
segunda-feira, 5 de maio de 2014
Apenas mais um ano. O que esperar até dezembro?
Bem, a continuidade de nossas fraquezas.
Penso que, diante de toda essa massificação das coisas prontas, das ideias e dos sonhos dos outros preparados para cada multidão, a única coisa que "salva" é cada um, individualmente - aliás, a única coisa que não piora ou não torna ainda mais desagradável, mais decadente o que já existe.
Muita coisa precisa ser reformada no Brasil, e eu não sei a maior parte delas. Sendo as que sei, apenas algo superficial, sem especificações. Porém, o que subsiste é a ideia de reformar o que já existe ao invés de destruir tudo e esperar que, com isso, esse tudo venha a se resolver.
Este ano traz diversas pautas, e é o que realmente importa para qualquer "inventor" do cotidiano, e de qualquer seguidor desse fluxo. Mas, talvez, em um limite bem particular, possamos, diante de tanta exposição, eliminar 99,99% das obsessões, dos excessos de pensamentos, de toda loucura ou pesadelo que se demonstra através de uma variedade de informações.
Sobram poucas coisas. Quais são? Cada um que descubra. Mas, essas poucas coisas, que se sobressaem numa mente mais limpa, só servem se, e somente se, acompanhadas de uma constante fortaleza de autocríticas. Não autocríticas no sentido de nos humilharmos, de nos amortalharmos por nada. Nem autocríticas que se percam numa miríade de pensamentos. A ideia é nos tornarmos mais lúcidos - não confundindo lucidez com certeza. É uma guerra, um sofrimento, uma dor? Sim, mas vale a pena.
Lucidez é dúvida. Dúvida que suscita a exploração tateante ou a consciência clara de que não sabemos.
E qual o motivo de eu divagar por aqui ao invés de falar da Copa, das eleições ou do que quer que seja? O ano atual, bem como qualquer outro, não é sobre esses acontecimentos midiáticos, é sobre cada um de nós, o nosso ano particular, nossas vidas.
E, quando desprezo os tais "sonhos" não é bem o onírico disso que desprezo, somente as obsessões, a insensibilidade, a falta de tato, o fanatismo, a comodidade de nos valermos do que nos vêm e apreendermos isso profundamente através da pior das imperfeições: não olharmos para nós mesmos. Pois, entendo que é olhando para a nossa individualidade que lemos os outros, e que, assim, possamos fazer a essência de qualquer pensamento que cuide dos outros. Servir às pessoas ao invés de servir aos sonhos (seu aspecto de "prato pronto", como se não tivéssemos que construir nada ou isso nos fosse muito doloroso, dispendioso, e sem uma luz no fim do túnel clara); servir às pessoas servindo a nós mesmos.
Vivemos num Brasil midiático, político, repleto de "ilustrações" ao invés de argumentos. O que é uma "ilustração"? Nela, você parte de algo que lhe é certo, de uma descoberta, de uma perfeição, de um objetivo muito bem feito e definido (e de uma verdade absoluta, num jogo de coisas que seriam óbvias para cada actante), além de si mesmo, além de qualquer liberdade, transcendental e impositivo, e, diante disso, apenas solta "sobras" dessa "irredutível sabedoria". Não argumenta. Não sabe o que é argumentar. Não constrói. Apenas se utiliza de uma sucessão de "demonstrações", "modelos" e "exemplos" reduzidos em pensamentos-slogans. Propagandas. "As coisas aparecem como certas, só devemos expô-las". Esquecemos que a Realidade, acima do conceito de Verdade, está além SIM de qualquer categoria definitiva de pensamento, de qualquer obsessão, e que não devemos nos acomodar em ideias prontas.
O correto seria largar o ato de "ilustrar" e trazer as ferramentas de pedreiro, de operário, de agricultor, para argumentar, pensar, construir. Daí surgem debatedores. Debatedores que, juntos, via colaboração, tateiam o desconhecido e buscam entender mais da Realidade - ou do mero tema proposto para a discussão. Não há manifestos, verdades, dedo no olho, desvirtuamento do assunto, ou discussões contra o estereótipo do Outro ao invés de ir direto NO outro e no seu assunto.
Este é um ano para um sonho sem obsessões: para argumentos, construções, reformas. Larguemos todo niilismo "conveniente" para o inconveniente esforço do pensar.
Assinado: João Batista Firmino Júnior.
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