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sábado, 4 de abril de 2015

Cotidiano Multidisciplinar


O que sei sobre Educação? Basicamente, em linhas gerais, como o processo de permitir a compreensão e interpretação sobre determinado campo do saber por parte do agente ativo do processo, que é o aluno, que terá que provar que domina determinado campo, formal e informalmente, pelo resto de sua vida profissional - e não apenas para passar na disciplina.

Claro que é preciso restringir meu conceito não-especializado. Refiro-me ao adulto universitário, evidentemente. Não tenho o que dizer sobre educação de adolescentes e crianças (e o que tenho aqui é algo absolutamente informal).

O ideal é entender o processo não como um conjunto de disciplinas separadas e fechadas em si mesmas, mas como ferramentas para desbravar um determinado Fenômeno.

Fenômenos não são especificamente algo de uma disciplina. São singularidades. São "problemas", vamos dizer assim. E "problemas" devem ser resolvidos pelo que for útil, pela articulação de ferramentas diferentes.

Vejamos o caso do aprendizado em criação de programas de computador. Se for exigido a criação de um programa específico que resolva uma fórmula matemática do segundo grau, uma questão contábil, uma média ponderada etc., você terá que dominar aquilo que o programa deverá realizar, e não apenas a forma do programa em si. Quer dizer, ou você entende a lógica do conteúdo, ou a "forma" linear dos comandos não terá no que se basear para agir (claro que não vai adiantar também saber apenas do conteúdo e não saber programar).

Outra disciplina: Desenho Técnico. É evidente que, sem conhecimento basilar em Trigonometria e Geometria, não dá para avançar muito. Ou: sem Matemática e Física, onde ficam certas partes da Geografia Física?

E mais: realocação de disciplinas em uma determinada grade. Poderá envolver o quê? Uma pitada de Lógica. 

E há o sentido das palavras. O que uma palavra quer realmente dizer e em que contexto? Sem o domínio correto da Língua Portuguesa, como traduzir, do português, uma questão ou explicação matemática para a linguagem da própria Matemática? Sobretudo no uso do "ou", do "e", do "somente", ou no não uso do "somente". O mesmo avança para outros idiomas.

Trabalhar o fenômeno, enfim, parece-me ser o ponto essencial do aprendizado. Traz a vida real para o assunto tratado, exige novos assuntos e bases, além de trabalho em equipe. Um processamento maior é realizado que aquele estudo solitário, fechado e sem... contexto, sem esqueleto, sem objetivo, sem uma finalidade específica. 

O que nos falta, talvez, seja o grau zero do aprendizado: o controle das emoções (não a destruição delas), a provocar melhor foco. Foco na vida, foco nos assuntos que serão estudados, ou, em outras palavras, organização. Um fundamento disso pode ser uma dada filosofia de vida construída milenarmente e moldada pela sociedade, uma sociedade que poderia exigir um determinado modo de ver o mundo (e de agir sobre ele) por parte do indivíduo. Esse determinado modo de ver o mundo já, por si só, exigiria uma disciplina e um respeito pelos outros e por si mesmo muito mais forte que aquilo que temos em partes do Ocidente.

Lembrando que isso vem também da maturidade do indivíduo, algo que independe, muitas vezes, da idade. É preciso largar equívocos envolvendo as relações humanas e os problemas diários. Livrar a mente de armadilhas que construímos para nós mesmos. E deixá-la livre para fazer o que ela faz de melhor: pensar. 


Autor: João Batista Firmino Júnior.