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domingo, 1 de junho de 2014

Acertos e Desacertos - entre o academicismo e o mundo lá fora

Recentemente, postei sobre um ebook que fiz e foi lançado. Falar disso demais é irrelevante. O que interessa é apresentar o que aprendi e o que pode servir para outros sobre o que aprendi. E, mesmo assim, falo do horizonte geral, e não de uma dissertação em particular. Começando sobre ela: vi que não se deve ser apressado, nem ignorar a ajuda de um bom revisor. Falhei nesse aspecto.

Acertos e desacertos vão além disso. Afinal, um blog não serve para meramente falar comigo mesmo - mas, para comunicar. Vou tentar, então, comunicar.

É possível seguir um determinado caminho de vida, mais especificamente profissional - ou, simplesmente, acadêmico. Isso é feito, ok, levando ao que produzi, por exemplo. Mas, uma coisa totalmente diferente é medir, é qualificar, é entender como funciona o mercado local de uma dada profissão.

Academicamente, o mundo parece mais simples - ou com menos variantes. Ainda que o conteúdo exato de uma pesquisa, bem como seu "saber fazer", envolva muitas variantes, há um processo de idas e vindas mais comportado, na minha visão. Entretanto, o mesmo não ocorre com o campo profissional do "mundo lá fora", muito mais irracional, muito mais ilógico e muito mais recheado de subjetividades e arbítrios de determinados personagens e instituições-chave.

Tudo bem que um pai queira que seus filhos façam aquilo que eles gostem, mas é preciso alguma orientação no que diz respeito ao mercado. Uma coisa é o sonho e a teoria, o que é ensinado numa universidade; outra coisa é como o mundo se comporta no que diz respeito a determinada profissão. Antes de fazer um curso, é necessário tanto ter conhecimento sobre o ritmo dos estudos na universidade como sobre a realidade das ruas.

Isso, ao menos, evitaria mudanças de profissão. Não mudanças por você ter trabalhado e não ter gostado, mas por não conseguir sequer começar a trabalhar no que tem em mente e/ou não se sustentar. Isso obriga à mudança de profissão, caso se queira ainda fazer alguma coisa para se ter uma vida.

Vamos dizer que toda a sistemática capitalista da minha cidade, relativa à determinadas atividades profissionais, ainda é pobre. Há oportunidades, mas há dois problemas: oportunidades menores que concorrentes; escolha irracional sobre esses concorrentes e sobre quem vai ser contratado (ou obscuridade no processo, afinal, fala-se tanto em competência, mas tão pouco no tal foro íntimo que a "encontra").

Além disso, que visibilidade se tem?

O que interessa é que, para ser funcionário público, ok. Funciona. Consegue-se uma vida. Para ser pequeno empresário, também ok (apesar de arriscado para quem não tem dinheiro ou algum tipo de segurança). Para atuar como técnico de qualquer coisa, claro que funciona, claro que há mercado aqui em minha cidade. Mas, para ser pensador, tendo-se uma formação em ciências humanas, parece ser tudo mais difícil - no que diz respeito a arranjar emprego em determinado lugar.

Não se valoriza, nesse "mundo lá fora", o sujeito de Humanas. Em parte, há razão nisso. Ainda somos um país que necessita mais de infra-estrutura, administradores e auxiliares, pedreiros e médicos, técnicos em geral, que de alguém que vá ou dar aulas sobre assuntos abstratos ou, considerando uma democracia pobre no mundo das localidades urbanas do Brasil profundo, exercer o jornalismo.

Sistema oficial de estágios? Nem pensar. Que se trabalhe de graça para, através de uma série de fatores subjetivos, arbitrários e abstratos, conseguir-se um emprego precário. Mais do que isso só com boas relações, um sobrenome, politicagem, por aí.

Em geral é isso. Academia, curso, ritmo de aulas, pesquisa constituem uma realidade; a outra, a que envolve um salário no final do mês, ninguém ensina e poucos aprendem. Se a democracia e determinados mercados em uma dada localidade, e em uma dada época, são pobres, há três tentativas possíveis: mudar de profissão, mudar de lugar ou mudar "o" lugar.

O terceiro é o mais difícil. Nesse ponto recorro à ficção-científica, à psico-história de Sheldon. O que interessa sobre essa conexão que faço é que não são bem indivíduos que mudam realidades coletivas; mas realidades coletivas que, uma vez em mudança, permitem que indivíduos se sobressaiam e façam algo de destaque (ou seja, não há reais revoluções "de indivíduos para o mundo", mas uma espécie de oportunismo que muda pequenas ondinhas mas não o fluxo geral do oceano, que, no final das contas, é o mesmo "aguaceiro" independente de quem e de como, e de quais ondas serão feitas ou para cujo sentido seguirão).

Então, basicamente, digo a quem for se graduar em algo: se quiser simplesmente um trabalho, vire um técnico ou passe em concursos públicos; se quiser um sonho, mas sem emprego, faça um curso de conteúdo "abstrato" ou cujo ofício seja pouco aproveitado num local de pobre democracia; se quiser os dois, seja criativo e aproveite oportunidades que, para a maioria, passam invisíveis.

Assinado: João Batista Firmino Júnior.


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