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segunda-feira, 9 de junho de 2014

Como um brasileiro vê o mundo?

O brasileiro sou eu.

Primeiro, parto do princípio de que a própria brasilidade é um conjunto de elos entre diferentes nações que formam o próprio Brasil. A partir disso, visões diferentes por localidade.

A internet, efetivamente, ajudou a mudar as coisas. Antes, havia mais caricaturas sobre o mundo. Por exemplo: tenho a impressão de que o México só era enxergado pelos brasileiros a partir de uma lente norte-americana. Não havia um peso tão forte numa visão direta Brasil-México, mas um olhar sobre como os americanos viam o México para, copiando esse olhar, nós víssemos o México.

Vamos à questão, começando pela América Latina. Há um senso de diferença entre a pseudo-homogeneidade com que poderia enxergar a América Hispânica (e de outros países de fala não-hispânica e não-portuguesa, mas que estão na América Latina, geograficamente) e a variedade interior ao Brasil.

Não só o português daria o senso de diferenciação entre brasileiros e demais latino-americanos. Haveria certas particularidades, que revelariam a maior delas: uma ideia preconcebida de que só aqui haveria profundas diferenças regionais. Isso, como tento dar a entender aqui, parte de mim (já que não entrevistei brasileiros, nem ninguém).

Realmente, como o mexicano, o colombiano, o peruano, o argentino, enxergam a ideia de Nordeste Brasileiro? Como eles enxergam a diferença entre estados do Norte Brasileiro? Como eles compreendem diferenças entre o Rio de Janeiro urbano e o Rio de Janeiro rural (que nem eu mesmo entendo)?

E Brasília?

Não posso falar do não entendimento dos outros sobre coisas do Brasil que nem eu entendo.

E a Argentina? Quantas Argentinas há? Nem tudo se resume a Buenos Aires, mas parece que, no Brasil, só existe esse lugar na Argentina. O resto é como se não existisse.

Qual a visão brasileira do Uruguai e do Paraguai? Sei que, no caso do Paraguai, costuma ser uma visão fechada em aspectos negativos e pequenos.

O que entendemos sobre a Venezuela antes de Chávez? Quais as principais notícias da Venezuela durante a década de 1980?

Não sabemos (ou só eu que não sei).

México. Como o Brasil vê o México depois de um primeiro momento pela "lente" dos filmes norte-americanos? Talvez tenha ajudado o programa humorístico do Chaves, do Chapolin, e a primeira e original versão dublada da novela Carrossel. Para um círculo menor de pessoas, as descrições, as cenarizações, as ambientações e a experiência de vida presentes nos livros de Carlos Castañeda.

Canadá. Como o Brasil enxerga o Canadá? É como um "Estados Unidos" complementar, porém mais calmo e frio.

E os EUA? Vemos os EUA como império, como concorrentes, como magnânimos? Vemos os EUA apenas composto por um povo anglo-saxão, ou vemos os EUA também como diversos povos naturalizados e descendentes de imigrantes das mais diversas etnias?

Os EUA são a Califórnia, Nova Iorque ou o Meio-Oeste? Como é essa visão no Brasil? A minha pode ser longa, não cabendo neste espaço. Creio que, apesar de uma base anglo-saxã, os EUA cada vez mais se revelam como uma ideologia (ou um "espírito") própria, além de qualquer formação ideológica criada na Europa... um país que reúne, em alguma consonância, diversos outros povos, formando um espírito comum que, milagrosamente, parece "funcionar". Talvez o único país destacado por ser multicultural que tenha dado muito certo, sendo que há um tempo sua imagem de "monólito puramente anglo-saxão" tenha mudado.

A Europa. Temos consciência, tal qual sobre os EUA e seus filmes, da Europa Ocidental. Ainda que muitos de nós não saibamos delimitar qual país faz fronteira com qual. Sobre Portugal, creio que hoje em dia haja uma visão um pouco mais rica que na década de 80 ou antes. Também há muito sobre Espanha e Itália que vêm das notícias sobre jogadores de futebol que lá vivem.

Não acredito que tenhamos ainda uma visão clara da Europa Oriental ou da Rússia. Nem da África, que ainda vemos como se fosse tudo uma coisa só. Há alguma coisa sobre o Oriente Médio e Japão. E, mais recentemente, mais notícias sobre a China (ainda assim, de uma forma fechada, objetiva e homogênea).

Acho que nós, brasileiros, não conhecemos o mundo. Ainda seguimos certo grau de estereótipos. Parece haver uma confusão étnica com o termo "gringo", que para mim nada significa realmente. Uma proximidade com o Japão, com Portugal e com a Itália, devido aos imigrantes e à colonização lusa. Uma visão dos EUA que parece só ter tomado forma a partir da Segunda Guerra Mundial. Uma visão da Rússia e do Leste Europeu vagamente provinda, e generalizada, das décadas da Guerra Fria. Recentemente, algo da África do Sul como algo em específico, individualizado em relação ao continente.

De qualquer forma, uma coisa é certa: o Brasil profundo ainda me parece enxergar o mundo de forma equivalente aos estrangeiros que confundem o continente onde o Brasil está.


Assinado: João Batista Firmino Júnior.

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