritmos interrompidos. Talvez tendamos, como representantes deste século XXI, ao isolamento em relação à multidão de pensamentos que não são nossos, que são do mundo, do mundo todo, sem que nada consigamos organizar e fruir. Comemos mas não saboreamos.
Assinado: João Batista Firmino Júnior.
Estruturas, nexos, um mundo onírico de histórias que são partes de histórias em um imenso e interminável sistema, espraiado por milhares de diferentes folclores.
Quais as pulsões mais básicas por trás de um ídolo lendário? O que atravessa a psicanálise, os contos de todos os povos, o instrumento do rito que, não sendo por si uma história, não deixa de revelar humores, tendências, um rico universo em um ainda mais rico inconsciente coletivo - ou fragmentado, mas com pontos em comum, como parte de uma lógica que espelha, de alguma forma, aquilo que nos torna humanos mais que como integrantes de uma espécie (sim, o humano é uma coisa, o "sapiano", de Homo sapiens, é outra categoria).
Para quem se interessar, recomendo as publicações brasileiras e portuguesas de Gilbert Durand. Para mim, ele serve de porta de entrada para um mundo inexplorado de maravilhas para a pesquisa e para a fruição pessoal.
Imaginem, primeiramente, um mundo "fácil", o nosso. Tão óbvio que nada é óbvio, e nos leva aos sonhos e às lendas. Mas, mesmo os sonhos e as lendas são versões "acabadas", "evoluídas", de uma complexa "sensação", pulsão, tendência lógica geral que leva um aglomerado, uma constelação de imagens-ideias, a um determinado caminho - conforme um anterior esquema de orientação.
Muito complicado, mas encantador. E, no final, muito mais interessante que a mais pura Física Quântica.
Em um dado momento, em Durand, enxergamos um pouco do que ele se refere como um campo esquizomórfico, um campo de luz, de bipedismo, do alto, do além e adiante, do mundo ao ar livre, no topo da montanha e na ponta da espada, acima de quaisquer subterrâneos e contra os aspectos pantanosos da existência.
Em seguida, um campo nictomórfico e outro catamórfico. Entendo, em minhas palavras, o primeiro como uma estética da escuridão, da caverna, da água e do ponto antes de nascermos. Entendo o segundo como a morte, como o fim de fato, no lugar do "endeusamento" do claustro, da noite e do frio úmido.
Tantas ideias incompletas, tantas coisas incompreensíveis por mim. E tanta coisa útil para a pesquisa!
Se eu entendi 30 porcento das ESTRUTURAS ANTROPOLÓGICAS DO IMAGINÁRIO, de Durand, na época em que li, foi muito. E se, hoje em dia, só me lembro de uns 10 porcento, então... é um prêmio. Mas, ainda assim, todo esse campo é capaz de produzir excelentes imagens-ideias para poemas (aliás, não poemas, apenas poesias), meus velhos poemas não-metrificados, minhas velhas linhas tortas.
Aliás, com efeito, em Neil Gaiman encontrei o Sonhar, o mundo de um ser Eterno, Morpheus. Entretanto, apenas em Durand pude ir além e descobrir - apesar de não entender - que há muita mas muita coisa mesmo por trás de cada história, deuses, espíritos, criaturas mitológicas mais as mais diversas, totens, segredos e mistérios presentes nesse mundo do escritor Neil Gaiman.
É isso... um verdadeiro enlevo. Além de Gilbert Durand, recomendaria Todorov, Cassirer e Bachelard. Em seguida, fazer uma pequena e deliciosa sopa com as tradições cristãs e judaicas da Idade Média para a Antiguidade. Isso para começar a complicar com o folclore russo e o japonês.
Infelizmente, porém, e desconhecendo o regime (do Imaginário) em que vivo, vivo como muitos de nós: num mundo corrido, bagunçado, onde os pensamentos não se reúnem de forma a criar algo. Não sonhamos mais, temos "espasmos"; não escrevemos mais que parágrafos, se queremos escrever; tendemos, nem que um pouco, todos nós, em graus variados, a uma parcela do analfabetismo funcional que é a essência - ainda! - deste país; pois é tudo corrido, tudo rápido, barulhento e bagunçado. Mas não é por isso que, nesse cotidiano infernal, desejaríamos o claustro, a ilha deserta, o silêncio exterior... o que muitos de nós buscamos, neste Brasil, neste Ocidente, nesta terrível humanidade, é justamente o retorno à própria humanidade, à quietude interna, ao sentido não das coisas comuns, mas ao sentido de nossa percepção do correr do mundo, do correr do tempo, da construção de micro-cotidianos. Isso nos livraria bastante da ansiedade, da depressão, dos dissabores, da sensação de que a vida passa, da sensação de que tudo passa, e no final nada conseguimos agarrar. Vivemos como num suspiro e logo morremos... não por falta de religião, de ideologia, de contos, de livros, de ideias dos outros, mas porque não conseguimos ordenar nossa própria consciência.
Talvez tendamos todos a uma solidão no topo de uma colina de sons, de cheiros, de angústias, de projetos inacabados e ritmos interrompidos. Talvez tendamos, como representantes deste século XXI, ao isolamento em relação à multidão de pensamentos que não são nossos, que são do mundo, do mundo todo, sem que nada consigamos organizar e fruir. Comemos mas não saboreamos.
Assinado: João Batista Firmino Júnior.
Meu primeiro livro publicado
[Primeiro, aviso que, neste post, falarei apenas de algo relativo à minha vida, mais precisamente à acadêmica. Não se trata de "assuntos diversos". Aviso para quem der uma olhada nisto aqui e não estiver interessado, não perder tempo com uma particularidade de minha vida. Este post só vai interessar mesmo às pessoas do meu círculo do Google+, e às tantas outras de minha realidade.]
Como falei em outra ocasião, neste blog, produzi uma pesquisa de mestrado da área de Comunicação. Com base na dissertação, foi publicado um e-book, com ISBN, que pode interessar a quem pesquisa assuntos correlatos à web-resenhas, webjornalismo cultural e midiatização, tendo eu estudado partes do site Omelete em uma determinada época.
O acesso ao meu e-book, pela editora "Marca de Fantasia", para quem se interessar, ocorre no site "insite", mais precisamente no link abaixo:
http://www.insite.pro.br/elivre/Joaopc.pdf
Não contém vírus nem coisa do tipo; e também não se trata de pirataria nem nada, até porque o material é meu e é de graça. Qualquer dúvida, como disse, basta pesquisar no Google os nomes "insite" e "elivre". Juntos. As duas palavras no mesmo campo do buscador. A partir dele, deverá aparecer em sua tela, logo no início, a entrada para a subseção "elivre" do site "insite", que não deve ser confundido com outros sites de nome "insite", que nada têm a ver comigo.
Sintetizando para quem não é da área de comunicação: foi um trabalho para o Mestrado em Comunicação da UFPB, cuja "invenção" do tema se deu da minha própria cabeça. Não me baseei em nenhuma sugestão, apenas me preocupando em adequar o estudo à área de Comunicação, sem confundir com Ciência da Informação, Usabilidade, Sociologia, Letras, nem nada longe da minha formação na graduação.
Lembro, com algum saudosismo, dos excelentes professores que me guiaram nessa luta, após anos em que passei fora da academia e desatualizado dos assuntos universitários. Não agradeci no corpo da Dissertação, mas agora agradeço aos professores Dra. Olga Tavares (minha orientadora), professor Dr. Marcos Nicolau, professora Dra. Graça Coelho, professor Dr. Thiago Soares, professora Dra. Misaki Tanaka e professor Dr. Ed Porto. Também agradeço ao meu grupo de pesquisa identificável pela sigla GMID, coordenada pelo professor Marcos.
O trabalho é intitulado MIDIATIZAÇÃO DA RESENHA CINEMATOGRÁFICA NO SITE OMELETE: HIPERMÍDIA E PARTICIPAÇÃO DO PÚBLICO.
Assinado: João Batista Firmino Júnior.
Como falei em outra ocasião, neste blog, produzi uma pesquisa de mestrado da área de Comunicação. Com base na dissertação, foi publicado um e-book, com ISBN, que pode interessar a quem pesquisa assuntos correlatos à web-resenhas, webjornalismo cultural e midiatização, tendo eu estudado partes do site Omelete em uma determinada época.
O acesso ao meu e-book, pela editora "Marca de Fantasia", para quem se interessar, ocorre no site "insite", mais precisamente no link abaixo:
http://www.insite.pro.br/elivre/Joaopc.pdf
Não contém vírus nem coisa do tipo; e também não se trata de pirataria nem nada, até porque o material é meu e é de graça. Qualquer dúvida, como disse, basta pesquisar no Google os nomes "insite" e "elivre". Juntos. As duas palavras no mesmo campo do buscador. A partir dele, deverá aparecer em sua tela, logo no início, a entrada para a subseção "elivre" do site "insite", que não deve ser confundido com outros sites de nome "insite", que nada têm a ver comigo.
Sintetizando para quem não é da área de comunicação: foi um trabalho para o Mestrado em Comunicação da UFPB, cuja "invenção" do tema se deu da minha própria cabeça. Não me baseei em nenhuma sugestão, apenas me preocupando em adequar o estudo à área de Comunicação, sem confundir com Ciência da Informação, Usabilidade, Sociologia, Letras, nem nada longe da minha formação na graduação.
Lembro, com algum saudosismo, dos excelentes professores que me guiaram nessa luta, após anos em que passei fora da academia e desatualizado dos assuntos universitários. Não agradeci no corpo da Dissertação, mas agora agradeço aos professores Dra. Olga Tavares (minha orientadora), professor Dr. Marcos Nicolau, professora Dra. Graça Coelho, professor Dr. Thiago Soares, professora Dra. Misaki Tanaka e professor Dr. Ed Porto. Também agradeço ao meu grupo de pesquisa identificável pela sigla GMID, coordenada pelo professor Marcos.
O trabalho é intitulado MIDIATIZAÇÃO DA RESENHA CINEMATOGRÁFICA NO SITE OMELETE: HIPERMÍDIA E PARTICIPAÇÃO DO PÚBLICO.
Assinado: João Batista Firmino Júnior.
sexta-feira, 23 de maio de 2014
Bons Livros
A escolha é variada.
Não estou em condições agora de escrever resenhas. É preciso paciência e meticulosidade. Mas, posso resumir mais ou menos sobre uma pequena parte do que já andei lendo.
Também não vou dispor dados exatos de livros, apenas aproximações.
Falando de obras de poetas brasileiros, recomendo qualquer coletânea de Mário Quintana. Reconheço que o poeta do livro "EU" é aquele que representa bem a Paraíba, meu estado, mas o que interessa é gosto pessoal e não "estadualismo", "nacionalismo" ou "bairrismo". Ainda farei uma coleção de todos os poemas originais desse escritor, para minha diminuta biblioteca.
Da ficção-científica, a variedade é maior. Creio que a obra que mais aproveitei foi O FIM DA ETERNIDADE, de Asimov. Outra interessante, mas de leitura um pouco mais complicada, é a ALÉM DO HUMANO, de Sturgeon.
"O fim da eternidade" é basicamente sobre viagens no Tempo, ciclos intermináveis e sua quebra, ao redor do sonho humano de sair da Terra e dominar todo o cosmos, que, quando limitado, causa inúmeros problemas em todas as épocas.
"Além do humano", admito, é uma obra que não li de frente para trás, linearmente. Já na década de 1950, na época do lançamento original do livro, havia o conceito de grupo de mutantes com determinadas habilidades cujo enfoque estava menos em uma eventual paranormalidade e mais na estranheza em si desses personagens em relação ao mundo e seu rico universo psicológico.
Quanto ao gênero Terror, flertando com a ficção-científica, está A CASA NEGRA, de Stephen King e Peter Straub. Muito bom o livro. Todo o ápice naquela casa mal-assombrada em meio a uma floresta, distante de tudo e de todos, com exceção dos estranhos seres que lá habitam, incluindo, entre eles, um serial killer. Só achei fantasioso o final.
Em termos de "novelões", apreciei bastante o BAÍA DE CHEASEPEAKE, cujo nome do autor não me recordo agora, contando o desenrolar de séculos na vida de três famílias americanas na fictícia Ilha de Devon. São os Turloks, os Paxmore e os Steed.
Em termos épicos, aprecio o que estou lendo hoje, a coletânea arthuriana (ou morganiana) de Marion Zimmer Bradley. Achei o início lento, mas as coisas foram avançando já no primeiro dos quatro livros.
Por fim, em termos de séries literárias mais extensas, só conheço uma ainda em vigor desde o início da década de 1960, a série PERRY RHODAN. O conjunto da obra é excelente, com variações, mas, como disse, uma boa média.
Há outros, tantos outros. Mas, não vou lembrar de tudo agora, muito menos dos detalhes. O que falta, no meu caso, é conseguir escrever.
Assinado: João Batista Firmino Júnior.
Não estou em condições agora de escrever resenhas. É preciso paciência e meticulosidade. Mas, posso resumir mais ou menos sobre uma pequena parte do que já andei lendo.
Também não vou dispor dados exatos de livros, apenas aproximações.
Falando de obras de poetas brasileiros, recomendo qualquer coletânea de Mário Quintana. Reconheço que o poeta do livro "EU" é aquele que representa bem a Paraíba, meu estado, mas o que interessa é gosto pessoal e não "estadualismo", "nacionalismo" ou "bairrismo". Ainda farei uma coleção de todos os poemas originais desse escritor, para minha diminuta biblioteca.
Da ficção-científica, a variedade é maior. Creio que a obra que mais aproveitei foi O FIM DA ETERNIDADE, de Asimov. Outra interessante, mas de leitura um pouco mais complicada, é a ALÉM DO HUMANO, de Sturgeon.
"O fim da eternidade" é basicamente sobre viagens no Tempo, ciclos intermináveis e sua quebra, ao redor do sonho humano de sair da Terra e dominar todo o cosmos, que, quando limitado, causa inúmeros problemas em todas as épocas.
"Além do humano", admito, é uma obra que não li de frente para trás, linearmente. Já na década de 1950, na época do lançamento original do livro, havia o conceito de grupo de mutantes com determinadas habilidades cujo enfoque estava menos em uma eventual paranormalidade e mais na estranheza em si desses personagens em relação ao mundo e seu rico universo psicológico.
Quanto ao gênero Terror, flertando com a ficção-científica, está A CASA NEGRA, de Stephen King e Peter Straub. Muito bom o livro. Todo o ápice naquela casa mal-assombrada em meio a uma floresta, distante de tudo e de todos, com exceção dos estranhos seres que lá habitam, incluindo, entre eles, um serial killer. Só achei fantasioso o final.
Em termos de "novelões", apreciei bastante o BAÍA DE CHEASEPEAKE, cujo nome do autor não me recordo agora, contando o desenrolar de séculos na vida de três famílias americanas na fictícia Ilha de Devon. São os Turloks, os Paxmore e os Steed.
Em termos épicos, aprecio o que estou lendo hoje, a coletânea arthuriana (ou morganiana) de Marion Zimmer Bradley. Achei o início lento, mas as coisas foram avançando já no primeiro dos quatro livros.
Por fim, em termos de séries literárias mais extensas, só conheço uma ainda em vigor desde o início da década de 1960, a série PERRY RHODAN. O conjunto da obra é excelente, com variações, mas, como disse, uma boa média.
Há outros, tantos outros. Mas, não vou lembrar de tudo agora, muito menos dos detalhes. O que falta, no meu caso, é conseguir escrever.
Assinado: João Batista Firmino Júnior.
quarta-feira, 21 de maio de 2014
Opiniões de nenhum vintém
Poderia dividir a atual postagem em trechos pequenos, expondo alguma vaga opinião pessoal sobre alguns assuntos. É, farei isso, logo abaixo.
1) Brasil: já dispus neste blog.
2) Religião: basta seguir a Constituição. Sobre a religiosidade em si, ela é valiosa para quem sabe dar valor a ela.
3) Política: não é só a política partidária. Quanto a alguma ideologia, talvez o Brasil precise particularizar melhor para sua própria terra e tempo alguma que valha ao invés de meramente aplicar realidades que não são nossas por inteiro.
4) Partido dos Trabalhadores: assunto de muitas paixões para diversas pessoas que, normalmente, após uma discussão, esquecem do assunto. Para mim, é como qualquer partido deste país.
5) PSDB: como qualquer partido deste país.
6) Brasília: uma distante terra de fantasias, muito mais fantasiosa que o Rio de Janeiro.
7) Racismo: o pior tipo é aquele internalizado pelas pessoas de "boa intenção". Pois, ao menos, às de má se expressam de tal forma que são facilmente detectadas e delimitáveis, sem ambiguidades desagradáveis.
8) Questão homossexual: fica para o Estado e parte da sociedade resolver, se quiser resolver o que quer que seja. A democracia é o que proporciona o padrão final de um longo e tenso embate de forças, e não meramente o que sai de uma liderança X ou Y, seja ela pró, contra ou o que for.
9) Questão de gênero (masculino e feminino): ao menos para a adoção ou criação comum de filhos, as mulheres e os casais são preferíveis, na minha humilde opinião. Nós, homens, somos menos preferíveis para isso, ainda que haja honrosas exceções e que devem ser respeitadas (até porque um pai solteiro pode estar lendo isto aqui, e o sujeito ser mesmo um excelente pai). Sobre os gêneros em geral, sem divagar demais, o pior machismo é como o pior racismo: é aquele que parte dos supostamente bem intencionados. Nada deveria ser instrumentalizado, nem mesmo a título de "discriminação positiva".
10) Romance: superior à cópula e inferior ao amor.
11) Questão manicomial: desde que os pacientes não sejam abandonados, largados e mal-tratados, se necessário deve haver muitos leitos sobrando e constante fiscalização do Estado e da sociedade civil.
12) Celebridades: dividem-se em políticos (parte deles), artistas, alguns empresários, ex-artistas, ex-políticos, ex-artistas e atuais políticos, políticos-artistas, artistas que fazem política etc. Salvo as boas exceções, quando militam sobre algo ou acham que militam, quando tentam representar "a voz da razão", parecem apenas com aqueles adolescentes com "opiniões fixas" sobre algum assunto, elevando a voz e fazendo-se de importante, muito mais por uma questão de auto-estima. Representam vagos aspectos da população, mas não representam verdadeiramente o que eu chamo de "povo anônimo". Falam para os seus próprios ouvintes e para eles mesmos. Seu valor é superestimado, salvo naquilo que sabem fazer bem (e mesmo assim, no caso dos artistas, quando são muito bons em suas artes).
13) Rede Globo: depois de uma fase de unanimidade (ou de aparente unanimidade), entrou no cenário do mundo real e competitivo. É mais uma TV aberta. Não existem "monstros sagrados".
14) Guerras mundiais: é uma temática difícil e valorosa. Mas, não sou ligado ou descendente de nenhuma das partes envolvidas na Primeira nem na Segunda Guerra. As guerras que mais destroem ainda são aquelas silenciosas, que recebem pouca ou nenhuma atenção (geralmente nem são guerras, mas apenas massacres com o nome "eufemizado" de guerras).
15) Amor: não é sexual nem romântico. É familiar, religioso e/ou, simplesmente, lúcido e racional com um toque de paixão (que nem é sexual nem romântica).
16) Sobrenatural: o que há se trata, apenas, do "natural" não descoberto ou não entendido, ou cujo entendimento não se tornou ainda popular e relativizado.
17) Teísmo e Ateísmo: sou teísta (por favor, sem o "a" antes). Como muitos (sim, há muitos assim), espero ainda me tornar verdadeiramente católico. Não seria honesto, hoje, me considerar verdadeiramente como tal. Mas, isso não interessa dispor aqui. O que interessa é que, seja o sujeito ateu ou teísta, que tenha sempre uma dose saudável de ceticismo sobre suas crenças e descrenças.
18) O Mal: o verdadeiro mal é uma forma de loucura (ainda que não seja doença mental propriamente). Parte de um largo momento, ou de toda uma vida, sem que o indivíduo seja cético quanto a tudo aquilo que considera "óbvio e instrumentalizável". Também é confundido com acidentes da natureza, etc.
19) Reencarnação: não acredito.
20) Vida após a morte: acredito, mas sem a mente ou a identidade que possuo ou que qualquer um possua no decorrer de sua vida adulta. De uma certa forma, a morte do "eu atual" sempre ocorrerá, em prol de um eu mais verdadeiro.
21) Melhor livro que li: diversos.
22) Autores preferidos: alguns.
23) Heróis: nenhum.
24) Computador: MSX.
25) Cultura admirável: o aspecto do esforço por si próprio existente na cultura japonesa.
Assinado: João Batista Firmino Júnior.
1) Brasil: já dispus neste blog.
2) Religião: basta seguir a Constituição. Sobre a religiosidade em si, ela é valiosa para quem sabe dar valor a ela.
3) Política: não é só a política partidária. Quanto a alguma ideologia, talvez o Brasil precise particularizar melhor para sua própria terra e tempo alguma que valha ao invés de meramente aplicar realidades que não são nossas por inteiro.
4) Partido dos Trabalhadores: assunto de muitas paixões para diversas pessoas que, normalmente, após uma discussão, esquecem do assunto. Para mim, é como qualquer partido deste país.
5) PSDB: como qualquer partido deste país.
6) Brasília: uma distante terra de fantasias, muito mais fantasiosa que o Rio de Janeiro.
7) Racismo: o pior tipo é aquele internalizado pelas pessoas de "boa intenção". Pois, ao menos, às de má se expressam de tal forma que são facilmente detectadas e delimitáveis, sem ambiguidades desagradáveis.
8) Questão homossexual: fica para o Estado e parte da sociedade resolver, se quiser resolver o que quer que seja. A democracia é o que proporciona o padrão final de um longo e tenso embate de forças, e não meramente o que sai de uma liderança X ou Y, seja ela pró, contra ou o que for.
9) Questão de gênero (masculino e feminino): ao menos para a adoção ou criação comum de filhos, as mulheres e os casais são preferíveis, na minha humilde opinião. Nós, homens, somos menos preferíveis para isso, ainda que haja honrosas exceções e que devem ser respeitadas (até porque um pai solteiro pode estar lendo isto aqui, e o sujeito ser mesmo um excelente pai). Sobre os gêneros em geral, sem divagar demais, o pior machismo é como o pior racismo: é aquele que parte dos supostamente bem intencionados. Nada deveria ser instrumentalizado, nem mesmo a título de "discriminação positiva".
10) Romance: superior à cópula e inferior ao amor.
11) Questão manicomial: desde que os pacientes não sejam abandonados, largados e mal-tratados, se necessário deve haver muitos leitos sobrando e constante fiscalização do Estado e da sociedade civil.
12) Celebridades: dividem-se em políticos (parte deles), artistas, alguns empresários, ex-artistas, ex-políticos, ex-artistas e atuais políticos, políticos-artistas, artistas que fazem política etc. Salvo as boas exceções, quando militam sobre algo ou acham que militam, quando tentam representar "a voz da razão", parecem apenas com aqueles adolescentes com "opiniões fixas" sobre algum assunto, elevando a voz e fazendo-se de importante, muito mais por uma questão de auto-estima. Representam vagos aspectos da população, mas não representam verdadeiramente o que eu chamo de "povo anônimo". Falam para os seus próprios ouvintes e para eles mesmos. Seu valor é superestimado, salvo naquilo que sabem fazer bem (e mesmo assim, no caso dos artistas, quando são muito bons em suas artes).
13) Rede Globo: depois de uma fase de unanimidade (ou de aparente unanimidade), entrou no cenário do mundo real e competitivo. É mais uma TV aberta. Não existem "monstros sagrados".
14) Guerras mundiais: é uma temática difícil e valorosa. Mas, não sou ligado ou descendente de nenhuma das partes envolvidas na Primeira nem na Segunda Guerra. As guerras que mais destroem ainda são aquelas silenciosas, que recebem pouca ou nenhuma atenção (geralmente nem são guerras, mas apenas massacres com o nome "eufemizado" de guerras).
15) Amor: não é sexual nem romântico. É familiar, religioso e/ou, simplesmente, lúcido e racional com um toque de paixão (que nem é sexual nem romântica).
16) Sobrenatural: o que há se trata, apenas, do "natural" não descoberto ou não entendido, ou cujo entendimento não se tornou ainda popular e relativizado.
17) Teísmo e Ateísmo: sou teísta (por favor, sem o "a" antes). Como muitos (sim, há muitos assim), espero ainda me tornar verdadeiramente católico. Não seria honesto, hoje, me considerar verdadeiramente como tal. Mas, isso não interessa dispor aqui. O que interessa é que, seja o sujeito ateu ou teísta, que tenha sempre uma dose saudável de ceticismo sobre suas crenças e descrenças.
18) O Mal: o verdadeiro mal é uma forma de loucura (ainda que não seja doença mental propriamente). Parte de um largo momento, ou de toda uma vida, sem que o indivíduo seja cético quanto a tudo aquilo que considera "óbvio e instrumentalizável". Também é confundido com acidentes da natureza, etc.
19) Reencarnação: não acredito.
20) Vida após a morte: acredito, mas sem a mente ou a identidade que possuo ou que qualquer um possua no decorrer de sua vida adulta. De uma certa forma, a morte do "eu atual" sempre ocorrerá, em prol de um eu mais verdadeiro.
21) Melhor livro que li: diversos.
22) Autores preferidos: alguns.
23) Heróis: nenhum.
24) Computador: MSX.
25) Cultura admirável: o aspecto do esforço por si próprio existente na cultura japonesa.
Assinado: João Batista Firmino Júnior.
terça-feira, 20 de maio de 2014
Qual a origem do brasileiro?
A característica fundamental de uma nação como a brasileira está numa origem centrada no presente e no passado não tão remoto.
O território geral, de fala lusa, certamente inicia no século XVI. Quanto ao Brasil formal, no início do século XIX, ainda que permanecendo um governo de origem portuguesa por muitas décadas.
O Brasil "de fato", em sua brasilidade, começa mais ou menos quando eu posso principiar uma identidade também regional, no que diz respeito ao Nordeste - ou seja, entre de cento e poucos anos para cá.
Ok. Surge o Brasil tal qual genericamente o conhecemos. A partir daí, os regionalismos ou estadualismos. No caso do Nordeste, o que eu chamo de "Nordeste interno" começou mesmo a ter a semelhança a que atribuo hoje a partir da década de 1890 - a meu particular ver. Isso não tem confirmação científica. É apenas uma opinião minha, calcada no evento histórico denominado "Guerra de Canudos". Trata-se do período de tempo inicial que consigo situar o que seria um "Nordeste" cultural.
Bem, saiamos dos regionalismos e voltemos ao Brasil. Há vários "países" aqui dentro, naturalmente. O elo se dá pelo idioma, pela televisão e por elementos menores porém consistentes.
O que quero dizer com essas informações e opiniões? Desejo frisar o que dispus no primeiro parágrafo, mas detalhando. Somos algo cuja constituição é de séculos e cuja "origem", em verdade, é o agora.
Como é nascer a partir do agora? Como é ter por antepassados a nós mesmos, em contínua presentificação até o limite que podemos conceber do tempo?
Naturalmente, se o tempo que nos constitui não pode ser linear, ao menos consideremos fragmentos que formam mosaicos regionais, com diferentes cotidianos atrelados a alguns elos fundamentais - como os já citados a nos formarem como "Brasil", além de tantos outros elos.
Há, como disse, "países" dentro do Brasil, mas não com o mesmo peso de uma Rússia, com o mesmo peso de uma abrupta separação entre nacionalidade e povo, como duas coisas radicalmente separadas e só mantidas por documentos e idiomas burocráticos (a exceção de determinados povos indígenas).
Etnicamente mesmo, não dá para considerar o brasileiro como algo original, no sentido tradicional do mesmo. Ou original apenas por sua constante reinvenção através das gerações. Tudo é mais flexível, porque ainda é jovem. E, por ser tão flexível, flerta um pouco com certa, digamos, bagunça. Há sempre prós e contras que se misturam tal qual os detalhes estéticos de uma cadeia de DNA.
Aliás, etnicamente, somos algo diferente a cada geração. Não todos nós, mas uma grande parte segue esse caminho. E quanto a Portugal?
O Brasil é formado "originalmente", se falarmos em uma origem forçosamente no passado (desde um passado mais antigo até um mais recente), por portugueses, dentre outros povos. Mas, são diferentes gerações ou "eras" de portugueses, ou diferentes "Portugais". Não se pode considerar que um lugar seja o mesmo ao longo de cinco séculos.
Essa origem há muito está apartada da condição atual do Brasil e de suas regiões, por exemplo, em relação às variedades do idioma.
E é disso tudo que nasce o momento exato para, por falta de um passado consistente, fincar raízes agora nesta terra, em busca de, a partir delas, projetar e implantar o futuro. Se esse futuro será um interminável fracasso ou um finito sucesso... creio que será um pouco dos dois. Mas, ao menos, que sejamos mais "uma coisa só", que nossos elos se fortaleçam independente do conceito de Estado-nação. E que sejamos mais cuidadosos com nós mesmos e nossa relação com cotidiano, política, família e tantos outros assuntos.
Um dia seremos menos "bagunçados", provavelmente. Porém, também acredito que nos tornaremos melhores que simplesmente "organizados".
Assinado: João Batista Firmino Júnior.
O território geral, de fala lusa, certamente inicia no século XVI. Quanto ao Brasil formal, no início do século XIX, ainda que permanecendo um governo de origem portuguesa por muitas décadas.
O Brasil "de fato", em sua brasilidade, começa mais ou menos quando eu posso principiar uma identidade também regional, no que diz respeito ao Nordeste - ou seja, entre de cento e poucos anos para cá.
Ok. Surge o Brasil tal qual genericamente o conhecemos. A partir daí, os regionalismos ou estadualismos. No caso do Nordeste, o que eu chamo de "Nordeste interno" começou mesmo a ter a semelhança a que atribuo hoje a partir da década de 1890 - a meu particular ver. Isso não tem confirmação científica. É apenas uma opinião minha, calcada no evento histórico denominado "Guerra de Canudos". Trata-se do período de tempo inicial que consigo situar o que seria um "Nordeste" cultural.
Bem, saiamos dos regionalismos e voltemos ao Brasil. Há vários "países" aqui dentro, naturalmente. O elo se dá pelo idioma, pela televisão e por elementos menores porém consistentes.
O que quero dizer com essas informações e opiniões? Desejo frisar o que dispus no primeiro parágrafo, mas detalhando. Somos algo cuja constituição é de séculos e cuja "origem", em verdade, é o agora.
Como é nascer a partir do agora? Como é ter por antepassados a nós mesmos, em contínua presentificação até o limite que podemos conceber do tempo?
Naturalmente, se o tempo que nos constitui não pode ser linear, ao menos consideremos fragmentos que formam mosaicos regionais, com diferentes cotidianos atrelados a alguns elos fundamentais - como os já citados a nos formarem como "Brasil", além de tantos outros elos.
Há, como disse, "países" dentro do Brasil, mas não com o mesmo peso de uma Rússia, com o mesmo peso de uma abrupta separação entre nacionalidade e povo, como duas coisas radicalmente separadas e só mantidas por documentos e idiomas burocráticos (a exceção de determinados povos indígenas).
Etnicamente mesmo, não dá para considerar o brasileiro como algo original, no sentido tradicional do mesmo. Ou original apenas por sua constante reinvenção através das gerações. Tudo é mais flexível, porque ainda é jovem. E, por ser tão flexível, flerta um pouco com certa, digamos, bagunça. Há sempre prós e contras que se misturam tal qual os detalhes estéticos de uma cadeia de DNA.
Aliás, etnicamente, somos algo diferente a cada geração. Não todos nós, mas uma grande parte segue esse caminho. E quanto a Portugal?
O Brasil é formado "originalmente", se falarmos em uma origem forçosamente no passado (desde um passado mais antigo até um mais recente), por portugueses, dentre outros povos. Mas, são diferentes gerações ou "eras" de portugueses, ou diferentes "Portugais". Não se pode considerar que um lugar seja o mesmo ao longo de cinco séculos.
Essa origem há muito está apartada da condição atual do Brasil e de suas regiões, por exemplo, em relação às variedades do idioma.
E é disso tudo que nasce o momento exato para, por falta de um passado consistente, fincar raízes agora nesta terra, em busca de, a partir delas, projetar e implantar o futuro. Se esse futuro será um interminável fracasso ou um finito sucesso... creio que será um pouco dos dois. Mas, ao menos, que sejamos mais "uma coisa só", que nossos elos se fortaleçam independente do conceito de Estado-nação. E que sejamos mais cuidadosos com nós mesmos e nossa relação com cotidiano, política, família e tantos outros assuntos.
Um dia seremos menos "bagunçados", provavelmente. Porém, também acredito que nos tornaremos melhores que simplesmente "organizados".
Assinado: João Batista Firmino Júnior.
segunda-feira, 19 de maio de 2014
Redes sociais e criação
Antes de começar, explico que passei 2 anos em um mestrado na área de Comunicação. Foi uma experiência relevante.
Mesmo assim, ponho-me há quase 1 ano meio à deriva em relação aos sites de redes sociais. Para estudar algo do meio, ótimo. E só. Não há tanto o que usar se você deseja criar algo mais.
O ambiente é vasto. Há os sites de redes sociais mais conhecidos e os menos. Os mais genéricos e os mais especializados. Vejo muitos estudos sobre um conceito que me parece envolver apenas a ideia geral de redes sociais na Web e a utilização, nesses estudos que eu consultei (não em todos que existem), muito mais daqueles sites famosos, que muitos conhecem.
Seria preciso um enfoque muito mais naquilo que pode ser feito que nos sites em si. Por exemplo: buscar algo que promova a construção de diferentes sites (não de redes sociais), num mesmo ambiente coletivo de criação e fóruns para discutir a criação desses sites (que não seriam meros blogues).
Haveria sites criados por pessoas e grupos pequenos, voltados a assuntos como Cinema, Quadrinhos, Seriados, Livros e Animações. Seria possível ficar só nesses assuntos. A partir deles, os mantenedores e os criadores trocariam ideias e arquivos em um fórum correlato ao espaço geral.
Além disso, haveria o que eu chamo de "trocas de segundo grau", nesse contexto. Ou seja, os comentários ao que fosse noticiado, ao que fosse publicado no interior desses sites, por parte do público... o que não é novidade, claro.
Discussões de primeiro grau, entre os donos dos sites; e discussões de segundo grau, entre os espectadores e leitores desses sites, no interior deles.
Teríamos como que um "porta-aviões" da Web. A estrutura maior, um super-site, e cada um dos "aviões". Aliás, um "portal comunitário", opinativo, interpretativo, interativo e informativo sobre culturas específicas reunidas num grande e amplo ambiente de ambientes.
Proponho algo assim, porque é melhor que apenas trocar amenidades, no meu caso específico, neste grande meio que é o blogue, redes sociais correlatas e ambiente-web. No geral, um site de rede social é apenas um relaxante. Não é nada mais, não tendo em si a prática de um status de verdadeira e massiva criação, ainda que isso possa ser possível. Uma minoria cria. E essa mesma minoria poderia criar algo assim - caso não já exista. Quem sabe fazer mais que passar um tempo entre uma hora e outra e produzir?
Assinado: João Batista Firmino Júnior.
Mesmo assim, ponho-me há quase 1 ano meio à deriva em relação aos sites de redes sociais. Para estudar algo do meio, ótimo. E só. Não há tanto o que usar se você deseja criar algo mais.
O ambiente é vasto. Há os sites de redes sociais mais conhecidos e os menos. Os mais genéricos e os mais especializados. Vejo muitos estudos sobre um conceito que me parece envolver apenas a ideia geral de redes sociais na Web e a utilização, nesses estudos que eu consultei (não em todos que existem), muito mais daqueles sites famosos, que muitos conhecem.
Seria preciso um enfoque muito mais naquilo que pode ser feito que nos sites em si. Por exemplo: buscar algo que promova a construção de diferentes sites (não de redes sociais), num mesmo ambiente coletivo de criação e fóruns para discutir a criação desses sites (que não seriam meros blogues).
Haveria sites criados por pessoas e grupos pequenos, voltados a assuntos como Cinema, Quadrinhos, Seriados, Livros e Animações. Seria possível ficar só nesses assuntos. A partir deles, os mantenedores e os criadores trocariam ideias e arquivos em um fórum correlato ao espaço geral.
Além disso, haveria o que eu chamo de "trocas de segundo grau", nesse contexto. Ou seja, os comentários ao que fosse noticiado, ao que fosse publicado no interior desses sites, por parte do público... o que não é novidade, claro.
Discussões de primeiro grau, entre os donos dos sites; e discussões de segundo grau, entre os espectadores e leitores desses sites, no interior deles.
Teríamos como que um "porta-aviões" da Web. A estrutura maior, um super-site, e cada um dos "aviões". Aliás, um "portal comunitário", opinativo, interpretativo, interativo e informativo sobre culturas específicas reunidas num grande e amplo ambiente de ambientes.
Proponho algo assim, porque é melhor que apenas trocar amenidades, no meu caso específico, neste grande meio que é o blogue, redes sociais correlatas e ambiente-web. No geral, um site de rede social é apenas um relaxante. Não é nada mais, não tendo em si a prática de um status de verdadeira e massiva criação, ainda que isso possa ser possível. Uma minoria cria. E essa mesma minoria poderia criar algo assim - caso não já exista. Quem sabe fazer mais que passar um tempo entre uma hora e outra e produzir?
Assinado: João Batista Firmino Júnior.
domingo, 18 de maio de 2014
Instinto, saber e bobagens
Eu fico vendo, continuamente, sobretudo lendo, as incríveis proezas de como alguns brasileiros entendem o que é Democracia.
Há polêmicas de toda sorte, tal qual os diversos sabores de doces em um pacote. Um dos casos ilustrativos foi o barulho formado entre nossos portentosos formadores de opinião. O caso da jornalista Rachel Sheherazade.
Não me informei sobre o que realmente aconteceu. O que me interessa ver aqui são as "sobras" de uma polêmica. A atitude de anônimos e de pouco conhecidos. Contra, a favor, sabendo exatamente do que falam ou apenas pensando saber exatamente do que falam.
Por não possuir tamanha erudição e conhecimento dos fatos (mas sabendo, minimamente, separar fatos de outras coisas), por instinto chego a conhecer algo do comportamento humano.
Uma das coisas mais irônicas é que muitos se opunham, por exemplo, a algo, cometendo a mesma coisa que diziam combater. Isso acontece frequentemente, sobre diversas coisas. E, infelizmente, muitos de nós corremos esse risco, seja na condição de algoz ou de vítima.
Indo um pouco mais adiante sobre a temática do "linchamento", fui percebendo que certas posições públicas eram tomadas muito mais no sentido de fazer uma "tomada de território" ideológica, indo além da condição humana.
Há sempre uma estrutura por trás de quaisquer ações, mas o que interessa nesses assuntos entre Direita e Esquerda na discussão do que se deve opinar e do como se deve agir, está em outro tipo de combate, que dá nome aos bois muito mais enfaticamente, que é mais preciso: uma oposição entre uma forma de ver o mundo centrada na dúvida/descoberta e no indivíduo em detrimento de uma forma de ver o mundo como "ilustração" ao invés de argumentação, "massa" ao invés de indivíduo; grito ao invés de fala. Isso pelos extremos, claro. (Mais adiante, serei mais claro)
Você pode, por um lado, enxergar o próximo, e permitir que este cresça e se desvencilhe de princípios e instituições totalizantes, salvo se desejar, por livre e espontânea vontade, buscar, através desses princípios e instituições, algo de muito mais individual e além da vida comum; ou pode, ao contrário, imaturamente, desejar forçar (eis o problema, a imposição) o seu padrão - ou que quaisquer padrões sejam impostos por um Estado, por uma Tendência, por algo que sirva a um "senso de dever" voltado a conceitos abstratos que, no final, só vão servir para ocupar a mente eternamente egoísta, descrente da condição humana livre (que é diferente de "abandonada"), ressentida (ao buscar a vingança ao invés da justiça), narcisística e generalizadora ou simplificadora.
Onde são encontradas essas características desagradáveis ao que é verdadeiramente a Democracia (centrada na tolerância, bem como na mínima harmonia ou igualdade-base para a meritocracia)? Em extremos ideológicos. Por isso há a confusão, por parte de alguns, entre os espectros político-ideológicos da Alemanha e Itália da década de 30 e a URSS. O que interessa é a prática. Por que, no final, as coisas se assemelhavam tanto (ao menos no tocante a desacreditar a Democracia), mesmo um sendo formalmente de Direita e outro sendo formalmente de Esquerda?
Para as populações que entusiasticamente apoiavam seus respectivos regimes, creio que o que interessava era uma mistura de comodidade com nacionalismo. Se esse nacionalismo viria com uma ideologia de extrema-esquerda ou de extrema-direita, tanto fazia. No final, a verdadeira luta é entre um pensamento que começa provavelmente na democracia grega, que rege parcialmente o Ocidente "típico"; e aqueles sinais dos antigos Impérios da Antiguidade remota, que tanto fascinam. Por trás de tudo isso, indo além, há regimes do imaginário que os entendidos devem saber apontar melhor do que eu...
Em suma, pessoas que se posicionavam contra ou a favor de Rachel Sheherazade, a partir da descaracterização que faço das esquerdas e direitas formais, indiretamente, indo além do que aconteceu realmente, demonstravam tendências que iam de um a outro "universo".
Vejam que saio aqui do que realmente aconteceu sobre a jornalista. Isso não me interessa em nada, tanto que nem tenho posição sobre o que ocorreu. Não me importa. O que me importa é como as pessoas, anônimas ou "famosas", agiram em público para defender o que pensavam. Também não pretendo fazer julgamentos de natureza individual, mas apenas, instintivamente, digo que já pude perceber que a maioria do que li de comentários e de notícias sobre opiniões de outros jornalistas e políticos, revela os dizeres:
1) Uma polêmica surge como ferramenta para suscitar uma agenda própria, pouco interessando as coisas que aconteceram realmente. Melhor ainda se um indivíduo coloca determinada carreira política ou de outra natureza "acima de tudo";
2) Uma polêmica prossegue, em vários casos, como uma "novela da vida real", em que as pessoas agem como num programa de formato "Big Brother";
3) Em meio a tudo isso, tem-se uma visão imatura do que vem a ser Discussão ou Democracia. Algumas pessoas desejam "forçar" uma concordância com elas mesmas, indo além das ferramentas que qualquer cidadão possui, como uma interminável birra que nada acrescenta;
4) Uma parcela importante dessa visão ou imatura ou que nem leva em consideração o jogo limpo, diz respeito ao combate não do aspecto ditatorial das coisas, mas do conteúdo ideológico desse aspecto.
Em suma, baseado no ponto 4, a questão que abordo não é Direita e Esquerda. A realidade se mistura entre os dois, com exceção das extremas esquerda e direita e os moderados. Mas a oposição entre uma postura democrática ou ditatorial, sem que um ou outro sejam necessariamente o cerne da Direita ou da Esquerda - salvo, como já disse, de seus aspectos "extremos", se formos pelas designações formais.
O Brasil possui pessoas capazes de grandes ações (grandes, e não "melhores"). Mas, ao final do dia, tudo volta a ser o de sempre. Elas certamente poderão se gabar de terem feito muitas coisas, e concordo com ao menos uma única coisa válida: a luta em si (desde que para valores democráticos, numa realidade que ainda não chegou a se encontrar nesses valores). Todavia, esse "fazer" não é efetivo. De uma forma ou de outra, ainda que o caminhar dignifique a vida, nosso país só terá forma de gente grande, se der tudo certo, após muitas gerações. Isso vai além de lutas individuais, seja na Política ou em ONGs, ou na vida familiar, no cotidiano.
Por outro lado, como a "luta" ainda interessa, tendo valor em si, ao menos as pessoas de bem devem lutar contra a tendência de qualquer tipo de "pensamento único", que tenta reduzir a nossa condição de pessoas à condição de "categorias abstratas".
A verdadeira luta não é meramente a luta ideológica, mas a luta entre pessoas mais ou menos equilibradas e os mal-intencionados (os corruptos morais, cognitivos, ideológicos e legais).
E a Democracia? Ainda não a atingimos. Afinal, ela é um fluxo, em constante adequação a quadros específicos do cotidiano.
Assinado: João Batista Firmino Júnior.
P.S.: Para quem interessar, trato de assuntos parecidos em outros pontos deste blog.
Há polêmicas de toda sorte, tal qual os diversos sabores de doces em um pacote. Um dos casos ilustrativos foi o barulho formado entre nossos portentosos formadores de opinião. O caso da jornalista Rachel Sheherazade.
Não me informei sobre o que realmente aconteceu. O que me interessa ver aqui são as "sobras" de uma polêmica. A atitude de anônimos e de pouco conhecidos. Contra, a favor, sabendo exatamente do que falam ou apenas pensando saber exatamente do que falam.
Por não possuir tamanha erudição e conhecimento dos fatos (mas sabendo, minimamente, separar fatos de outras coisas), por instinto chego a conhecer algo do comportamento humano.
Uma das coisas mais irônicas é que muitos se opunham, por exemplo, a algo, cometendo a mesma coisa que diziam combater. Isso acontece frequentemente, sobre diversas coisas. E, infelizmente, muitos de nós corremos esse risco, seja na condição de algoz ou de vítima.
Indo um pouco mais adiante sobre a temática do "linchamento", fui percebendo que certas posições públicas eram tomadas muito mais no sentido de fazer uma "tomada de território" ideológica, indo além da condição humana.
Há sempre uma estrutura por trás de quaisquer ações, mas o que interessa nesses assuntos entre Direita e Esquerda na discussão do que se deve opinar e do como se deve agir, está em outro tipo de combate, que dá nome aos bois muito mais enfaticamente, que é mais preciso: uma oposição entre uma forma de ver o mundo centrada na dúvida/descoberta e no indivíduo em detrimento de uma forma de ver o mundo como "ilustração" ao invés de argumentação, "massa" ao invés de indivíduo; grito ao invés de fala. Isso pelos extremos, claro. (Mais adiante, serei mais claro)
Você pode, por um lado, enxergar o próximo, e permitir que este cresça e se desvencilhe de princípios e instituições totalizantes, salvo se desejar, por livre e espontânea vontade, buscar, através desses princípios e instituições, algo de muito mais individual e além da vida comum; ou pode, ao contrário, imaturamente, desejar forçar (eis o problema, a imposição) o seu padrão - ou que quaisquer padrões sejam impostos por um Estado, por uma Tendência, por algo que sirva a um "senso de dever" voltado a conceitos abstratos que, no final, só vão servir para ocupar a mente eternamente egoísta, descrente da condição humana livre (que é diferente de "abandonada"), ressentida (ao buscar a vingança ao invés da justiça), narcisística e generalizadora ou simplificadora.
Onde são encontradas essas características desagradáveis ao que é verdadeiramente a Democracia (centrada na tolerância, bem como na mínima harmonia ou igualdade-base para a meritocracia)? Em extremos ideológicos. Por isso há a confusão, por parte de alguns, entre os espectros político-ideológicos da Alemanha e Itália da década de 30 e a URSS. O que interessa é a prática. Por que, no final, as coisas se assemelhavam tanto (ao menos no tocante a desacreditar a Democracia), mesmo um sendo formalmente de Direita e outro sendo formalmente de Esquerda?
Para as populações que entusiasticamente apoiavam seus respectivos regimes, creio que o que interessava era uma mistura de comodidade com nacionalismo. Se esse nacionalismo viria com uma ideologia de extrema-esquerda ou de extrema-direita, tanto fazia. No final, a verdadeira luta é entre um pensamento que começa provavelmente na democracia grega, que rege parcialmente o Ocidente "típico"; e aqueles sinais dos antigos Impérios da Antiguidade remota, que tanto fascinam. Por trás de tudo isso, indo além, há regimes do imaginário que os entendidos devem saber apontar melhor do que eu...
Em suma, pessoas que se posicionavam contra ou a favor de Rachel Sheherazade, a partir da descaracterização que faço das esquerdas e direitas formais, indiretamente, indo além do que aconteceu realmente, demonstravam tendências que iam de um a outro "universo".
Vejam que saio aqui do que realmente aconteceu sobre a jornalista. Isso não me interessa em nada, tanto que nem tenho posição sobre o que ocorreu. Não me importa. O que me importa é como as pessoas, anônimas ou "famosas", agiram em público para defender o que pensavam. Também não pretendo fazer julgamentos de natureza individual, mas apenas, instintivamente, digo que já pude perceber que a maioria do que li de comentários e de notícias sobre opiniões de outros jornalistas e políticos, revela os dizeres:
1) Uma polêmica surge como ferramenta para suscitar uma agenda própria, pouco interessando as coisas que aconteceram realmente. Melhor ainda se um indivíduo coloca determinada carreira política ou de outra natureza "acima de tudo";
2) Uma polêmica prossegue, em vários casos, como uma "novela da vida real", em que as pessoas agem como num programa de formato "Big Brother";
3) Em meio a tudo isso, tem-se uma visão imatura do que vem a ser Discussão ou Democracia. Algumas pessoas desejam "forçar" uma concordância com elas mesmas, indo além das ferramentas que qualquer cidadão possui, como uma interminável birra que nada acrescenta;
4) Uma parcela importante dessa visão ou imatura ou que nem leva em consideração o jogo limpo, diz respeito ao combate não do aspecto ditatorial das coisas, mas do conteúdo ideológico desse aspecto.
Em suma, baseado no ponto 4, a questão que abordo não é Direita e Esquerda. A realidade se mistura entre os dois, com exceção das extremas esquerda e direita e os moderados. Mas a oposição entre uma postura democrática ou ditatorial, sem que um ou outro sejam necessariamente o cerne da Direita ou da Esquerda - salvo, como já disse, de seus aspectos "extremos", se formos pelas designações formais.
O Brasil possui pessoas capazes de grandes ações (grandes, e não "melhores"). Mas, ao final do dia, tudo volta a ser o de sempre. Elas certamente poderão se gabar de terem feito muitas coisas, e concordo com ao menos uma única coisa válida: a luta em si (desde que para valores democráticos, numa realidade que ainda não chegou a se encontrar nesses valores). Todavia, esse "fazer" não é efetivo. De uma forma ou de outra, ainda que o caminhar dignifique a vida, nosso país só terá forma de gente grande, se der tudo certo, após muitas gerações. Isso vai além de lutas individuais, seja na Política ou em ONGs, ou na vida familiar, no cotidiano.
Por outro lado, como a "luta" ainda interessa, tendo valor em si, ao menos as pessoas de bem devem lutar contra a tendência de qualquer tipo de "pensamento único", que tenta reduzir a nossa condição de pessoas à condição de "categorias abstratas".
A verdadeira luta não é meramente a luta ideológica, mas a luta entre pessoas mais ou menos equilibradas e os mal-intencionados (os corruptos morais, cognitivos, ideológicos e legais).
E a Democracia? Ainda não a atingimos. Afinal, ela é um fluxo, em constante adequação a quadros específicos do cotidiano.
Assinado: João Batista Firmino Júnior.
P.S.: Para quem interessar, trato de assuntos parecidos em outros pontos deste blog.
quarta-feira, 14 de maio de 2014
Politicamente correto
A verdadeira questão é a mais íntima de todas: o que é o correto e o incorreto?
Ao falarmos em "politicamente" correto ou incorreto, focamo-nos muito no "correto" ou no "incorreto", mas esquecemos de questionar a partícula "politicamente". A partir de qual política algo é correto ou incorreto? E o que é correto e incorreto INDEPENDENTE do "politicamente"?
Em caso de dúvida, fiquemos naquilo que seja imediatamente tomado na separação entre o lícito e o ilícito. Digo: desde que lícita, uma opinião (ou um silêncio) sempre fará parte da democracia formal, daquela aceitável nas práticas públicas.
Numa religião há um "politicamente" correto ou incorreto. Dentro de uma ideologia há um "politicamente" correto ou incorreto. Dentro de qualquer cultura ou grupo humano há um "politicamente" correto ou incorreto. Só não devemos ser tão reducionistas ao tentar forçar opiniões que não existam, posicionamentos impossíveis de serem tomados, etc.
Eu mesmo não acredito num pensamento que reduza cada indivíduo a apenas uma partícula do todo. Como se fôssemos cada um mero pingo do oceano. Aprendemos com o quê? Com categorias abstratas (ferramentas) ou com o contato com outras pessoas e suas motivações, problemas, etc (conteúdo)?
Eu digo que ideologia é tanto uma ferramenta que um extremo ideológico provavelmente pode usar um método do outro extremo ideológico para atingir os seus próprios fins. E tal método o que seria? Um "passo a passo" de pensamentos, de abstrações, de trato com a cultura. Nem me refiro a ações físicas, fora do pensamento.
O politicamente correto ou o incorreto, ambos, não servem para um indivíduo, mas para um modelo de indivíduo. Você adquire o "kit" completo. E tem que se ater ao "kit", mesmo que haja partes que não lhe sejam úteis. Só que cada julgamento é um julgamento e cada caso é um caso. Ou, então, seremos não indivíduos, mas "categorias" que devem agir sem posição individual, mas com uma posição de acordo com essa "categoria" que sejamos.
Daí, a meu ver, nada seríamos realmente, pois nunca teríamos amadurecidos a ponto de sermos nós mesmos.
Sobre o "politicamente" novamente. Qualquer ação "barulhenta" é política? É o que quem está realizando deseja? Tal qual o conceito de "raça". As pessoas se juntam e partem do princípio de que algo existe. E pronto. Algo passa a ser porque se diz que algo é. E não deixa de ser (ao menos socialmente, claro). Porém, ainda podemos dizer que essa "política" seja errada ou irrelevante. Isso é natural.
No lugar de "ilustrar" verdades que não provêm de nossa própria experiência de vida, que construamos argumentos e que, nos espírito colaborador das redes sociais, sejamos colaboradores de argumentos para possíveis soluções ou meros direcionamentos. O mundo é mais feito de indefinições que de definições. A abordagem é completamente equivocada se esperamos adotar um "kit" de pensamentos X ou Y como se, adotando isso, fôssemos ganhar algo vindo do céu. Se nossa situação está ruim é porque ainda devemos lutar mais e mais. E, quando estiver boa, deverá ser lutada nem para manter, mas para avançar. Avançar não numa abstração ideológica ou num poder "politicamente" correto ou incorreto. Avançar, isso sim, no que conseguimos conceber individualmente, sempre pegando pequenos fragmentos da realidade e, com humildade, seguindo adiante.
Assinado: João Batista Firmino Júnior.
Formação étnica brasileira
Por que "formação étnica brasileira"?
Refiro-me às origens preferencialmente portuguesas, indígenas e africanas.
Há políticas que tentam corrigir injustiças entre essas três principais origens (que não excluem outras). (costumo entender que as melhores dentre essas políticas estejam naquelas que consigam atingir o "cada caso, cada situação")
Essas origens do Brasil em si não são problemáticas. Não a meu ver. Mas o encontro, a forma, a maneira como tudo se deu, foi sim um desastre para todos os povos (e variações internas) envolvidos. Ou, ao menos, é o que me parece.
Tenho os três grupos como antepassados.
Dentre os africanos, muitos brasileiros buscam por uma identificação mais forte, mais vívida. Encontram, no lugar disso, aquilo que é possível. Não sabemos, ao menos normalmente não sabemos, de quais povos EXATAMENTE viemos. A origem é africana, mas quais os povos africanos formaram minha descendência particular? De que etnia ou etnias cada um de nós veio? (há apenas aproximações gerais com base em dados históricos). Sabemos de Portugal. Eventualmente, sabemos dos povos indígenas que habitam nossa terra específica aqui no Brasil. Mas há essa lacuna, ao menos no meu caso específico.
Dentre os indígenas, também é preciso considerar cada povo. E um básico histórico desses povos que vá além dos livros didáticos. Por exemplo: posso pensar ser descendente distante de índios potiguares. Mas, na época em que essa ascendência teria começado, meus antepassados habitavam o local em que nasci? Os povos se mudam. Integrantes de povos mudam de lugar. Só o viés geográfico atual não é suficiente. Para mim, é impossível também saber de qual povo indígena efetivamente sou descendente, bem como no caso de muitos de nós, brasileiros, que possuam antepassados indígenas.
Mesmo no caso dos portugueses a situação se complica. Afinal, há a nacionalidade portuguesa e uma etnia celtíbara, vamos dizer assim. Somos preponderantemente ligados aos judeus, ciganos, prussianos que se mudaram para Portugal, latinos em geral, espanhóis que se misturaram com portugueses, ou a judeus não necessariamente "somente" portugueses ou "somente" espanhóis?
Portugal certamente tem um povo que, como muitos povos, nascem de vários outros povos.
Ah, e esqueci, dessa salada toda, de considerar o fator temporal. Povos mudam de lugar geograficamente e temporalmente. Quais os portugueses, índios e africanos que predominavam no Brasil em cada século de colonização? Não há 1 Brasil, não há 1 Portugal, não há 1 África, não há 1 América.
Aonde quero chegar?
Ao menos desejo chegar na afirmação de que é muito complicado culpar um grupo de pessoas com determinado fenótipo ou aparência por algo do passado. Tudo se misturou. Além disso, ninguém nunca é vítima ou algoz na mesma profundidade. Qual o papel de cada um dos nossos antepassados? A situação, assim, aqui no Brasil, é mais complexa que nos Estados Unidos, confundindo a situação social de cada irmão de uma família multirracial brasileira (se é a mesma família, entendo que a situação especificamente social seja a mesma para cada irmão identificado de acordo com etnias diferentes). No final, seguimos aquele velho problema de agirmos muito por conta de aproximações abstratas sobre nossa própria realidade. Elas nos são úteis, mas elas têm limites.
E, basicamente, escrevi o óbvio. Mas o óbvio às vezes precisa ser dito.
Assinado: João Batista Firmino Júnior.
Refiro-me às origens preferencialmente portuguesas, indígenas e africanas.
Há políticas que tentam corrigir injustiças entre essas três principais origens (que não excluem outras). (costumo entender que as melhores dentre essas políticas estejam naquelas que consigam atingir o "cada caso, cada situação")
Essas origens do Brasil em si não são problemáticas. Não a meu ver. Mas o encontro, a forma, a maneira como tudo se deu, foi sim um desastre para todos os povos (e variações internas) envolvidos. Ou, ao menos, é o que me parece.
Tenho os três grupos como antepassados.
Dentre os africanos, muitos brasileiros buscam por uma identificação mais forte, mais vívida. Encontram, no lugar disso, aquilo que é possível. Não sabemos, ao menos normalmente não sabemos, de quais povos EXATAMENTE viemos. A origem é africana, mas quais os povos africanos formaram minha descendência particular? De que etnia ou etnias cada um de nós veio? (há apenas aproximações gerais com base em dados históricos). Sabemos de Portugal. Eventualmente, sabemos dos povos indígenas que habitam nossa terra específica aqui no Brasil. Mas há essa lacuna, ao menos no meu caso específico.
Dentre os indígenas, também é preciso considerar cada povo. E um básico histórico desses povos que vá além dos livros didáticos. Por exemplo: posso pensar ser descendente distante de índios potiguares. Mas, na época em que essa ascendência teria começado, meus antepassados habitavam o local em que nasci? Os povos se mudam. Integrantes de povos mudam de lugar. Só o viés geográfico atual não é suficiente. Para mim, é impossível também saber de qual povo indígena efetivamente sou descendente, bem como no caso de muitos de nós, brasileiros, que possuam antepassados indígenas.
Mesmo no caso dos portugueses a situação se complica. Afinal, há a nacionalidade portuguesa e uma etnia celtíbara, vamos dizer assim. Somos preponderantemente ligados aos judeus, ciganos, prussianos que se mudaram para Portugal, latinos em geral, espanhóis que se misturaram com portugueses, ou a judeus não necessariamente "somente" portugueses ou "somente" espanhóis?
Portugal certamente tem um povo que, como muitos povos, nascem de vários outros povos.
Ah, e esqueci, dessa salada toda, de considerar o fator temporal. Povos mudam de lugar geograficamente e temporalmente. Quais os portugueses, índios e africanos que predominavam no Brasil em cada século de colonização? Não há 1 Brasil, não há 1 Portugal, não há 1 África, não há 1 América.
Aonde quero chegar?
Ao menos desejo chegar na afirmação de que é muito complicado culpar um grupo de pessoas com determinado fenótipo ou aparência por algo do passado. Tudo se misturou. Além disso, ninguém nunca é vítima ou algoz na mesma profundidade. Qual o papel de cada um dos nossos antepassados? A situação, assim, aqui no Brasil, é mais complexa que nos Estados Unidos, confundindo a situação social de cada irmão de uma família multirracial brasileira (se é a mesma família, entendo que a situação especificamente social seja a mesma para cada irmão identificado de acordo com etnias diferentes). No final, seguimos aquele velho problema de agirmos muito por conta de aproximações abstratas sobre nossa própria realidade. Elas nos são úteis, mas elas têm limites.
E, basicamente, escrevi o óbvio. Mas o óbvio às vezes precisa ser dito.
Assinado: João Batista Firmino Júnior.
Brasil ideológico...
Primeiro, alguns de nós são capazes de largar a preferência pelo contato individual e a experiência que advém disso, e optam por "grandes conceitos abstratos". Em seguida, esses "grandes conceitos abstratos", como lente para enxergar tudo e qualquer coisa, tomam a composição material de redes sociais como veículos "mobilizadores".
Daí, nos alienamos "parados geograficamente no mesmo lugar", ou caminhando com nossa mobilidade fechada em nossos equipamentos. Sempre com o mesmo padrão de pensamentos e preocupações.
Pendões ideológicos, tendências, sempre existirão. Tal qual os grandes regimes do imaginário, ainda que com menos beleza. Mas vejo que tudo isso "normalmente" é usado para nos afastar de nós mesmos, para que sejamos menos práticos.
Amamos o contato que temos com determinada "luta ideológica parcial" em redes sociais. E esbravejamos verdades. Vivemos atualmente (não qualquer um de nós, mas muita gente), produzindo menos e mais preocupados em intermináveis "ilustrações" partidárias, ideológicas, de times de futebol ou de ídolos do entretenimento.
Aparentemente, temos já uma verdade encontrada. Está tudo feito. Faltando, apenas, que os outros sejam denunciados por não seguirem o que supostamente seguimos; ou por seguirem o que supostamente não seguimos. Daí, nos auto-intitulamos "de Esquerda" ou "de Direita" (toda uma esquerda e uma direita "made in Brazil") e mergulhamos de cabeça. Ok.
Não falo mal de ideologias propriamente. Não que não haja mal nelas. Falo de atitudes concretas. Estamos esperando "grandes regimes" que nos deem orgulho e dinheiro. De uma forma ou de outra é isso. Ou tudo não passa de torcer como quem torce para ou contra times de futebol ou para ou contra personagens de ficção (eles enriquecem e nós ficamos felizes por eles, em nossa própria desgraça).
Parece-me que a maioria das pessoas que em redes sociais se auto-intitulam "de Direita" ou "de Esquerda" não estudaram a fundo seu próprio posicionamento (e eu não preciso ser especialista em um ou outro para perceber isso). Bem, conhecer realmente um pendão ideológico? Isso é impossível. Não há como saber TUDO. Por essa inata impossibilidade que penso ser mais fundamental procurarmos nos conhecer e daí irmos vivendo de acordo com o julgamento de atitudes, sem viés totalizante. E isso não é "ficar em cima do muro", mas ficar "do nosso lado" que é o único lado que importa. Devemos ficar não do lado do PT ou do PSDB, ou das siglas que vão comandar os brasileiros (ou a pauta dos jornais) nas próximas décadas ou séculos. Fazer isso é como trocar minha liberdade por uma vaidade qualquer.
Ah, mas e a Liberdade ou a Igualdade prometidas pelas legendas partidárias? Isso não deveria ser tão relevante no Brasil (somos muito dependentes, em nossas opiniões, dos embates político-partidários, empobrecendo a nossa Democracia ao ficarmos em apenas uma esfera de luta). Em primeiríssimo lugar, POLÍTICA não é só PARTIDO, não é só posicionamento ideológico-cultural a partir de "causas pontuais e bonitas", ou Ideologia formal e de origem européia. Política é também, pelo que entendo, cada ação, cada atitude que tomamos a partir de iniciativas até mesmo privadas. Não deveríamos depender tanto de políticas de governo, mas de outras instâncias tão ou mais legítimas, e lícitas, de nossa vida civil.
Uma eleição é relevante? Claro. Mas é típico da baixa qualidade democrática e do baixo desenvolvimento de um estado brasileiro quando tudo anda em torno muito mais de noticiar o que um político diz, qual seu olhar, como se veste, etc, etc e ficar papagaiando isso como se fôssemos mais inteligentes. Isso deve existir muito mais na medida da fiscalização do que fazem com nossos impostos e a título de representação internacional. Mas o grande montante de tudo deve estar em olhar para outras paragens de nosso próprio país e Estado.
Eleição, partido e ideologia formal têm a sua importância, mas também têm o seu lugar. Se somos um lugar de funcionários públicos, por exemplo, ou de pequenos empresários que têm como clientes funcionários públicos, ainda assim não devemos ficar apenas no velho jogo do "conquistar benefícios" e "manter benefícios". É preciso buscar outras alternativas, ou, sob os dizeres de que "estamos participando da Democracia", na prática, estaremos apenas seguindo outra modalidade de alienação.
Assinado: João Batista Firmino Júnior.
Realidade de João Pessoa
Como se sabe, falo um pouco aqui da capital paraibana.
Não tenho notícias aqui, nem verdadeiras novidades. A cidade mantem um razoável grau de organização, em geral (ao menos para mim). O que me parece ter maior destaque negativo recentemente diz respeito à violência. Mas, como se dá isso?
O que se vê, sem que haja um convívio na cidade, é um alto índice de homicídios. Bem, não posso ir contra e dizer que está errado. Não tenho competência para isso. Mas, sei que violência é um conceito que vai além (não que homicídios não sejam suficientemente ruins).
Vai além. Porém, no dia a dia de muita gente, tem-se um cotidiano de acordo com o porte da cidade. Naturalmente, uma cidade grande, por mais baixo que seja proporcionalmente o índice de homicídios, será mais perigosa para quem não está acostumado com seus riscos tradicionais. Seguindo uma rotina comum, de classe média urbana nordestina, não há uma preponderância de assaltos a torto e direito. As abordagens criminosas, ao menos aparentemente, são de acordo com o nosso porte - inferior ao tamanho e à complexidade de megalópoles como Rio e SP.
Ainda é possível passar por uma péssima experiência, naturalmente. Mas há alguns fatores que percebi. Primeiramente, pontos da cidade em que há uma coexistência "forçada" entre ao menos dois bairros de condições financeiras opostas.
Também há aqueles casos em que indivíduos são mais visados devido a alguma crença de acordo com aparência e rotina.
O fundamental é naturalmente apontar que a criminalidade não é correlata à determinada "classe social" ou bairro. Em parte, depende de certos choques que são consequência de algum tipo de alienação entre grupos humanos diferentes, quebrando a ideia de homogeneidade, de identidade conjunta de 99 porcento dos moradores. Quando isso acontece, o crime que não existia passa a existir; e o que era com menos violência, torna-se com mais violência.
Quebrar a homogeneidade, a identidade que une cada indivíduo para lutar, através de seus méritos e a partir de um mínima equivalência de condições enquanto "ponto de partida", em prol da uma alienação, é como quebrar o espírito de uma cidade, estado, bairro ou nação - ou não reconhecer o próprio espírito.
É uma situação ideal que João Pessoa se torne menos como algumas das maiores cidades nordestinas e se torne, por assim dizer, com um espírito de contribuição interna, independente de variações culturais, individuais, econômicas e sociais, equivalente a uma localidade "milenar". Claro, somos recentes. Nossa cidade formalmente só tem meio milênio de existência e menos ainda no que diz respeito à identidade de minha geração.
Também é claro que se faz necessário todo tipo de ação legítima e legal por parte de autoridades formais e informais, por parte de especialistas. Mas, acrescento uma pitada de orgulho que diga respeito a uma mistura de contribuição interna aliada a uma auto-crítica preventiva (e até certo ponto resolutiva). Primeiramente, começando pelos bairros e, em seguida, unindo os bairros.
Creio que em João Pessoa a maioria de nós tenhamos as mesmas origens (ou, ao menos, antepassados de mesmas origens, sem ir muito longe), independente da condição atual de cada um. Será que isso não seria um fundamento e um motivo que nos faça ter um pouco mais aquela postura civilizada entre nós mesmos? Não vejo divisões - ainda - abismais entre o pedreiro, o padeiro e o funcionário público. Não vejo nenhum "grande estranhamento". Há, claro, exceções, de pessoas que provêm de uma "dinastia" política ou empresarial, ou de pessoas vindas recentemente de fora e ainda prestes a se tornarem a par da situação. Mas, o que nos importa aqui, e o que realmente é válido no presente texto é: não vejamos nossa cidade com os olhos de outras cidades e outras vidas brasileiras.
Vejamos João Pessoa como pessoenses - e usemos isso para, de alguma forma, mantermos não um complexo planejamento de como devemos agir ou nos sentir, mas para que, em momentos-limite, de alguma forma, esse dado seja mais valorizado e destacado. Partimos de um mesmo ponto (não todos, mas a maioria); possuímos características e padrões que nos são próprios. Temos uma construção histórico-social particular. Temos um desenvolvimento que segue apenas e tão-somente nossos próprios passos. Então, passemos a observar a realidade dos telejornais, da Web e das ficções nacionais apenas como a realidade de outro ou outros brasis. A nossa realidade é e sempre será o encontro cotidiano e comum de nós conosco mesmos em um contexto local, sempre será também nosso contato com familiares e com outras pessoas de nosso próprio mundo, fora da amplitude de um site de rede social. Vendo dessa forma, temos um pouco mais de condições para nos mobilizarmos contra a violência e a corrupção. E, mesmo que fique ainda na promessa, ainda é algo que temos para lutar.
Assinado: João Batista Firmino Júnior.
segunda-feira, 5 de maio de 2014
Apenas mais um ano. O que esperar até dezembro?
Bem, a continuidade de nossas fraquezas.
Penso que, diante de toda essa massificação das coisas prontas, das ideias e dos sonhos dos outros preparados para cada multidão, a única coisa que "salva" é cada um, individualmente - aliás, a única coisa que não piora ou não torna ainda mais desagradável, mais decadente o que já existe.
Muita coisa precisa ser reformada no Brasil, e eu não sei a maior parte delas. Sendo as que sei, apenas algo superficial, sem especificações. Porém, o que subsiste é a ideia de reformar o que já existe ao invés de destruir tudo e esperar que, com isso, esse tudo venha a se resolver.
Este ano traz diversas pautas, e é o que realmente importa para qualquer "inventor" do cotidiano, e de qualquer seguidor desse fluxo. Mas, talvez, em um limite bem particular, possamos, diante de tanta exposição, eliminar 99,99% das obsessões, dos excessos de pensamentos, de toda loucura ou pesadelo que se demonstra através de uma variedade de informações.
Sobram poucas coisas. Quais são? Cada um que descubra. Mas, essas poucas coisas, que se sobressaem numa mente mais limpa, só servem se, e somente se, acompanhadas de uma constante fortaleza de autocríticas. Não autocríticas no sentido de nos humilharmos, de nos amortalharmos por nada. Nem autocríticas que se percam numa miríade de pensamentos. A ideia é nos tornarmos mais lúcidos - não confundindo lucidez com certeza. É uma guerra, um sofrimento, uma dor? Sim, mas vale a pena.
Lucidez é dúvida. Dúvida que suscita a exploração tateante ou a consciência clara de que não sabemos.
E qual o motivo de eu divagar por aqui ao invés de falar da Copa, das eleições ou do que quer que seja? O ano atual, bem como qualquer outro, não é sobre esses acontecimentos midiáticos, é sobre cada um de nós, o nosso ano particular, nossas vidas.
E, quando desprezo os tais "sonhos" não é bem o onírico disso que desprezo, somente as obsessões, a insensibilidade, a falta de tato, o fanatismo, a comodidade de nos valermos do que nos vêm e apreendermos isso profundamente através da pior das imperfeições: não olharmos para nós mesmos. Pois, entendo que é olhando para a nossa individualidade que lemos os outros, e que, assim, possamos fazer a essência de qualquer pensamento que cuide dos outros. Servir às pessoas ao invés de servir aos sonhos (seu aspecto de "prato pronto", como se não tivéssemos que construir nada ou isso nos fosse muito doloroso, dispendioso, e sem uma luz no fim do túnel clara); servir às pessoas servindo a nós mesmos.
Vivemos num Brasil midiático, político, repleto de "ilustrações" ao invés de argumentos. O que é uma "ilustração"? Nela, você parte de algo que lhe é certo, de uma descoberta, de uma perfeição, de um objetivo muito bem feito e definido (e de uma verdade absoluta, num jogo de coisas que seriam óbvias para cada actante), além de si mesmo, além de qualquer liberdade, transcendental e impositivo, e, diante disso, apenas solta "sobras" dessa "irredutível sabedoria". Não argumenta. Não sabe o que é argumentar. Não constrói. Apenas se utiliza de uma sucessão de "demonstrações", "modelos" e "exemplos" reduzidos em pensamentos-slogans. Propagandas. "As coisas aparecem como certas, só devemos expô-las". Esquecemos que a Realidade, acima do conceito de Verdade, está além SIM de qualquer categoria definitiva de pensamento, de qualquer obsessão, e que não devemos nos acomodar em ideias prontas.
O correto seria largar o ato de "ilustrar" e trazer as ferramentas de pedreiro, de operário, de agricultor, para argumentar, pensar, construir. Daí surgem debatedores. Debatedores que, juntos, via colaboração, tateiam o desconhecido e buscam entender mais da Realidade - ou do mero tema proposto para a discussão. Não há manifestos, verdades, dedo no olho, desvirtuamento do assunto, ou discussões contra o estereótipo do Outro ao invés de ir direto NO outro e no seu assunto.
Este é um ano para um sonho sem obsessões: para argumentos, construções, reformas. Larguemos todo niilismo "conveniente" para o inconveniente esforço do pensar.
Assinado: João Batista Firmino Júnior.
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