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quarta-feira, 28 de maio de 2014

Meu fanzine sobre Perry Rhodan - bons tempos

Durou apenas 1 edição. E só circulou entre eu e o professor da graduação que avaliou meu trabalho. Foi para nota, mas envolveu todo o meu interesse pela obra.

A série Perry Rhodan, como já é sabido, é uma duradoura série literária alemã de ficção-científica, abordando o futuro da humanidade e sendo guiada pelo personagem que dá nome à série.

Meu fanzine foi numa disciplina de Comunicação Social, habilitação "Jornalismo", em que abordávamos justamente "fanzines", e tínhamos que fazer um na prática, uma edição, editorializado, revisado, com a ajuda de um programa de computador.

Até hoje, por saudosismo, guardo os meus arquivos do CorelDraw. São quase 10 anos. Lá, me utilizei de toda a gênese da série, seus fundadores, seus autores mais conhecidos, seus personagens principais dos primeiros ciclos, os ciclos, as tecnologias e os povos, em diversas seções, se não me engano totalizando 12 páginas.

Tive que aprender do zero a usar o software de editoração, mas foi um trabalho bem-sucedido. Não levei a ideia adiante, para além da simples exigência de uma disciplina acadêmica, por falta de fãs, naquela época, na cidade de João Pessoa (ao menos no que eu tivesse conhecimento).

Poderia dispor de algumas páginas do meu fanzine aqui, neste blog, mas não sei exatamente como são as questões envolvendo direito autoral, em caso de publicação real de alguma imagem que compunha a capa que construí e as imagens das fotos que compõem as páginas internas. Na época não tive problemas com isso, já que não publiquei nada do que fiz.

O valor intrínseco dessa série está justamente em sua forma literária. Se um dia fizerem uma série de TV ou uma cinessérie, tudo bem, poderá dar certo - mas, ainda assim, a essência da coisa está na relação livro-leitor ou ebook-leitor.

A construção de um mundo próprio, inclusive com detalhes sociológicos e de engenharia, sempre foi algo interessante para mim. Como nunca consegui algo desse porte de minha própria autoria, até por falta de informações, tempo e dinheiro para pesquisa, consultores científicos e viagens, claro que tive que me ater à literatura.

Rhodan, originalmente, é um astronauta norte-americano do século XX. O primeiro a pisar na Lua, naquela realidade alternativa típica da ficção. Um militar acho que de uns trinta e cinco anos que, em 1972, rumou para a Lua - ele, Reginald Bell e mais dois.

Lá, encontraram um dois arcônidas (Crest e Thora), de um decadente Império espacial. Com base na inconsciente experiência que Rhodan teve com uma superinteligência cósmica na infância (chamada "Aquilo"), ele teve a ideia de usar a situação para refundar a Humanidade. Por se tratar de ficção, ele não teria feito isso por Poder ou para se tornar um ditador, mas por amor à Humanidade, sem nunca ter se degenerado para a sede de a tudo poder controlar, em nenhum momento de sua trajetória de vida.

Criou a Terceira Potência (para fazer frente à URSS e aos Estados Unidos), na China. E teve ampla ajuda não apenas de seu sonho, de seus aliados e amigos e da tecnologia arcônida, mas também dos "mutantes", alienígenas e humanos com poderes paranormais.

Ergueu para a Humanidade um "império democrático", tanto no voto como nas instituições, expandindo-o com a ajuda da superinteligência Aquilo, dos mutantes, da aliança com os mutantes e com a manipulação da geopolítica da Terra e de outros povos muito além deste planeta e desta galáxia.

Um fator preponderante na série, que realmente sempre me interessou, foi o "lugar do transcendental", presente não numa ideologia ou numa religião "guiando" os acontecimentos cósmicos, mas do conceito de "superinteligência" ou "superentidade" do espaço sideral (existente dentre outras diversas superentidades, de maior ou de menor porte, tendência e leis de formação). Com tal ajuda, Rhodan e seus amigos formaram um núcleo de imortais relativos (só podem morrer de morte violenta).

A estratégia global, evidentemente, como aqui quero dizer, não parte de Rhodan ou da Humanidade erguida - e reerguida tantas vezes - por ele e seu núcleo de personagens: têm-nos como timão principal, mas o timoneiro é Aquilo (e o "acaso") diante de um conjunto de forças cósmicas maiores. Esse é o pendão da série. As tecnologias, os mutantes, as regras de ciências humanas formadoras das mais diversas civilizações espaciais, o carisma dos personagens, tudo isso, só consegue se reunir através de um eixo, de uma coluna e de um direcionamento focado nos enigmas cósmicos e numa espécie de "caso Harmonia", capaz de explicar todos os grandes mistérios da série, teoricamente - mas ainda não exposto, até onde li.

Acompanhei a série inicialmente em 1997, através das edições da editora Ediouro, a partir de uma biblioteca pública. Parei por anos até me deparar com os lançamentos da editora S.S.P.G.. Atualmente, sigo, sempre que possível, a versão digital. Acompanhei volumes esparsos do Primeiro Ciclo (o suficiente para entender o início de tudo); ciclos como O CONCÍLIO, AFILIA e parte de BARDIOC, e, atualmente, venho lentamente lendo o ciclo O ENXAME (dentre outros livros de outras literaturas).

Há lugares-comuns? Há clichês? Há eventuais episódios fracos? Há. Mas o que interessa é o conceito geral e a continuidade maior da série. Sem essa noção de contexto, a série não seria tão rica e o mundo fictício que é produzido através da interação com a mente de cada leitor seria muito mais vazio e desinteressante. É por isso que os pontos fracos, que eventualmente existem, não destroem a série. Aliás, tornam mais realista o mundo fictício - afinal, é também de rotinas e clichês que a própria Realidade é feita, porém sem ficar só nisso.

Assinado: João Batista Firmino Júnior.


Um comentário:

  1. Ótima postagem.
    Que bom que conseguiu unir o útil ao agradável para o seu trabalho de faculdade, isso é sempre muito bom. E Perry Rhodan é uma série que recomendo a todos que tem um interesse no tema, pois ela possui de tudo. E como você mesmo disse: há clichês, há episódios mais fracos, mas isso tudo também é parte da vida. Nossa vida é feita de momentos em que corremos contra o relógio para fazer algo, e momentos em que temos que parar e pensar qual o próximo passo. E em P.R. há tudo isso, todas essas oscilações de ritmo, narrativa, e a própria evolução dos personagens e seus laços.

    Abraços, Thiago
    http://gentlegeek.blogspot.com

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