Até onde vai a existência?
O quintal de uma casa tem um limite. Do limite, uma noção de exterioridade capaz de olhar para o interior da casa.
Uma cidade tem os seus limites. E é possível enxergar a cidade posicionado um passo antes de seu limite máximo, por exemplo.
Planetas terminam. Não necessariamente por limites cercados. Na lógica de um planeta como o nosso, e imagino que na de qualquer outro, você pode andar e sempre voltar ao mesmo lugar. Para sair, é preciso mudar toda a lógica, enveredar por outra dimensão. Por exemplo, subir, subir muito. Daí, nesse caso, sim, o lado exterior.
Seria assim também com este universo?
Como uma esponja enrolada em si mesma, a impressão de diversos universos. Túneis que passam por túneis e nenhum cercadinho delimitando um limite óbvio, um fim.
Por mais dimensões a que se recorra, sempre voltamos a algum estrato do multiverso (ou do universo "desdobrado" de tal forma que mais parecem muitos). Como "sair" do multiverso sem recorrer a outro universo?
A criação é um discurso prolixo, cheio de buracos que levam a partes do próprio discurso, sem nunca uma saída absoluta, indo além da dicotomia entre o finito e o infinito. É um finito com infinito, e um infinito com infinitos finitos. Complicado, não?
Não há um cercado, um lado de fora. Mas, também, podemos dizer que, por não haver esse cercado, não há um lado de dentro. Em última instância, a criação nada mais é que a consciência - o resto nunca existe em caráter absoluto. A consciência liga as partes e dá corpo aos espaços entre objetos, bem como aos próprios objetos.
Penso que, quando se anuncia que Deus criou o universo, eu diria que Ele criou a consciência. O universo, e qualquer uma de suas formas, nada mais é que o próprio pano de fundo irrelevante SEM a consciência. Seja essa consciência nossa, de alienígenas ou de Deus, o que importa é o "ser visto" (metaforicamente falando). Tudo precisa ser reafirmado, nada é abrupto. Sempre há uma margem de manobra.
Um átomo. Ele existe por si e, simultaneamente, é um conceito "particularizado", concretizado, tornado físico e quase táctil, por assim dizer. Ele, por si, não faz parte de um sentido de coisa criada por Deus. É parte de um pano de fundo. A criação, de fato, só tem sentido quando dá sentido a tudo. É por ela que se diz que algo foi criado.
Em suma: se algo foi criado, por Deus ou pela Natureza, foi a consciência - o que não quer dizer que as coisas não existam ou que não ocorram fenômenos só porque não os vemos. Eis o verdadeiro milagre.
Respondendo: só se "sai" do universo perdendo a consciência.
Assinado: João Batista Firmino Júnior.


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