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sexta-feira, 20 de junho de 2014

Ter opinião?

O normal é não ter opinião. De forma alguma ter algo dessa natureza. Ou: o normal é viver sem saber a opinião que se tem.

Sem opinião, por outro lado, o sujeito não se fiscaliza. E se, eventualmente, vier a tentar esboçar uma, acabará por se contradizer - afinal, não fez antes a reflexão necessária para chegar a um posicionamento.

O início disso parece começar na escola. No nível fundamental, talvez. E isso com variações diversas.

O espectro político das opiniões ainda no campo escolar, antes do universitário, ainda transita mais por uma espécie, vamos dizer assim, de progressismo politicamente correto que continua misturado com uma espécie de "bom senso" popular.

O "bom senso" popular vem de uma percepção mais direta das coisas, sem tantos freios. Vem de casa, da rua. Na escola, com professores de determinada orientação de pensamentos, começa a tentativa de "reeducação" do pensamento. Ensina-se a "ter pensamento" e não tanto a "pensar".

Dizem, também que, na escola, há uma tendência ao regramento ideológico. Como uma preparação para o que virá a seguir em termos de estudos. Claro que com variações.

Em meu caso específico, o que me lembro hoje é de um peso maior no que diz respeito a nem chegar perto de apreciar o que seria uma "cultura americana/norte-americana/estadunidense/relativo aos EUA" e qualquer coisa feita por esse país.

Não recebi o pacote inteiro, creio. Apenas a questão "antiamericana" se destacou. Mesmo assim, com um peso relativo. Não observei nenhum tipo de castigo por não se pensar de forma detalhadamente assim. No máximo, a subjetiva ideia de que não pensar assim é não ser um sujeito crítico da realidade. Mas, entendo que críticas são feitas mais com dúvidas que com soluções. Questionar algo de uma ideia ou opinião sim, questionar apenas retoricamente para expor (e impor) uma visão de mundo, uma resposta pronta? Esse sempre foi um problema. Porém, um problema geral.

Da mesma forma, não me deparei com nenhuma "caricatura ideológica" em sala de aula ou onde quer que fosse. E, caso tivesse acontecido, iria dizer de uma forma cuidadosa. Havia, sim, personalidades de diversas disposições. E só.

A escola é capaz de ser espaço para debates. Ocasionais, mas, ainda assim, uma forma de exercer algum pensamento. Só advirto que "exercer o pensamento" não é pensar necessariamente o que alguém pensa ou o que alguém deseja. É esquadrinhar um dado da realidade, um fato, passando por suas partes constituintes até suas aplicações e surgimento de novos fatos e dados da realidade subsequentes.

Havia a necessidade, após uma redação, de ser elogiado. Elogiado tanto na estrutura da escrita como no conteúdo, na ideia expressa. Quanto à estrutura da escrita, tudo bem; mas, quanto às ideias, elas têm que ser cautelosas e, provavelmente, só serem categóricas quanto a elementos muito fundamentais da realidade, quanto à verdadeiras obviedades (fora dos preconceitos, como demonstração de como são as coisas em termos "2+2=4").

Em suma, eu posso ter desenvolvido pensamentos antiamericanos, para dar um exemplo, não por mim ou por alguma experiência de vida, mas para parecer certo.

Anos depois, em busca de ter opinião, cometi o "outro lado" da mesma tolice: tentei ser pró-americano. Não por base em minha experiência de vida ou qualquer coisa mais profunda, mas para demonstrar rebeldia. Foi uma coisa minha, mas que não partiu de uma análise real - partiu somente de meu ego. E, estruturalmente, tal texto, intitulado "América Necessária", foi amador para o grau acadêmico a que me propunha conquistar.

Um tempo passou, e vieram as redes sociais. Eu não pensava, provavelmente, em nada que agora me lembre. Nem copiava as coisas da televisão, nem refletia o suficiente.

Hoje, há, pelo menos um fato e diversas opiniões possíveis. O fato está no valor do indivíduo, este que é a maior das minorias e a que mais merece proteção. Não é o indivíduo como alguém que se sobreponha e escravize os outros; mas, o indivíduo como "cada um", adulto e responsável, capaz de conviver e de saber fazer em meio ao seu único habitat saudável: a democracia.

A partir da força da individualidade, tanto o excesso de estado como um monopólio capitalista são elementos a serem combatidos. Não interessa uma empresa supremamente maior, nem um estado absoluto. Interessa um estado que funcione, sem precisar tomar conta de tudo e de todos. Se funcionar, está ótimo. Interessa uma empresa que funcione em meio à sociedade, às sociedades e às outras empresas. Sem puxar o tapete de ninguém.

E as coisas, em si, necessitam de uma metodologia e de uma honestidade para ser avaliadas. De alguns pressupostos lógicos, elas necessitam:

1) Ao apontar algo ou ausência de algo, esse algo ou ausência de algo tem que existir e ser provado;

2) Ideias são atacadas, e não características muito particulares dos debatedores (a não ser formação específica e certos exemplos que balizem as ideias);

3) O debate parte do princípio de que os debatedores são pessoas que representam determinadas ideias e não categorias abstratas que permitam desumanização.

Para terminar, friso: opiniões existem várias e mudam constantemente, mas nunca se mudará o fato da importância do indivíduo e sua individualidade. O poder não deve ser para um grupo; para um partido; para um banco; para uma corporação; para uma pessoa; para uma família; para o povo enquanto massa abstrata a ser tutelado justamente por um grupo, partido, banco, corporação, uma pessoa ou família. O poder deve ser para o indivíduo em toda sua individualidade. O poder geral, que comanda uma nação, deve partir de cada pessoa em sua realidade, sem abstrações.

Democracia é isso: não há Direita ou Esquerda como definidores de toda a realidade política; o que há é Democracia real (e não retórica) e Autoritarismo.

Enfim, aprendi algumas poucas coisas, ou, talvez, não tenha aprendido nada, a não ser tomado conhecimento do único fato que me parece relevante até agora sobre política. Não se discute com mistificações, mas com cada um.

Assinado: João Batista Firmino Júnior.

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