2 - Olho do Escuro
Após o incêndio da Vila,
Após o desaparecimento
Paulatino de seus habitantes,
O som do silêncio, do ar parado.
Salas confundiam-se com cozinhas,
E banheiros vagavam a céu aberto.
Construções velhas e desabadas,
Um cão magro moribundo,
Um céu enlutado.
Voando em círculos,
Uma ave negra cantava mudez,
Mudava de posição a cada vez,
Via cada escombro
Como um ninho em potencial.
Tudo aquilo era visto,
Tudo aquilo era observado,
Naquele vale obscuro,
Por onde corria o mau agouro.
E, subitamente, o olho da Lua,
Grandiosa em sua luz para cada
pedra.
A ave negra tentava se esconder,
E em sua mente perpassava
A História dos homens e mulheres
Daquele mundo morto.
Autor: João Batista Firmino Júnior.


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