Os melhores blogs estão aqui

sábado, 2 de maio de 2015

Um punhado de Realidade



Como apreender o mundo? Por cada uma de suas manifestações, através de fenômenos naturalmente multidisciplinares.

A abordagem pode envolver uma postura baseada no conhecimento prévio de quem for identificar determinada manifestação do mundo. A partir de um conhecimento prévio, e de sua comparação com a novidade, a sensação de que algo é reconhecível.

Uma memória soma-se a novos elementos análogos, os dois conjuntos de elementos se casam. Nisso, uma filtragem, sobrando o efetivamente desconhecido pelo indivíduo.

Tal qual um código fechado, ou um mistério narrativo, vai-se quebrando através de técnicas de economia de energia. Atalhos são criados para que sejam efetivos e reproduzíveis.

Um novo aspecto do fenômeno é descoberto e, tal qual um processo de deglutição, soma-se ao conhecimento prévio, alterando essencialmente tudo aquilo que existia anteriormente. Cada pedaço do ser é minimamente mudado após isso. E isso trás a possibilidade de um caminho seguinte para um novo aspecto do mesmo problema a ser estudado.

Explicando melhor: analogias são criadas. Pontes. Disso, ao mesmo tempo ocorre uma filtragem, sobrando os elementos mais brutos, mais desconhecidos. Porém, o conhecimento prévio torna-se diferente com a deglutição anterior, possibilitando prosseguir no caminho. E nada se perde quando há aspectos emocionais envolvidos, quando há um “choque” perceptivo e de concepção. É da mesma forma quando lido com um determinado problema, formal ou informal, mas que precisa ser resolvido. 

Trata-se de um jogo útil, com fases. Cada fase parte do processo de apreensão e modificação de meu próprio conhecimento. Essa modificação é fluida, não é enrijecida numa estrutura pesada.

A abordagem por fenômeno aceita a riqueza e natural complexidade do mundo bruto ao redor. Nossa caixa de ferramentas necessariamente se utilizará de Física, Matemática, Química, Leitura, Astronomia, Geografia… e de elementos intermediários entre essas ciências ou grandes temas.

Na sala de aula, sintetizando, bem como em qualquer aprendizado mais informal, o ideal seria conseguir ir mostrando o mundo – não se fechando para ele. É no próprio mundo onde residem todas as disciplinas e grandes temas. E é a partir de um punhado de realidade que nos choca, que nos intriga, que podemos nos utilizar de ferramentas que nunca serão apenas ferramentas, mas um fim tanto delas mesmas como da explicação desse mesmo fenômeno – que, por sua vez, como disse, é apenas um punhado de realidade.


Assinado: João Batista Firmino Júnior.