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sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Linhas Avulsas

O Velho

Parado num canto,
Com formas murchas,
O corpo magríssimo,
Uma sombra da carne.

Roupas desbotadas,
Olhar alheio,
Sorriso vago,
Camisa puída de verde-desbotado.

Esteve lá ontem,
Esteve lá há quarenta anos,
Esteve lá há um século…
E nunca para no tempo.

Não sabemos de onde surgiu,
Nem sabemos para onde vai,
Nem ao menos o que há por trás.

Ele é homem assexuado,
Vaga forma de manchas,
Olhar perdido para dentro…
E nem os malfeitores notam,
E deste nem conseguem
Chegar perto.

Ele é abstrato e distante,
Apenas um olho que vê tudo,
Um olho do corpo que é o mundo,
Ou o próprio cenário de
Esquina ou praça.

Ele é infinitamente velho,
E nunca dorme.
Mais velho que o universo,
Sem ser deidade.
Um mistério puro e simples…
Apenas um homem velho,
Mais velho que a própria velhice.

Ele olha o mundo,
Ele é um pai antigo,
Ele aprova ou reprova
Só por presença,
Ele julga a Eternidade ao
Apontar o nosso próprio
Julgamento já realizado.

Ele estava lá quando
“lá” não havia…
Com aquela camisa puída,
Maquinando por dentro
O que lhe cai da mão à direita:
O Livro do Destino!


Paisagem morta

Um mundo fantásmico –
Sem dentro nem fora? –
Permitia gradações de cheiros.

Um portão à frente,
Um mundo atrás, de odores,
Desejos, sonhos, desesperos
Entre a torneira, o prato e o bojo.
Eis que confirmamos: após o portão a prisão;
Em seu interior uma paisagem-vida,
A vida em poucos metros quadrados.

E, nesse interior, a lembrança de
Um poema perdido nas margens da rede
Complexa de informações,
Em telas que também são uma coisa só,
Uma mera paisagem de formas recônditas
Vestidas de odores esquecidos sob o aspecto
De pensamentos rápidos e instáveis,
Sem beleza nem entendimento…
Tal qual caroços que crescem sobre caroços,
Em um caminho em círculos sobre si próprio.

Diante disso, e ainda assim,
O ator dessa paisagem deve deixar de sofrer
Da perda de antigos poemas, paisagens oníricas,
Saídas que não estão nas portas
E paredes que são saídas.


Vazio

Esvaziado de sentido,
Vai vazio,
Sem nada,
Na linha reta,
Vai sombrio.

Segue vago,
Vaporoso,
Tardio e vagaroso,
Circulando sobre si mesmo.

Mira pra dentro,
Esmigalha a visão,
Não tem unidade.

Cansado de um quê,
Sem ser para saber,
Ou sabendo que não se é –
Apenas uma corrente de ar
Numa tarde qualquer,
Em amontoado de casas sem nada nem ninguém,
Abandonadas às margens de um rio de carros,
Absolutamente silenciosas,
Como um personagem-cenário
Que se enche de ar.

Escuro

Não sabia o que fazer,
Na tela de teia escura
Por onde grasnam estranhos.

Sem passo, passado,
Nem atividade.

Amordaz, calado,
Despersonalizado,
Consumido.

Desespero na rede
De telas.
Escrutínio do Medo e
Obrigação na Busca por alguma… luz?
Algo percebível basta.

Fazer é a chave 
- abrir é outra história.



 Autor: João Batista Firmino Júnior.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Política Nacional



[Que vergonha. Agora que percebi, e digo isso antes de começar a escrever, que... a titulação do presente blog existe numa seção acima deste espaço de digitação. Sempre fui escrevendo o título na parte do "corpo" do texto.]


Bem, o que quero escrever aqui? Não entendo absolutamente nada do funcionamento e das doutrinas, bem como das interpretações e da própria letra da lei; não entendo absolutamente nada do processo legislativo; e o que tenho em mente sobre o Poder Executivo não passa da 8.112.

Sei, porém que, ao menos para mim, será extremamente complicado o voto em 2014. Eu penso que poderia haver, ao menos, mais candidatos. Porém, candidatos de origens ideológicas realmente diferentes. Não se trata de ser "de centro" ou de "estar em cima de muro", mas de construir ou a) novas interpretações das velhas Esquerda e Direita Brasileiras ou b) encontrar novos caminhos (desde que sejam transparentes, para que não estejamos apoiando algo no escuro, sem sabermos exatamente o que esses "terceiros" realmente são ou pensam).

Enfim, que concebamos um "muro", divisor de ideologias, não como um retângulo de certa espessura, dividindo apenas dois lados; mas um "muro-coluna", circular, sendo dele derivados diversas fronteiras (para não misturar e confundir tudo, e para dar forma a cada nova interpretação ou base).

Precisamos de um eixo central: o entendimento aprofundado e prático de Democracia.

Dele, queiramos: diversos muros divisores, não para separar, confundir, destruir, mas para manter intactos e válidos, úteis e ativos uma profusão de oportunidades de escolha.

Não defendo com isso uma miríade de partidos e mais partidos. Podem ser poucos os partidos, desde que a variância interna, e as possibilidades de concretização externa do Poder, possa trazer, além de novas alternativas, transparência e "poder de fato" por parte da população civil e seus inúmeros grupos lícitos. Afinal, não iríamos querer uma multiplicidade de candidatos e opções que, ao assumir o Poder, "mudassem de ideia" alegando necessidade de manter o controle quase absoluto de seus interesses por parte de outros setores desse mesmo Poder.

Que 2014 não venha rápido - que demore.

Autor: João Batista Firmino Júnior.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

6- SÃO JANEIRO E ARREDORES: PELA TERRA DA VISTA LIMITADA


Vão sendo deslumbrados os cantos mais distantes,
As frentes dos antigos e variados jardins aos
Canteiros já destruídos por uma indiferença…
Era quase metade de um dia
Quando um menino portador
De estranha arma, o olhar maduro demais nas coisas ruins,
E sua arma conhecida, ave de canto satânico de fogo,
Sentia o cheiro de carne fresca e estrangeira ao longe,
Sentia coceira nos dedos e na boca, para que fique de olho.
Um vulto passava ao redor da entrada
Desabada numa estrada esburacada com letras numa
Placa, que não significavam nada ao estrangeiro com
Suas bagagens pesadas, acrescidas às suas pernas,
Dificilmente levadas por um Mendes de Nenhuma Vocação,
Com um véu na cabeça antes desprotegida, observando
A estrada que iniciava mesmo ali,
E lá mancava assim,
Olhando bem as calotas adormecidas no chão quente,
De poucos sons, ainda baixos, à frente,
Onde poucas nuvens ousavam sequer raspar ao
Lado da grande calota tão esquentada, concentrando-se
Coisas parecidas acima, no meio
De um dia sofredor, no qual segurava quem o segurava, pequeno
E inofensivo, um ente desbravador de muitos
Portões, mesmo ao choque de mundos tão desconexos, diferenciados
Demais, realidade de fora versus mundo tapado lá de dentro
De não se sabe onde, que não se identifica, mesmo com nome.
O Umbral manter-se-ia sempre por perto, alinhavando a coragem
Com a determinação, no lugar das cordas da antiga viola, pois dera
Então, de fios parecidos, arma quase em harpa, arqueada na barriga
De seu ventre domesticado.
A manhã já morrera, não protegida por um guarda fardado
De fronte molhada, em um posto adiantado e ocupado só por ele,
No fundo amedrontado,
Vai Mendes tocar sua arma, que não surte efeito!
Vai tocando mais uma vez, estranhando o outro… Nada!
Vai tentando e do mesmo a mesma coisa no toque de
Absolutamente nada, porém o guarda
Observava bem a estranheza da arma de um estrangeiro,
Adiantando-se vagamente, num olhar baixo, farejando…
Mendes escuta um falar quebrado, ininteligível, que não
Falava quase, e fora poucas palavras desconexas, na linguagem
De seu povo de terra desmerecida, a coisa já assolara lá
Na cidade de fronte adormecida em aparência na frente, do conflito
Interior e perene…
Sabe-se lá o que a falar o poste turbulento, era de se entender
Que o guarda desejasse a arma, a um espanto, descumprindo um
Dever por enquanto, como a cidade fardada de uma desculpa esfarrapada.
Ainda antes da entrada, entrava o Umbral a lhe dizer a quem
Procurar lá dentro, aos pés do cimento do chão batido de uma viela
Do bairro mais próximo daquelas ruelas, alguém interessado no viajante…
Enquanto isso, o guarda partira.

Ouvia-se, distante, pessoas do Bairro do Morro,
No meio da guerra comunicada pelo Umbral,
Entre outros dois bairros, Bahia e Praia Vermelha, a leste, e
Esta última a controlar e a lucrar na guerra, fatos a nunca
Serem antecipados, enquanto
Entrava Mendes a oeste, mudado de roupa, com trastes molhados, como
Um quase mendigo desmemoriado, ante a subida do início, já sem
Estradas, olhando as construções desalinhadas que capturavam o
Cenário, logo na introdução, e o cheiro e os sons na tela sem esmero,
Alquebrada naqueles precipícios de alguma mata, naquelas subidas
Disformes, doença diluída na imitação das antigas águas que nunca
Correriam mais por entre aquelas aparências frágeis que, de fragilidade,
Capturavam os homens e as mulheres, que pouco apareciam, fraqueza que
Enchia a barriga de uns meninos pequenos de idade maior que a
Cara formalidade da aparência, que olhavam espantados,
Por onde vinha algo, em umas ruelas sufocantes e, finalmente, gente,
Três rapazes com vozes infantis, portadores de fuzis, mas
Diferentes do guarda da polícia controlada, falantes
Em alguma língua, ainda vermelha, molhada, mesmo que de
Vermelho sem o mesmo tom que o sangue espalhado pela mão
Fechada e atrás, que derramava o leito do rio de um visitante
Que seguia os três ante a fala sobre um líder declarado mesmo sem
Ser o verdadeiro mandante por aquelas terras, frase dita por um Umbral
Fazendo-se agora de anão eunuco, fraco, como mais um perdido em terra
Na pauta do que seria idealizado, mas nunca acontecido, pelo
Cheiro ao redor, do podre do Grande Rio que Seguia.

Era às escondidas, pelos passos, andante, que Mendes percebia
Que algo não fingia bem, algo ali montado propositadamente
Para ter aquela feição alimentada pela descrição de sua desnutrição…
O estrangeiro observava o dito do Umbral, de que alguns bem de trás,
Por trás do pano, enviavam-se com fantasias, queriam imitar a Grande Mãe,
Em disfarces, em mitos mentirosos, para alimentar um poder para
Justamente a própria vítima completamente sem saber, para usar isto
Em um processo maior movido por outros como também pelo governo da Capital,
Era só o Umbral, único a entender para cá na casa de Mendes de Nenhuma
Vocação uma linguagem tão pouco vista e entendida, linguagem da
Boca ilustre do guarda e de tantos cochichos de espantalhos aos lados,
Que adoram ser espantalhos, como muitos anões, nunca como um
Pedaço condigno do Braz, em disfarces de criança, aos fuzis
Nem de perto de verdade, pois não havia vida
Naquele embuste de um poder feio lá de se esconder, apenas a
Aparecer quando parte de sua verdade nunca verdadeira é tornada
Bela armação inviolada por ter, em seu ventre, o lado do seu outro lado
Na terra de gente de dois rostos, num pensamento doído na mente
De Mendes de Nenhuma Vocação que se espanta, ao ver, distante,
Amontoados de violas, ao léu, queimadas pela indiferença, não
Violões verdadeiros, mas cantorias inutilizadas, de arma de não tão
Potência nos galhos de folhas podres, porém de larga escala temerária
Aos sustentadores da raiz, pêlos do bigode de um alongamento que apenas
Sustenta um mal que é ele mesmo, malefício alimentado pela atenção de lixo;
Os pêlos mesmo eram os que faziam de verdade, que não ficavam no sugar do
Simples ar, ou numa ação nas
Jazidas já bem elaboradas daquelas águas misturadas
Ao defecado de algum pequeno ser com corpo de barril… mas no mote puro,
Mote infelizmente danificado, e assim a contaminar o Grande Rio que Segue,
A criar cenários adequados nos males, ferindo a Grande Mãe e desfazendo
A Primeira Palavra do Trovador, para se nutrir pelas extensas nuvens negras
Invasoras do Grande Rio que Seguia evaporado, eis que é bem como age,
Bem a tentar clamar contra o Trovador, nunca xenófobo, a sempre adotar
Medidas novas a um crescimento constante, em evolução nunca
Antes praticada por aqueles seres-barris que não crescem, alargam-se à
Força de uma arma de uma revolta de mentira,
Trovador, isto sim, a ser de preconceito apenas às palavras vazias,
Em torpeza bêbada de algo que tenta imitar a beberagem de um Braz,
Que implicam num apontamento da alienação desmedida, em busca
Da posição melhor de uma superioridade maior que a do Trovador,
Conjunto de Leis de um Sem Nome criador do molde, mote inicial
Da tração capital e estupenda, Inominado
Que faz jus à sua verdadeira condição, contra porcaria inusitada e
Imitadora que…
Que não sabe que o Sem Nome tem nome, por assim se apresentar aqui
No átrio grandioso do olho esquerdo de um Mendes de Nenhuma Vocação,
Olho a vigiar seu irmão à direita, a acordar e a ver, agora, um grito
Do único adulto e seus três meninotes aduladores, naquela
Mansão do topo, imitadores dos pedaços que formam um Braz, que
Mendes entendia como seu povo de fé, os homenzinhos disfarçados em
Rapazes, capazes de se juntar a formar um braZil, palavra
Demonstrada e demonstrando imenso vazio na pronúncia da larga
Extensão de uma nação, perigo tornado iminente pela sensação
A ser causada, e mãe das figuras ornamentais do castelo do Príncipe
Do Bairro do Morro, a lhes fitar, esperando a apresentação, e os dois,
Sem escolha, vão… E urge que quem primeiro fala é o Umbral: 

“Senhor, Alto, viemos para consagrar uma salvação à imagem de um fato
Que é a desgraça da terra do homem ao lado de mim aqui.”

O Príncipe apenas espreita, olho no olho, e ordena:

“O outro… Vamos, fales!”

Vai Mendes sufocado por tanto lugar fechado:

“Vim aqui assim a procurar o Norte e o Este que,
Dizem, habitam próximo daqui,
Para, deste modo, uni-los, talvez, e
Refazer o bem que não mais habita a minha terra.”

O Príncipe, criança sem inocência, ri:

“Besteira! Digas logo o que queres,
Invente, pelo menos, desculpa convincente!”

Mendes insiste, e não consegue
Mudar o contexto da verdade
Do que presenciara, nem era outra
Pessoa para mudar sua impressão pessoal
De tudo que lhe avivava a mente.
O Príncipe retira-se logo, e os dois são
Tratados como intrusos e, como tais, jogados
Num lugar nos fundos de um Palácio, numa
Espécie de cela sem teto, mas de altos muros
Ao céu nublado de um dia escuro, de costas para as questões de baixo,
Vão eles a um canto quase vazio e próximo a uma outra sala de audiências,
Prisão habitada antes apenas por um senhor de indefinida aparência,
De roupas sujas e sem calçados, de
Rosto trancado e de olhar desconfiado
Perante os dois estrangeiros que lá
Foram trancafiados com ele, até segunda ordem.
O recinto parecia apertado, e ia apertando o
Coração de um Mendes de Nenhuma Vocação
A temer um velhaco que mal olhava, mas
Queria olhar, sentado ao fundo,
Encolhido como um sapo cururu prestes
A lhe atacar e a lhe acabar com os últimos
Tons rosados de um viajante agora também
Desprotegido por um Umbral que não agüentava
Viver preso finalizando e, assim, abandonara-o magicamente.
O medo bombeava adrenalina e lubrificava os olhos
De um Mendes, e lubrificava suas sensações,
Tão sabidas a ponto de criarem impressões,
Impressas pela imagem criada, pelos sons escutados,
Digeridos, falados, pelo som ouvido, por um
“nhama”, “nhama”, “nhama”…
Mend’nada ficara muito pequeno,
Tanto que o Trovador resumira-o a nada numa intitulação,
Pois, na terra do papel do solo cortado
Em versos, o Trovador criava pelas palavras,
E por elas denominava, agora era a chamar
Mendes de Nenhuma Vocação de Mend’nada.
Treteiro! O velho era sabido, chamava, chamava, em preces…
Depois, olha praqueles olhos lubrificados intimidados, que
Diminuíam e eram engolidos pelo cristal sujo que mostrava seu futuro,
Que empurrava o corpo enferrujado,
Que acalmava, ante solidez de forma intencionada,
Um Mend’nada que estendia a mão que sangrava.
O ancião observa (ainda mais após o voo brilhante do Umbral abandonador)
E aperta, e confia:

“Sou José-dos-Pés-Quentes
Temente a tudo, agora reduzido a nada.
Saí num samba antes maravilhoso,
Maravilha na minha terra, e tanta
Que foi melando num melado doce,
E tanto que perdeu o gosto,
Desde tanto o desgosto.
Em terras cariocas, flui na rotina bela
Da nobre terra antes chamada Brasilis,
Do tamanho de nossa mente,
Que foi diminuindo, pelas vozes dos responsáveis por isto aqui!
Diminuindo e tornando-se esta cidade!
E foi abusando, não mais nobre nação,
Virou uma casa dividida
Num eterno rio de São Janeiro, um
Grande Rio que Seguia, grande vazio, esguio, pelas
Forças de longe…
Era todo dia, e vinha também, depois de décadas,
Bahia de baiana que abusara…
E vi que a minha terra estava sendo guiada em trilhos,
Marchando, mas marchando como trem sem rumo,
Resumindo-se a nada!
Tudo está como uma casa
Bem rotinizada, é da terra do clichê
Do Rio de São Janeiro e da Bahia da baiana
Que vai rodando e tonteando, casa dividida
Em horizontes limitados, a qual prefiro não pertencer…
É mais fácil de controlar para alguns,
É assim que continuo não mais sendo de pés quentes,
Esfriado pela tormenta que invadiu aqui, quando eu a comandar
Minha tentativa de convencer… que aqueles maneirismos não eram reais…
Falei com um, conhecido pelo som sonoro de ‘moleque’, e vi
Que estava numa Indústria irrigada por Grande Rio que Seguia que vinha
Trazendo para bairro oposto as Nove Baianas Reais…”

O velho não parava de sentir cheiro, cheiro
Do que quisesse detectar, cheiro daquela arma
Já tomada, e não parava:

“Sinto que tua arma era arqueada, que
Era composta pelos fios de vibração
Das mais fortes, da Nona Baiana guardiã de
Seu Forte, pelos cabelos daquela injuriosa,
Sei mais que sabes tu,
Sei, pelo faro de uma… Face
De um Melro Caçador, um de
Seus olhos de disfarce, sou parte
Dele, meu amigo, sou sem culpa como ele,
Sou, neste caso, ainda José-dos-Pés-Quentes,
E é nesse Forte onde poderás subir e chegar aos
Céus de um Olimpo, acima da sombra ocasional
Do Monte dantes do deserto – e manifesto-me na penumbra –
E nele…”

Mendes volta a ser de Nenhuma Vocação,
Mas não consegue falar, em meio a um entorpecimento
Do cansaço da viagem a qual não sabia que cansava,
Nem sabia ser real,
E ouve as trombetas de um céu agitado, e um tal de
José-dos-Pés-Quentes encolhe-se do outro lado, e mira
Para cima, apontando com os olhos.   
Sirenes ecoavam fazendo mexer a sopa servida por baixo,
José-dos-Pés-Quentes fazia das suas
Ao retorcer a realidade,
E Mendes imitava, intimidado, fraco,
Era uma invasão, e Mendes sabia que o velho sabia, sabia
Que era a hora da fuga, que o Umbral lhe dizia ainda e de alguma
Forma pela mente na esperança desmedida porém impedida de atravessar ainda
O portão de cálido olhar de ferro, que machucava, pressionava,
Diminuía o volume de um gás que escapava, gás bastante, e eternamente,
E aumentava a temperatura fazendo constante impiedosa pelo
Leito de um Anjo que acordava dos Elísios, um dos filhos de
Uma mente elevada pelo Trovador e pelo venerável Eliseu representante do Homem,
Era o céu a agitar-se como fumaça sulfurosa e rosada,
E nas sete cores, era o
Lixo que se retorcia lá embaixo a espantar-se assim e a fugir, eram
Os miúdos a galopar em seus cavalos de crack,
Vinha um Anjo glamoroso lá de cima das crinas arrebentadas
De um cavalo em que corríamos por um viajante reduzido
A  um fracasso, mas ainda bem cuidado pelo Trovador.
José-dos-Pés-Quentes deixa a reza e berra:

“Mazda!”

Mendes de Nenhum Entendimento entretia-se estudando
As formas louçãs de rolos graciosos de um cabelo vermelho,
Em olhos despretensiosos em olhares imponentes, mas de mãos impotentes
Ante a glória do Trovador, vinha em véu
Branco de linhas azuladas, como que vestido em outro Anjo de cabelos azuis,
Como que encarcerado por tanta Beleza pagã aos olhos dele mesmo, que
Se olhava pelas órbitas e via-se como ser humano tal como um Mendes.
Mazda pousa a uns parcos metros, tendo, aos pés, reflexo de olhos flamejantes
De interesse em escapar, mas seu interesse era Mendes, que se interessava
Na soltura do velho.
O Anjo fala, virando-se para os dois:

“Represento a grande mente trovadoresca, que admite ter errado.
Não sou como falsa santidade de toda gente dessa nação tempestuosa,
Nação humana de gente e em toda parte, pelo planeta.
Vim aqui a salvar-te, Mendes, sei que somos, e informo informalmente
Que sou como tu, pois te observei, e sei que queres como eu, e que
Somos como um só, que liga o homem a Deus, pelo canto trovadoresco,
Faço como tu desejas pela mente que lido e conheço, acato
A decisão de um vate como tu, mesmo sem a viola, e te devolverei o violão,
E levo o velho aí ao teu lado, e levo a tua vida
Com você junto.”

O Anjo transforma-se numa manopla que os agarra, e o velho encolhe-se…
Mendes sente ainda um desconforto atazanante: medo de altura!
Altura que mostra na visão lá de baixo,
Mesmo preso pelas tranças de uma nuvem trançada e forte,
Vê a prisão encolher-se, vê alguns seres-barris, roliços,
Fugirem apavorados, ninguém mais naquelas barras de um concreto amofinado,
Vai vendo o mundo encolher e sumir como um dos olhos, ou uma das espinhas
Do rosto da Grande Mãe, disforme em Beleza, de única filha que a decepcionara,
E o Anjo percebe as palavras, entre dimensões distantes…
Entre as
Diletas unções de uma junção de mundos incoerentes, do de cá,
Escutara o dito do vate escrito como igual a todos os outros, a todos vocês,
A ti, aqui a ler, a ler assim e a ver, a ver
A surgir o Monstro a ser acuado, único a ser forte o suficiente a
Destronar Grande Rio que Seguia,
Males de uma sociedade deveriam deixar de alimentar as águas
Daquele rio vaporizado e próximo das nuvens do Anjo Mazda.
Nem Mendes nem  José percebe, José fugira na hora certa, para longe,
Mendes logo veria o Monstro (nascido do Rio antigo),
Se não fosse antes perdido, inconsciente,
Nas garras da Feiúra de Nona Baiana tornada cantora distópica,
Nas garras da Feiúra naquela voz demente, é para onde
Vai Mendes, capturado, até a Capital, flutuante
Em suas nuvens, cheia de Estrelas inumanas, cheia
De pregas num céu corrupto!
Mas dera tempo, mesmo assim, ao Anjo dar-lhe a viola,
Escondida no olhar esconso de um Mendes, prestes
A tocá-la na hora certa, a tocá-la na frente
Do Rei ordenante do Príncipe frouxo! 



Autor: João Batista Firmino Júnior. 

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Equívoco sobre minha postagem anterior:


Quando eu usei o conceito de "moralidade" não foi num sentido restrito a uma religião, cultura ou tradição. Mas, relativo a uma noção de certo e errado que por vezes transcende esses sistemas, como uma "voz interior" ou "consciência".

Devo ter misturado os conceitos de "moral" e "ética" e causado alguma confusão em relação a quem quer que entenda "moralidade" como algo essencialmente religioso, por exemplo.


quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Todas as coisas são três coisas?

Pode parecer uma pergunta absolutamente confusa. Como posso dizer que 1 coisa são 3 coisas? Talvez comparando à ideia, vaga, abstrata, talvez até mal utilizada por aqui, de "estratégia-tática-operacionalidade". Mas, isso não se aplica, não há bem uma linha reta, vertical.

Vamos dizer o seguinte, para termos logo um texto mais curto: imaginemos uma maçã. Em um extremo ela é um nome e perfeitamente conceituada pela cultura vivida. Ok. É o ponto mais simples.

Já o ponto mais abrangente seria a maçã como um composto de átomos, genérica, inexpugnável, inacessível, ou ligada a um Imaginário.

E no meio: a maçã. Aquilo que tem serventia, para comer ou vender.

É como concebermos um rio para que possamos entender o Oceano (e, a partir disso, o nome e o conceito simplificado de "rio"). Somos finitos em nossa própria lógica como humanos, o que impede pensarmos o restante de todo o Universo como algo assemelhado à Humanidade; mas, ao mesmo tempo, há ordem suficiente, como um filete representacional e ao mesmo tempo prático desse mesmo universo inexpugnável, para que tenhamos nossa singularidade, nossa autoconsciência, nosso próprio campo de existência. E, de forma meramente auxiliar, o lado mais fraco: o nome usado e seu histórico de usos.


Autor: João Batista Firmino Júnior.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Reflexão: Entre “Poder de Fato” e Moralidade

Poder de Fato é o termo utilizado por mim para designar aquilo que não necessariamente precisa de um valor anterior ordeiro e honrado que se sobreponha à existência física de uma dada imposição ou “poder de império”. Ou, o único valor é o da sobrevivência/dominância. Não dá para dizer que simplesmente por isso algo seja transcendentalmente “correto”, mais “belo” ou mais “honroso”. A propaganda é feita por quem pode fazer. As coisas assim o são sem um elemento transcendental, salvo uma dada organização e um dado Sistema (“sistema” entendido como organismo vivo encadeado de elementos e vulnerável à entropia, ou tendência ao retorno ao estado inicial, que é o caos).

Daí, por esse entendimento, (infelizmente) os valores são criados depois e em função da dominação já existente. É como por exemplo dar uma justificativa que tenta parecer “moral”, e totalmente imposta, quanto a uma catástrofe natural – ou a uma série de crimes cometidos por pessoas e instituições. 

O “Poder de Fato” de setores da Humanidade, de nações, por exemplo, pode possuir algum tipo de “script” antecedente ou subsequente à tomada de um dado Poder concreto (que pode ser simbólico e material). Mas, se ele não transcende o “poder de fato”, é apenas uma "propaganda" ou imposição pelo discurso, se eu for considerar um conjunto de valores “em si”. 

Moralidade mesmo é algo em constante mutação (mas não ligada fundamentalmente, ao menos fundamentalmente, à mutação dos poderes tecnopolíticos existentes em dada civilização), de forma flexível perante uma essência ainda não descoberta que é absolutamente rígida, íntegra (que fique claro que tento não relativizar, mas demonstrar que a flexibilidade do mundo exterior existe em respeito à inflexibilidade do mundo interior).

Daí temos o seguinte, se é que consigo explicar: sim, um dado reino, país, império ou civilização, obviamente (pois sempre haverá algum), terminantemente se impõe através do que chamo desse “poder de fato”. 

O problema está apenas na corrupção do que são considerados valores (o que eu percebo, não é que o valor de uma civilização que se impõe pelo poder tecnopolítico esteja errado, mas é que quando está certo é apenas porque segue um bom-senso simples, uma ordem lógica perfeitamente compreensível pela maioria das pessoas desde que corretamente traduzido). O que são esses valores realmente? Eles transcendem e ainda estão a ser descobertos. Podem ter milhares de anos (se bem que a Razão vista em si é eterna, não tem início nem fim), sobreporem-se a/transcenderem  Impérios e Nações que vêm durando séculos, transcenderem toda sua força (não no sentido de “superioridade”, mas de preexistência conforme a liberdade humana de SENTIR o que é certo e o que é errado através de um raciocínio próprio).

Digo: Não há uma força mágica que determina o poder de um país. Existem sistemas e momentos. As coisas não são assim “desde sempre”, nem permanecerão do jeito que estão “para sempre”. Apenas uma moralidade que transcenda diferentes costumes, que transcenda as forças da natureza, poderá sair viva de poderes impostos que se acham como essas forças da natureza: desprovidas de moral (“propaganda” não é moral), mas providas de Poder, e seguidoras da lógica do “faço porque posso fazer” – um ditado que tristemente é usado para fundamentar e muito a falta de proporção de pensamentos e ações, a falta de razoabilidade e a existência da crueldade.

Um indivíduo fora da “festa do Poder” só pode realmente admitir para si que exista e que deva ser respeitada essa superioridade (que difere de “supremacia”, que pelo meu conceito é outra coisa) se 1 condição ocorrer (pois esse é o único poder, a moral, ou em última instância a Consciência, que resta a quem “está fora”): o convencimento pleno de que o que está no Poder é digno de estar nele, conforme não meramente em seus costumes, mas diante de algo que vá além de padrões e que fixe o que é ser humano enquanto espécie e o que é ser parte do Universo como entes.

Ou seja, explico:

Ninguém “obedece” ou é “condescendente internamente” simplesmente por medo da violência de um grupo, pessoa ou instituição que faça algo contra essa pessoa ou propague a intenção e o poder de evitar que outra coisa faça algo contra essa mesma pessoa. Faz isso –quando faz – se, e somente se, for convencida da DIGNIDADE e LEGITIMIDADE do que está no Poder. Em suma, isso se dá pelo:

1) Reconhecimento de sabedoria, decência, solidariedade, senso de proporção e racionalidade (um reconhecimento que se dá sozinho e em liberdade subjetiva);

2) “Poder de fato” em função do ponto 1;

Fui claro?

Autor: João Batista Firmino Júnior.

domingo, 13 de outubro de 2013

Reflexão:

Oras, ninguém lê isto aqui. Em língua portuguesa, com especificidades brasileiras no linguajar, e sobre coisa alguma.  Porém, vamos adiante.

Apenas queria falar das palavras que perderam o sentido (ou que nunca tiveram um “sentido integral”). Faço isso em meio ao espetáculo de parênteses que ronda por diversos textos deste blog.

O que é Mercado?

O que é Amor?

O que é Povo?

Fiquemos em apenas três palavras.

“Mercado” é um termo cujo coração é grande e generoso; aceito para qualquer afirmação na maior parte das vezes superficial ou pseudo-intelectual. Não diz nada, na maior parte das vezes que li ou ouvi (ou é apenas uma questão de ignorância minha). Trata-se de uma tentativa de, em alguns casos, meramente justificar o que uma pessoa ou instituição de poder deseja, sem necessariamente uma “grande razão” por trás.

“Amor” é um termo confundido com relacionamento em algum grau “marital” ou coisa do tipo. Confunde-se com “Paixão”. Não pode ser usado fora de um contexto muito delicado, ou ficará parecendo o que não deveria. Se tratado pelo seu verdadeiro significado (que sequer é absoluto), demonstrará que está mais próximo da razão que seu estereótipo.

E “Povo”? Normalmente, vejo isso surgir, esse termo, não como “o conjunto de pessoas que formam uma nação ou parte dela, ou entre-nações”. Vejo como um termo apropriado demais por qualquer um e por qualquer instituição. Sempre há quem queira ser “mais povo” que “todo o povo”. É uma forma de “afirmação por exclusão”. Quem não é “Povo” dentro de um determinado contexto que se apropria de todo o significado, não é “Povo”, não é nada – ou é menos, de segunda classe.

Há outras palavras, mas essas me surgiram mais recentemente.


(P.S.: o capítulo 6 daqueles “versos” que andei publicando por aqui ainda vai sair. No final, irá até o oitavo capítulo; daí, terminará de vez)

Autor: João Batista Firmino Júnior.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

O que é ser brasileiro?




É verdade. Pelo que percebo, apesar de sermos um país, não somos uma nação. Ser uma nação significa encontrar um grau de coerência e coesão, um "espírito comum" baseado numa tradição de várias gerações. Não me refiro à imagem do samba, do futebol ou da figura do anti-herói. Refiro-me a uma consciência de povo que não seja atrelada a regimes de Poder ou a partidos e ideologias.

Não sei dizer o que as pessoas sentiam diante dessa pergunta ("o que é ser brasileiro?") antes de 1964. Mas, posso inferir que a ideia era que "ser brasileiro" era servir ao regime. E isso se repetiu nos governos subsequentes, após a redemocratização, em graus maiores ou menores.

Hoje em dia, pensa-se que "ser brasileiro" é ser de um partido X, ou apoiar tudo o que ele faça. Uns entendem que "ser brasileiro" é estar mais próximo de um governo de Direita e outras de um governo de Esquerda (sendo que no Brasil nem tenho ideia mesmo do que é ser de Direita ou de Esquerda). Mas isso definitivamente é "menor" que um conceito de nação, que é mais amplo. Isso de Direita e Esquerda pode servir e serve a um conceito de GOVERNO, mas não de ESTADO. Lembrando que o conceito de ESTADO é produto do conceito de NAÇÃO. 

Somos mais um país, mais um estado ambulante tal qual um objeto com pernas e braços que anda para lá e para cá, que o espírito que anima e que é maior que tal objeto. 

E essa condição de não sabermos o que é ser brasileiro se repete quando ocorrem casos contra nossa soberania... por quê? Porque pensamos: "é a nossa soberania, algo que me envolve enquanto parte de uma nação ou a soberania de um governo cujo exercício eu concordo ou eu discordo?".

O que quero dizer é que certamente, ainda que desconheçamos, há Princípios anteriores e "maiores" que nosso apoio ou desapreço a determinados governos. Por outro lado, não podemos cair na armadilha de usar a ideia de soberania e de "ser brasileiro" de forma a participar da distorção de que devemos seguir a ideologia X para sermos brasileiros. É preciso certa calma e inteligência, certa frieza até, para tomarmos o devido cuidado de, ao defendermos nossa soberania, não degenerarmos à subcondição de tolos úteis, servindo aos interesses do grupo de Poder X, Y ou Z.

Enfim: o que é ser brasileiro? Se ainda temos dificuldades em saber o que é (e mais grave ainda quando achamos que sabemos, daí somos enganados mais facilmente), o que é até positivo (reconhecer essa dificuldade), tentemos ao menos pensar e agir como pessoas dignas, honradas e, mais importante que esses valores: auto-críticas (a fonte da maldade e da degenerescência está na ausência de uma adequada auto-crítica, está em acreditarmos que isso é para "fracos"), sem confundir com mera auto-depreciação sem solução.

Autor: João Batista Firmino Júnior.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

[Texto em tiras, não versificado, nada metrificado]


                          DOCE

Há mais naquela velha Mérida,
Mais mistério que odor;
Em alguma parte do interior
Daquelas matas próximas a casa,
Sua força permanecia silente,
Naquele dia árido de magia,
Quando por lá passou, pelo
Sul do grande México, os
Ventos vagos de uma Era.

Não adianta impedir,
É naquela casa verde de
Número doze onde reside
Há mais tempo que qualquer morador, um
Tributo àquela sensação estranha
No estômago, ao anoitecer,
Tributo à paz que se me insurgia
Em momento oportuno, naquele cômodo
Trancado,
Tributo à sensação de inquietação do mundo,
De um mundo,
Tributo à força silente que se busca
Naquela árida mansão verde,
Naquele verde que iludia minha visão,
Naquele verdadeiro deserto próximo
Que me atraía, isso sim, ao espantalho
Que trouxera de longe, ainda
A indicar-me suas distrações.

Mas eu me ia em outra maior,
Naquela força de fim de dia que
Se aproximava,
Naquele trabalho suado que terminava
Ao gravar tantos símbolos no papel,
Ao ver aquele Sol nascendo em outro mundo,
Ao ver a sombra do espantalho apontando
Ao lugar oposto,
E os vales distantes, bem
Distantes, daquela cidade e da casa de número doze. 
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Autor: João Batista Firmino Júnior. 

sábado, 28 de setembro de 2013

Breve Momento de Reflexão:

O que significa uma democracia plena? Democracia plena não é feita apenas com votos em um determinado candidato ou candidata. Claro que há projetos de Poder de diversas características e que incluem diversas interações, mas entendo que as coisas são 99% de baixo (e do "meio") para cima (ou para si mesmo, de baixo para de baixo e da classe média para a classe média), enquanto 1% é "de cima para baixo".

Milagres não acontecem.

Democracia plena faz-se através de:

- Unidade reconhecida/Coerência/Harmonia entre diferentes sistemas fechados de um país (sindicatos, regiões, conselhos, partidos, tendências ideológicas dominantes ou não, identidades, agrupamentos religiosos, clubes, grupos de funcionários da Alta Administração, grupos de industriais, grupos de latifundiários, grupos de agricultores, esfera midiática, classe média e suas subdivisões conforme encontro dessa característica com outras que a tornam ligada especificamente a uma região ou zona urbana/rural, classe média baixa, classe alta etc);

- Momento tanto do que é interno à coalização de cada sistema fechado como momento do que é exterior (não apenas o que é exterior ao país, mas a cada sistema, podendo ser algo do próprio país mas não necessariamente pertencente a um de seus grupos majoritários ou não... refiro-me às situações que fogem de quaisquer classificações);

- Habilidade de conservação do "momento" (sem confundir com conservação de políticos, pois me refiro apenas ao conceito geral e abstrato de "momento" e não "pessoa-momento");

- Normatização de procedimentos contra a Entropia (uma palavra estranha que, a meu ver, refere-se à tendência de algo "seguir adiante", dar errado, tornar-se sua forma original, que é o caos).

É isso.


Autor: João Batista Firmino Júnior.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Momento de Reflexão:

Nós, brasileiros, somos muito passionais. Da maneira errada, na proporção errada e acho que sempre no contexto mais inadequado.

O comportamento passional é a essência do patrimonialismo.

Autor: João Batista Firmino Júnior.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Momento de reflexão:

Site de rede social, fórum, etc, deveria ser visto "de certa forma" também como estar à frente de uma câmera ou de um microfone, cuja mensagem será retransmitida para muita gente.

Por isso o estresse.

O indivíduo escreve qualquer coisa e não percebe que deveria estar escrevendo ou pensando apenas para si mesmo, sem publicar. Como um roteiro próprio completamente inadequado para a Internet.

Penso que um campo de interação social via Internet, sob a forma de um site, por exemplo, deve ser usufruído sempre de forma objetiva (e não apenas algo com "aparência" de objetividade, mas objetivo na essência).

Se o assunto for polêmico (ou não for, mas sua abordagem o for), e se realmente houver algo que deva ser escrito e publicado naquele meio, mesmo tomando parte de um lado é preciso evitar chamar a atenção errada.

As partes mais temerárias devem seguir se digladiando sem a presença de quem realmente entende a amplitude e importância de ter suas opiniões ou interpretações publicadas (e isso independe de você ser a pessoa que sabe mais ou que sabe menos sobre o assunto). Quanto às pessoas que sobram ou estão aparentemente mais calmas, deve valer uma discussão mais precisa e cuidadosa - sempre com a cabeça tranquila e tendo conhecimento de certas questões legais antes de colocar algo no "papel".

Autor: João Batista Firmino Júnior.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

[Mais uma continuação]

5- DA PESTE DE MATA FAVORITA DO ALIADO PODEROSO  

Nem era noite nem dia
E havia luzes naquela floresta úmida que, de dentro,
Apontava à corriqueira senha da
Entrada de um antro por onde ia…
Ia pela via torta dos pés certos do
Seguidor dos passos de um bêbado,
Na indefinida atmosfera que confundia, e
Os que caminhavam lentos, nos pés
Do Braz, de olhos quase fechados,
Sem bichos ao redor de um centro
Calcinado por acidez da saudade de uma arma,
Centro da boca do estômago de Mendes
De Nenhuma Vocação.
A mata começara numa visão sobre a esbelta
Terra de esmerada bem-feitoria
Acessada num fim de um corredor alto de rochas.
Mendes ia passando o olhar vago e vendo o que não olhava
A surgir traços de um riso de quem desperta de uma senilidade,
Caindo em outra,
Vendo as linhas ondulantes do que reflete a Lua num rio
Caçador forte, que caça o canto de um dos legítimos
Voadores, mais aves como de nomes estranhos
E aparência ainda mais espantosa.
Elementos de espécies distintas param,
E Mendes é o único que procura,
E Braz reaparece totalmente envelhecido e
De olhos bem arregalados e berrando ao rio:

“É curto o caminho!”

E a voz esganiçada ressoava naquelas ondas causadoras
De ventos que arrebentavam os tímpanos de Mendes,
Que ficava meio bambo, pássaro tonto a
Grasnir:

“Rio de nada! Abre-te!”

O velho Braz eleva a asa aos olhos de um Mendes,
Coça uma canela fina com o bico e mostra que não confia, agora sério,
Na ação de um falta de vocação, que não esconde a surpresa;
O velho agarra-se a um instrumento arqueado, de cordas,
Aos fios dos cabelos de outrem rara e majestosa,
E toca ao rio de nada, que encolhe as ondas,
Mas que não se rende e
Tira suas mãos do fundo da base de um ciclo,
Que tira as chuvas
Barradas após correrem nas nuvens,
Desviando-se do que é varrido com força
E impedidas pelo monte oposto, quando voltadas;
Agarra a Mendes de Nenhuma Vocação, a sugar-lhe, ao fundo,
O sangue de um guardião,
Ante um Braz assustado, velhaco parado.
Mendes nunca vira o fundo azul do toque colorido
De freqüência luminosa da noite, de plantas ao fundo,
Impercebíveis a olhares
Ininterruptos que iam estabilizando
E fazendo ver, daltônicos;
Mendes via o semblante brabo do rio, assistente do ente que seguia
Bravamente, fazendo um pobre perder seu sangue fervoroso,
O rosto feio engole a truta, sem saber ser ela espinhenta,
Rio atacado ao toque lá de fora que emergia dentro em
Ondas de vento marinho, e o rosto do rio cuspia
Antes de dizer, e era, o cuspe, isto:

“Ainda não é agora, pau podre de nossa outra parte!
Não é, mas ainda virá o momento, mesmo não a agir em pé, direto,
Virão aliados demais a suprir-lhes o coração do peito,
A enterrar de vez terra que causa inveja ao meu governo,
Chefe dos rios que encharcam o trigo que não alimenta
Mais, ante ódio moribundo, solos de fogos-mortos agora,
Que não me alimentam.”

Depois diz Mendes, com todas as palavras, e logo após, este último dito,
Ao lado do velho calado, devolve:

“Não reclames mais, corrente insignificante!
Vejas o significado da terra que te dei, e que
De novo cresce em mim, terra que te alimentas.
E mais motivos para nos deixar em paz!”

O Rio de Nada fica mudo e abre passagem ao
Outro lado, tornando-se raso; transferindo o ódio
Que mata as produções nunca antes pio, do bico
Da boca da ave
Na outra margem, o velho a tranquilo sorri mesmo ao
Seu doloroso alquebrar, como dizia Braz quando a pilhar
O conto de suas dores, em termo que mostra melhor à
Mente inventiva imagem mais forte de ossos fracos a ranger
Mendes também,
A saudar a saudade na pena sua, de si mesmo,
Que se encolhe a tudo estranhar
Na mesma ordem do agouro novo das pegadas que fazem Braz
Abrir de novo as asas a dizer, horas depois, antes quase do descanso:

“São dele! São as marcas de um marcador ainda cego,
São dele! As formações de altos calcanhares de um
Aventureiro numa realidade de absolutos montes que observam
O fundo do meu Sem Nada, a fantasiar o aqui e agora, narrador
Que nos escreve,
São as pegadas do plano ao lado, de um tal Cristóvão descobridor,
Tão comum como um Silva,
O homem nos deixa, e aproveitemos um fio de sua substância,
De sua esperança, a que devemos nos agarrar.”

E não era só isto, havia uma clareira de um clarão na
Casa acampada naquela solidão, do velho Braz
A cantarolar versos de um Cristóvão, pai do molde de seu
Corpo, e de um Louco ao cenário, mãe de sua mobilidade impecável.
Era tarde da noite, na casa ao relento, onde
Mendes pegava o repelente do medo do desconhecido fazendo-se
Conhecedor dos mistérios de novos horizontes, trazendo frio
Ao estômago.
Braz havia saído recentemente, aparentemente
Sem vintém, em busca de comida perecível em terra braba
De galhos tortos, enquanto
Mendes tremia como esses galhos, ficando torto como
O campo que lhe rodeava, e a casa maior que a área da
Luz do candeeiro, que lhe cobria a vista e escurecia,
Casa de um só cômodo onde presente via-se o incômodo
De passos próximos à porta do túmulo, naquela casa, de um destino
Daquele viajante esquecido por seu povo, guardado em si.
A porta é aberta, era o velho, dentro do seu casaco,
Com suas canelas descobertas, seu
Rosto de cabeça pequena e envelhecida, e suas
Mãozinhas desconexas ao corpo fino e comprido demais,
Que deixava um Mendes ao léu de sua falta de coragem
De mirá-lo um pouco mais,
Braz não senta, chama-o
Com uma voz baixinha em seu corpo
Trêmulo ante o vento de fora, do céu nublado;
Uma coisa a ser revelada, atraía a atenção de Mendes
Ante suposta solução do enigma lá de trás, e este segue-o,
Passam longe da casa, com o candeeiro iluminando
A traseira, esquentando a surpresa na mata dos sons
De origem duvidosa a ressoar, vitimadas pela resolução de outro enigma;
Param, então, e sentam-se assim com como se tudo fosse calmo e calados,
Frios… enquanto batia demais o coração de Mendes,
E o Braz inicia como velho:

“O tempo manga demais de nós,
Tempo que fazemos sempre,
Em que estou aqui a ajudar-te e,
Não deixa de ser, prepará-lo, e
O convívio vai indo simplesmente, vai bem,
E vou te revelar, perante sapiência a ser provada
Agora pelo controle, se tu passas ou não à última
Prova de meu convívio… Espere
Um momento.”

Estava ao lusco-fusco o rosto daquele caminho
Seguido por Mendes de Vocação Duvidosa;
Braz levanta-se maravilhosamente num salto e
Começa o ato de tirar o casaco grosso, e Mendes vê
E vai, aos poucos, quase cuspindo, ou destruindo com
Os dentes, o objetivo de sua pátria, ali mesmo,
A transformação ia sendo feita, aos poucos;
Mendes dissera-se preparado e fazia jus a um
Quase despreparo inicial, por esbugalhar seus olhos adormecidos
Ante detalhes que ele normalmente não percebe.
A mãozinha esquerda ia fazendo bem o trabalho…
Revelando um monstro!
Monstro fino, de seis mãos, de três
Troncos, bem montados, naqueles rostinhos
Envelhecidos como crianças em aparência senil,
Um pequeno ser montado no outro, e sempre a todo dia,
E era explicado, a mudança estranha de um Braz desgraçado
Em seus seis olhinhos nas feições risonhas, quase a cuspir suas
Três línguas salivadas, de tanto rir,
Eram três seres!
Três seres que iam descendo um
Do corpo do outro e,
Com o casaco ao lado, mostravam-se interessados em
Fitar o paralisado Mendes assaltado pelo terror…
O homenzinho que fazia a cabeça do Braz diz:

“Psiu! É segredo, não conte a ninguém!”

Os outros dois concordam, o viajante engole o
Centro de sua pátria, ao cuidado do bolsão gástrico a
Ferver de ansiedade vista após o pânico, a acostumar-se.
Os três montam-se de novo, e Braz retornava a falar
Com Mendes, com o candeeiro das ilusões, a impedir que se
Veja um disfarce, iam rumos à casa do sono,
A um futuro planejado, que Mendes já sabia, e de onde
Pela manhã partiriam.
Foram sonhos inexistentes que habitaram um Mendes,
Recentemente, e agora sim, testado em seu controle;
Que acorda ao amanhecer, sem ver
O Braz que lhe acompanharia à cidade
Mais próxima,
Sai assustado de casa, com sua bagagem sem a viola bela,
Centro de seu tudo, e ele tão longe dela, parte do calor de
Sua pátria…

Uns sons que acordavam os pássaros, surgiam,
Eram de um rapaz que aparecia, era um Braz cego querendo falar,
E informa:

“Você! Tenho notícias de dois grandes seres importantes,
De teu pai Quaresma e de um tal Murilo, que deverão
Surgir, fantamasgóricos, agora, apontando
A cidade certa, a que seguiremos, local onde te
Deixarei!”

Da marca daquele chão imperial, marca do sangue
De uma chaga de um Mendes,
Do Grande Rio que Segue, surgem os dois velhos
De sua gente, surgem
Como da última vez que foram vistos,
Surgem como iguais, não como aparições,
E, à surpresa do homem Mendes, Quaresma comunica logo:

“Vemo-nos mais uma vez, é a última, e falo-te
Rapidamente que  nossa terra inexiste agora, somos
Só nós aqui representados em ti, faremos com
Que seja rápido e, para isto, o Sem Nome ajuda-te, ajuda-nos,
Não com um Braz, mas com o Dia, a Noite, e o Umbral,
Este último será a única parte do Braz a acompanhar-te
Em direção a uma cidade grandemente i
Importante, fundada por um
Nosso antepassado,
Fundada por Janeiro, acompanhado
Por sua filha, desaparecida de nossa terra e de todas
As outras…
É a cidade de São Janeiro, amiga - e cuidado - do
Grande Rio que Seguia, amiga na burrice,
Terra que já foi nossa, primeira perda,
Terra de nacionalidade que é sempre alma de um negócio,
De pátria fabricada para venda rápida de uma imagem sempre
Submissa da Capital, e que se acha melhor, e que é constante típica
Da grande nação vazia, como cegueira de um homem de olhos
Nunca usados.
Segues para lá com o Umbral,
Partirás bem, mesmo sem tua arma, levando
A ávida paixão (nova viola, violão, coisa material ou não),
Emprestada por um Braz que
Se divide agora, como um pássaro que
Te levarás rápido, em instante incomum,
Para a cidade.”

Somem os dois, Murilo ainda acena…
Imediatamente, uma das partes de um todo, num
Relâmpago, pega Mendes com força e o leva
A uma terra de constante guerra.

Autor: João Batista Firmino Júnior.