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segunda-feira, 23 de setembro de 2013

[Mais uma continuação]

5- DA PESTE DE MATA FAVORITA DO ALIADO PODEROSO  

Nem era noite nem dia
E havia luzes naquela floresta úmida que, de dentro,
Apontava à corriqueira senha da
Entrada de um antro por onde ia…
Ia pela via torta dos pés certos do
Seguidor dos passos de um bêbado,
Na indefinida atmosfera que confundia, e
Os que caminhavam lentos, nos pés
Do Braz, de olhos quase fechados,
Sem bichos ao redor de um centro
Calcinado por acidez da saudade de uma arma,
Centro da boca do estômago de Mendes
De Nenhuma Vocação.
A mata começara numa visão sobre a esbelta
Terra de esmerada bem-feitoria
Acessada num fim de um corredor alto de rochas.
Mendes ia passando o olhar vago e vendo o que não olhava
A surgir traços de um riso de quem desperta de uma senilidade,
Caindo em outra,
Vendo as linhas ondulantes do que reflete a Lua num rio
Caçador forte, que caça o canto de um dos legítimos
Voadores, mais aves como de nomes estranhos
E aparência ainda mais espantosa.
Elementos de espécies distintas param,
E Mendes é o único que procura,
E Braz reaparece totalmente envelhecido e
De olhos bem arregalados e berrando ao rio:

“É curto o caminho!”

E a voz esganiçada ressoava naquelas ondas causadoras
De ventos que arrebentavam os tímpanos de Mendes,
Que ficava meio bambo, pássaro tonto a
Grasnir:

“Rio de nada! Abre-te!”

O velho Braz eleva a asa aos olhos de um Mendes,
Coça uma canela fina com o bico e mostra que não confia, agora sério,
Na ação de um falta de vocação, que não esconde a surpresa;
O velho agarra-se a um instrumento arqueado, de cordas,
Aos fios dos cabelos de outrem rara e majestosa,
E toca ao rio de nada, que encolhe as ondas,
Mas que não se rende e
Tira suas mãos do fundo da base de um ciclo,
Que tira as chuvas
Barradas após correrem nas nuvens,
Desviando-se do que é varrido com força
E impedidas pelo monte oposto, quando voltadas;
Agarra a Mendes de Nenhuma Vocação, a sugar-lhe, ao fundo,
O sangue de um guardião,
Ante um Braz assustado, velhaco parado.
Mendes nunca vira o fundo azul do toque colorido
De freqüência luminosa da noite, de plantas ao fundo,
Impercebíveis a olhares
Ininterruptos que iam estabilizando
E fazendo ver, daltônicos;
Mendes via o semblante brabo do rio, assistente do ente que seguia
Bravamente, fazendo um pobre perder seu sangue fervoroso,
O rosto feio engole a truta, sem saber ser ela espinhenta,
Rio atacado ao toque lá de fora que emergia dentro em
Ondas de vento marinho, e o rosto do rio cuspia
Antes de dizer, e era, o cuspe, isto:

“Ainda não é agora, pau podre de nossa outra parte!
Não é, mas ainda virá o momento, mesmo não a agir em pé, direto,
Virão aliados demais a suprir-lhes o coração do peito,
A enterrar de vez terra que causa inveja ao meu governo,
Chefe dos rios que encharcam o trigo que não alimenta
Mais, ante ódio moribundo, solos de fogos-mortos agora,
Que não me alimentam.”

Depois diz Mendes, com todas as palavras, e logo após, este último dito,
Ao lado do velho calado, devolve:

“Não reclames mais, corrente insignificante!
Vejas o significado da terra que te dei, e que
De novo cresce em mim, terra que te alimentas.
E mais motivos para nos deixar em paz!”

O Rio de Nada fica mudo e abre passagem ao
Outro lado, tornando-se raso; transferindo o ódio
Que mata as produções nunca antes pio, do bico
Da boca da ave
Na outra margem, o velho a tranquilo sorri mesmo ao
Seu doloroso alquebrar, como dizia Braz quando a pilhar
O conto de suas dores, em termo que mostra melhor à
Mente inventiva imagem mais forte de ossos fracos a ranger
Mendes também,
A saudar a saudade na pena sua, de si mesmo,
Que se encolhe a tudo estranhar
Na mesma ordem do agouro novo das pegadas que fazem Braz
Abrir de novo as asas a dizer, horas depois, antes quase do descanso:

“São dele! São as marcas de um marcador ainda cego,
São dele! As formações de altos calcanhares de um
Aventureiro numa realidade de absolutos montes que observam
O fundo do meu Sem Nada, a fantasiar o aqui e agora, narrador
Que nos escreve,
São as pegadas do plano ao lado, de um tal Cristóvão descobridor,
Tão comum como um Silva,
O homem nos deixa, e aproveitemos um fio de sua substância,
De sua esperança, a que devemos nos agarrar.”

E não era só isto, havia uma clareira de um clarão na
Casa acampada naquela solidão, do velho Braz
A cantarolar versos de um Cristóvão, pai do molde de seu
Corpo, e de um Louco ao cenário, mãe de sua mobilidade impecável.
Era tarde da noite, na casa ao relento, onde
Mendes pegava o repelente do medo do desconhecido fazendo-se
Conhecedor dos mistérios de novos horizontes, trazendo frio
Ao estômago.
Braz havia saído recentemente, aparentemente
Sem vintém, em busca de comida perecível em terra braba
De galhos tortos, enquanto
Mendes tremia como esses galhos, ficando torto como
O campo que lhe rodeava, e a casa maior que a área da
Luz do candeeiro, que lhe cobria a vista e escurecia,
Casa de um só cômodo onde presente via-se o incômodo
De passos próximos à porta do túmulo, naquela casa, de um destino
Daquele viajante esquecido por seu povo, guardado em si.
A porta é aberta, era o velho, dentro do seu casaco,
Com suas canelas descobertas, seu
Rosto de cabeça pequena e envelhecida, e suas
Mãozinhas desconexas ao corpo fino e comprido demais,
Que deixava um Mendes ao léu de sua falta de coragem
De mirá-lo um pouco mais,
Braz não senta, chama-o
Com uma voz baixinha em seu corpo
Trêmulo ante o vento de fora, do céu nublado;
Uma coisa a ser revelada, atraía a atenção de Mendes
Ante suposta solução do enigma lá de trás, e este segue-o,
Passam longe da casa, com o candeeiro iluminando
A traseira, esquentando a surpresa na mata dos sons
De origem duvidosa a ressoar, vitimadas pela resolução de outro enigma;
Param, então, e sentam-se assim com como se tudo fosse calmo e calados,
Frios… enquanto batia demais o coração de Mendes,
E o Braz inicia como velho:

“O tempo manga demais de nós,
Tempo que fazemos sempre,
Em que estou aqui a ajudar-te e,
Não deixa de ser, prepará-lo, e
O convívio vai indo simplesmente, vai bem,
E vou te revelar, perante sapiência a ser provada
Agora pelo controle, se tu passas ou não à última
Prova de meu convívio… Espere
Um momento.”

Estava ao lusco-fusco o rosto daquele caminho
Seguido por Mendes de Vocação Duvidosa;
Braz levanta-se maravilhosamente num salto e
Começa o ato de tirar o casaco grosso, e Mendes vê
E vai, aos poucos, quase cuspindo, ou destruindo com
Os dentes, o objetivo de sua pátria, ali mesmo,
A transformação ia sendo feita, aos poucos;
Mendes dissera-se preparado e fazia jus a um
Quase despreparo inicial, por esbugalhar seus olhos adormecidos
Ante detalhes que ele normalmente não percebe.
A mãozinha esquerda ia fazendo bem o trabalho…
Revelando um monstro!
Monstro fino, de seis mãos, de três
Troncos, bem montados, naqueles rostinhos
Envelhecidos como crianças em aparência senil,
Um pequeno ser montado no outro, e sempre a todo dia,
E era explicado, a mudança estranha de um Braz desgraçado
Em seus seis olhinhos nas feições risonhas, quase a cuspir suas
Três línguas salivadas, de tanto rir,
Eram três seres!
Três seres que iam descendo um
Do corpo do outro e,
Com o casaco ao lado, mostravam-se interessados em
Fitar o paralisado Mendes assaltado pelo terror…
O homenzinho que fazia a cabeça do Braz diz:

“Psiu! É segredo, não conte a ninguém!”

Os outros dois concordam, o viajante engole o
Centro de sua pátria, ao cuidado do bolsão gástrico a
Ferver de ansiedade vista após o pânico, a acostumar-se.
Os três montam-se de novo, e Braz retornava a falar
Com Mendes, com o candeeiro das ilusões, a impedir que se
Veja um disfarce, iam rumos à casa do sono,
A um futuro planejado, que Mendes já sabia, e de onde
Pela manhã partiriam.
Foram sonhos inexistentes que habitaram um Mendes,
Recentemente, e agora sim, testado em seu controle;
Que acorda ao amanhecer, sem ver
O Braz que lhe acompanharia à cidade
Mais próxima,
Sai assustado de casa, com sua bagagem sem a viola bela,
Centro de seu tudo, e ele tão longe dela, parte do calor de
Sua pátria…

Uns sons que acordavam os pássaros, surgiam,
Eram de um rapaz que aparecia, era um Braz cego querendo falar,
E informa:

“Você! Tenho notícias de dois grandes seres importantes,
De teu pai Quaresma e de um tal Murilo, que deverão
Surgir, fantamasgóricos, agora, apontando
A cidade certa, a que seguiremos, local onde te
Deixarei!”

Da marca daquele chão imperial, marca do sangue
De uma chaga de um Mendes,
Do Grande Rio que Segue, surgem os dois velhos
De sua gente, surgem
Como da última vez que foram vistos,
Surgem como iguais, não como aparições,
E, à surpresa do homem Mendes, Quaresma comunica logo:

“Vemo-nos mais uma vez, é a última, e falo-te
Rapidamente que  nossa terra inexiste agora, somos
Só nós aqui representados em ti, faremos com
Que seja rápido e, para isto, o Sem Nome ajuda-te, ajuda-nos,
Não com um Braz, mas com o Dia, a Noite, e o Umbral,
Este último será a única parte do Braz a acompanhar-te
Em direção a uma cidade grandemente i
Importante, fundada por um
Nosso antepassado,
Fundada por Janeiro, acompanhado
Por sua filha, desaparecida de nossa terra e de todas
As outras…
É a cidade de São Janeiro, amiga - e cuidado - do
Grande Rio que Seguia, amiga na burrice,
Terra que já foi nossa, primeira perda,
Terra de nacionalidade que é sempre alma de um negócio,
De pátria fabricada para venda rápida de uma imagem sempre
Submissa da Capital, e que se acha melhor, e que é constante típica
Da grande nação vazia, como cegueira de um homem de olhos
Nunca usados.
Segues para lá com o Umbral,
Partirás bem, mesmo sem tua arma, levando
A ávida paixão (nova viola, violão, coisa material ou não),
Emprestada por um Braz que
Se divide agora, como um pássaro que
Te levarás rápido, em instante incomum,
Para a cidade.”

Somem os dois, Murilo ainda acena…
Imediatamente, uma das partes de um todo, num
Relâmpago, pega Mendes com força e o leva
A uma terra de constante guerra.

Autor: João Batista Firmino Júnior.

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