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quarta-feira, 14 de maio de 2014

Brasil ideológico...


Primeiro, alguns de nós são capazes de largar a preferência pelo contato individual e a experiência que advém disso, e optam por "grandes conceitos abstratos". Em seguida, esses "grandes conceitos abstratos", como lente para enxergar tudo e qualquer coisa, tomam a composição material de redes sociais como veículos "mobilizadores".

Daí, nos alienamos "parados geograficamente no mesmo lugar", ou caminhando com nossa mobilidade fechada em nossos equipamentos. Sempre com o mesmo padrão de pensamentos e preocupações.

Pendões ideológicos, tendências, sempre existirão. Tal qual os grandes regimes do imaginário, ainda que com menos beleza. Mas vejo que tudo isso "normalmente" é usado para nos afastar de nós mesmos, para que sejamos menos práticos.

Amamos o contato que temos com determinada "luta ideológica parcial" em redes sociais. E esbravejamos verdades. Vivemos atualmente (não qualquer um de nós, mas muita gente), produzindo menos e mais preocupados em intermináveis "ilustrações" partidárias, ideológicas, de times de futebol ou de ídolos do entretenimento.

Aparentemente, temos já uma verdade encontrada. Está tudo feito. Faltando, apenas, que os outros sejam denunciados por não seguirem o que supostamente seguimos; ou por seguirem o que supostamente não seguimos. Daí, nos auto-intitulamos "de Esquerda" ou "de Direita" (toda uma esquerda e uma direita "made in Brazil") e mergulhamos de cabeça. Ok.

Não falo mal de ideologias propriamente. Não que não haja mal nelas. Falo de atitudes concretas. Estamos esperando "grandes regimes" que nos deem orgulho e dinheiro. De uma forma ou de outra é isso. Ou tudo não passa de torcer como quem torce para ou contra times de futebol ou para ou contra personagens de ficção (eles enriquecem e nós ficamos felizes por eles, em nossa própria desgraça).

Parece-me que a maioria das pessoas que em redes sociais se auto-intitulam "de Direita" ou "de Esquerda" não estudaram a fundo seu próprio posicionamento (e eu não preciso ser especialista em um ou outro para perceber isso). Bem, conhecer realmente um pendão ideológico? Isso é impossível. Não há como saber TUDO. Por essa inata impossibilidade que penso ser mais fundamental procurarmos nos conhecer e daí irmos vivendo de acordo com o julgamento de atitudes, sem viés totalizante. E isso não é "ficar em cima do muro", mas ficar "do nosso lado" que é o único lado que importa. Devemos ficar não do lado do PT ou do PSDB, ou das siglas que vão comandar os brasileiros (ou a pauta dos jornais) nas próximas décadas ou séculos. Fazer isso é como trocar minha liberdade por uma vaidade qualquer.

Ah, mas e a Liberdade ou a Igualdade prometidas pelas legendas partidárias? Isso não deveria ser tão relevante no Brasil (somos muito dependentes, em nossas opiniões, dos embates político-partidários, empobrecendo a nossa Democracia ao ficarmos em apenas uma esfera de luta). Em primeiríssimo lugar, POLÍTICA não é só PARTIDO, não é só posicionamento ideológico-cultural a partir de "causas pontuais e bonitas", ou Ideologia formal e de origem européia. Política é também, pelo que entendo, cada ação, cada atitude que tomamos a partir de iniciativas até mesmo privadas. Não deveríamos depender tanto de políticas de governo, mas de outras instâncias tão ou mais legítimas, e lícitas, de nossa vida civil.

Uma eleição é relevante? Claro. Mas é típico da baixa qualidade democrática e do baixo desenvolvimento de um estado brasileiro quando tudo anda em torno muito mais de noticiar o que um político diz, qual seu olhar, como se veste, etc, etc e ficar papagaiando isso como se fôssemos mais inteligentes. Isso deve existir muito mais na medida da fiscalização do que fazem com nossos impostos e a título de representação internacional. Mas o grande montante de tudo deve estar em olhar para outras paragens de nosso próprio país e Estado.

Eleição, partido e ideologia formal têm a sua importância, mas também têm o seu lugar. Se somos um lugar de funcionários públicos, por exemplo, ou de pequenos empresários que têm como clientes funcionários públicos, ainda assim não devemos ficar apenas no velho jogo do "conquistar benefícios" e "manter benefícios". É preciso buscar outras alternativas, ou, sob os dizeres de que "estamos participando da Democracia", na prática, estaremos apenas seguindo outra modalidade de alienação.

Assinado: João Batista Firmino Júnior.


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