Reflexão: Entre “Poder de Fato” e Moralidade
Poder de Fato é o termo utilizado por mim para designar aquilo que não necessariamente precisa de um valor anterior ordeiro e honrado que se sobreponha à existência física de uma dada imposição ou “poder de império”. Ou, o único valor é o da sobrevivência/dominância. Não dá para dizer que simplesmente por isso algo seja transcendentalmente “correto”, mais “belo” ou mais “honroso”. A propaganda é feita por quem pode fazer. As coisas assim o são sem um elemento transcendental, salvo uma dada organização e um dado Sistema (“sistema” entendido como organismo vivo encadeado de elementos e vulnerável à entropia, ou tendência ao retorno ao estado inicial, que é o caos).
Daí, por esse entendimento, (infelizmente) os valores são criados depois e em função da dominação já existente. É como por exemplo dar uma justificativa que tenta parecer “moral”, e totalmente imposta, quanto a uma catástrofe natural – ou a uma série de crimes cometidos por pessoas e instituições.
O “Poder de Fato” de setores da Humanidade, de nações, por exemplo, pode possuir algum tipo de “script” antecedente ou subsequente à tomada de um dado Poder concreto (que pode ser simbólico e material). Mas, se ele não transcende o “poder de fato”, é apenas uma "propaganda" ou imposição pelo discurso, se eu for considerar um conjunto de valores “em si”.
Moralidade mesmo é algo em constante mutação (mas não ligada fundamentalmente, ao menos fundamentalmente, à mutação dos poderes tecnopolíticos existentes em dada civilização), de forma flexível perante uma essência ainda não descoberta que é absolutamente rígida, íntegra (que fique claro que tento não relativizar, mas demonstrar que a flexibilidade do mundo exterior existe em respeito à inflexibilidade do mundo interior).
Daí temos o seguinte, se é que consigo explicar: sim, um dado reino, país, império ou civilização, obviamente (pois sempre haverá algum), terminantemente se impõe através do que chamo desse “poder de fato”.
O problema está apenas na corrupção do que são considerados valores (o que eu percebo, não é que o valor de uma civilização que se impõe pelo poder tecnopolítico esteja errado, mas é que quando está certo é apenas porque segue um bom-senso simples, uma ordem lógica perfeitamente compreensível pela maioria das pessoas desde que corretamente traduzido). O que são esses valores realmente? Eles transcendem e ainda estão a ser descobertos. Podem ter milhares de anos (se bem que a Razão vista em si é eterna, não tem início nem fim), sobreporem-se a/transcenderem Impérios e Nações que vêm durando séculos, transcenderem toda sua força (não no sentido de “superioridade”, mas de preexistência conforme a liberdade humana de SENTIR o que é certo e o que é errado através de um raciocínio próprio).
Digo: Não há uma força mágica que determina o poder de um país. Existem sistemas e momentos. As coisas não são assim “desde sempre”, nem permanecerão do jeito que estão “para sempre”. Apenas uma moralidade que transcenda diferentes costumes, que transcenda as forças da natureza, poderá sair viva de poderes impostos que se acham como essas forças da natureza: desprovidas de moral (“propaganda” não é moral), mas providas de Poder, e seguidoras da lógica do “faço porque posso fazer” – um ditado que tristemente é usado para fundamentar e muito a falta de proporção de pensamentos e ações, a falta de razoabilidade e a existência da crueldade.
Um indivíduo fora da “festa do Poder” só pode realmente admitir para si que exista e que deva ser respeitada essa superioridade (que difere de “supremacia”, que pelo meu conceito é outra coisa) se 1 condição ocorrer (pois esse é o único poder, a moral, ou em última instância a Consciência, que resta a quem “está fora”): o convencimento pleno de que o que está no Poder é digno de estar nele, conforme não meramente em seus costumes, mas diante de algo que vá além de padrões e que fixe o que é ser humano enquanto espécie e o que é ser parte do Universo como entes.
Ou seja, explico:
Ninguém “obedece” ou é “condescendente internamente” simplesmente por medo da violência de um grupo, pessoa ou instituição que faça algo contra essa pessoa ou propague a intenção e o poder de evitar que outra coisa faça algo contra essa mesma pessoa. Faz isso –quando faz – se, e somente se, for convencida da DIGNIDADE e LEGITIMIDADE do que está no Poder. Em suma, isso se dá pelo:
1) Reconhecimento de sabedoria, decência, solidariedade, senso de proporção e racionalidade (um reconhecimento que se dá sozinho e em liberdade subjetiva);
2) “Poder de fato” em função do ponto 1;
Fui claro?
Autor: João Batista Firmino Júnior.


Ai, Júnior.... eu bem que tentei... dei uma passada em várias postagens aqui... mas em sua maioria não consegui entender =/
ResponderExcluirAcho que você é muito inteligente ou eu sou muito burra... prefiro pensar que você é o inteligente rsrsrsrs..
Bem, só comentando pra dizer que estive por aqui =)
Saudades.. da sua irmã!