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quarta-feira, 14 de maio de 2014

Politicamente correto

 A verdadeira questão é a mais íntima de todas: o que é o correto e o incorreto?

Ao falarmos em "politicamente" correto ou incorreto, focamo-nos muito no "correto" ou no "incorreto", mas esquecemos de questionar a partícula "politicamente". A partir de qual política algo é correto ou incorreto? E o que é correto e incorreto INDEPENDENTE do "politicamente"?

Em caso de dúvida, fiquemos naquilo que seja imediatamente tomado na separação entre o lícito e o ilícito. Digo: desde que lícita, uma opinião (ou um silêncio) sempre fará parte da democracia formal, daquela aceitável nas práticas públicas. 

Numa religião há um "politicamente" correto ou incorreto. Dentro de uma ideologia há um "politicamente" correto ou incorreto. Dentro de qualquer cultura ou grupo humano há um "politicamente" correto ou incorreto. Só não devemos ser tão reducionistas ao tentar forçar opiniões que não existam, posicionamentos impossíveis de serem tomados, etc. 

Eu mesmo não acredito num pensamento que reduza cada indivíduo a apenas uma partícula do todo. Como se fôssemos cada um mero pingo do oceano. Aprendemos com o quê? Com categorias abstratas (ferramentas) ou com o contato com outras pessoas e suas motivações, problemas, etc (conteúdo)? 

Eu digo que ideologia é tanto uma ferramenta que um extremo ideológico provavelmente pode usar um método do outro extremo ideológico para atingir os seus próprios fins. E tal método o que seria? Um "passo a passo" de pensamentos, de abstrações, de trato com a cultura. Nem me refiro a ações físicas, fora do pensamento.

O politicamente correto ou o incorreto, ambos, não servem para um indivíduo, mas para um modelo de indivíduo. Você adquire o "kit" completo. E tem que se ater ao "kit", mesmo que haja partes que não lhe sejam úteis. Só que cada julgamento é um julgamento e cada caso é um caso. Ou, então, seremos não indivíduos, mas "categorias" que devem agir sem posição individual, mas com uma posição de acordo com essa "categoria" que sejamos.

Daí, a meu ver, nada seríamos realmente, pois nunca teríamos amadurecidos a ponto de sermos nós mesmos.

Sobre o "politicamente" novamente. Qualquer ação "barulhenta" é política? É o que quem está realizando deseja? Tal qual o conceito de "raça". As pessoas se juntam e partem do princípio de que algo existe. E pronto. Algo passa a ser porque se diz que algo é. E não deixa de ser (ao menos socialmente, claro). Porém, ainda podemos dizer que essa "política" seja errada ou irrelevante. Isso é natural.

No lugar de "ilustrar" verdades que não provêm de nossa própria experiência de vida, que construamos argumentos e que, nos espírito colaborador das redes sociais, sejamos colaboradores de argumentos para possíveis soluções ou meros direcionamentos. O mundo é mais feito de indefinições que de definições. A abordagem é completamente equivocada se esperamos adotar um "kit" de pensamentos X ou Y como se, adotando isso, fôssemos ganhar algo vindo do céu. Se nossa situação está ruim é porque ainda devemos lutar mais e mais. E, quando estiver boa, deverá ser lutada nem para manter, mas para avançar. Avançar não numa abstração ideológica ou num poder "politicamente" correto ou incorreto. Avançar, isso sim, no que conseguimos conceber individualmente, sempre pegando pequenos fragmentos da realidade e, com humildade, seguindo adiante.


Assinado: João Batista Firmino Júnior.


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