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sábado, 13 de setembro de 2014

Interlúdio: texto de meu pai

Abaixo, disponibilizo texto de autoria do meu pai João Batista Firmino;

BREVE ENSAIO SOBRE O RACISMO, SOCIEDADE E EQUÍVOCOS CULTURAIS


Sou médico (clínico) há 34 anos e servidor público desde os idos de 1983. Na verdade, não sou o que a profissão indica. Acima e antes de tudo sou uma PESSOA nascida nesse pequenino planeta chamado Terra. Assim, um Terrano dotado de autoconsciência corresponde ao que denomino PESSOA. Não Pessoa Humana, pois esse termo vem da palavra Homem e na Terra também existem mulheres, não é verdade?
Um grande educador do século passado, Krisnhamurti, costuma dizer em suas palestras que as pessoas são induzidas desde a infância a absorver aquilo que a sociedade aceita como verdade inexorável.
Assim, pretendo emitir algumas considerações sobre racismo, homofobia e homossexualismo em função do atual momento que vive o Brasil com a “Lei das Cotas” e suas consequências entre outros temas correlatos.
Aprendi na escola pública (muito boa na época) que existem as raças brancas, amarela, vermelha e negra. Hoje, fala-se de afrodescendentes, indígenas, asiáticos e latinos. Uma confusão só. Os Estados Unidos se autodenominam América, embora o continente americano seja geograficamente dividido em sul, central e norte. Americanos, aprendi, são quem nascem nos Estados Unidos da América; temos sul-americanos, latinos, uma confusão só. Mas nunca contestei essas bobagens. Peço desculpas pela ligeira troca de foco, mas, no fundo, não fugi do tema original
Voltemos à questão racial: somos induzidos (verdadeira lavagem cerebral) a aceitar passivamente que uma única característica física (cor da pele) determina essa coisa esquisita denominada raça (negros, brancos etc.). É um equívoco monstruoso que há séculos vêm sendo vendido como verdade absoluta e inexorável com consequências lamentáveis relacionadas à escravidão, preconceitos, criação de leis desnecessárias muitas vezes já que nossa constituição já defende a não discriminação de sexo, raça, etc., etc..
Chega um momento em que aqueles que têm pele negra, que são negros, sentem-se discriminados e o são efetivamente, pois não são culpados da lavagem cerebral a que foram submetidos. Seria tão bom se nos bancos escolares fosse ensinado que somos pessoas nascidas no planeta Terra e cujos habitantes (terranos), ao longo dos anos, criaram fronteiras, separando o planeta em países, por exemplo, divididos por interesses comuns (idioma, religião, crenças, ou seja, cultura específica). Daí essas crianças tornar-se-iam adultos sem amarras raciais se é que estou me fazendo entender. Isso certamente contribuiria para evitar tantos conflitos...
Com relação à sexualidade, temos, do ponto de vista, anátomo-funcional, um certo número de pessoas do gênero compatível com a masculinidade se sentindo atraídas por pessoas do mesmo sexo (Gays e lésbicas), incluindo o grupo dos que se submetem à cirurgia de mudança de sexo. A essência do problema se encontra na assimetria física com a psique de tais pessoas o que levou a Medicina considerar o homossexualismo como uma doença mental até pelo número reduzido de pessoas que se declaravam homossexuais.
Já a homofobia nada mais é que uma intolerância doentia contra os homossexuais. O próprio termo aponta para patologia. Afinal de contas, por que são tratados os portadores, por exemplo, de aracnofobia, acrofobia, agorafobia, claustrofobia e não os homofóbicos que são criminalizados por lei equivocada nesse sentido específico. Os homofóbicos são um caso médico e não necessariamente de crime. Na verdade, considero o próprio “racismo” como uma doença mental de variados graus, porém, como nas demais fobias, há momentos em que tais pessoas devem ser tratadas e contidas nos surtos homicidas, por exemplo.
Atualmente, a OMS, considera como doenças as parafilias (pedofilia, fetichismo, sadomasoquismo, porém não mais enquadra o homossexualismo por considerá-lo uma opção de modo de vida por assim dizer).
Pessoalmente, entendo haver no homossexualismo uma dicotomia corpo/psique no aspecto sexual, visto que pessoas do mesmo sexo não podem procriar pela inviabilidade anatômica que a Natureza lhes proporcionou, todavia pelo princípio da tolerância, se tais pessoas se sentem bem nesse modo de vida e não interferem na vida do próximo, não importa, pois a doença mental para mim só se apresenta quando interfere gravemente nas relações entre as pessoas.
Todos somos portadores de neuroses (uma doença mental comum) em diversos níveis e não necessariamente precisamos  de tratamento para mudança de comportamento ou atitude diante da vida de relação.
Se numa determinada localidade a maioria das pessoas tivessem, por exemplo, um medo doentio de altura, aquelas sem tal medo, estas, sim, seriam as doentes.
Continuando, pela questão cultural (religiões, preconceitos os mais diversos, erros históricos, entre outros) as crianças foram criadas no entendimento que só há dois sexos (masculino e feminino). O grande choque atual é sobre o conceito de família. Um grupo entende família como sendo constituída necessária e obrigatoriamente por Mãe, Pai e Filhos (o cristianismo é grande exemplo, havendo até o dogma da Trindade Divina, da Sagrada Família, Maria, José e seu filho Jesus o que realmente é muito forte para incluir homossexuais casados civilmente como família no sentido cristão).
Sobre religião, não se pode discutir ou ousar fazer uma lei que faça um cidadão abolir de suas crenças, embora muitos casais homossexuais sigam uma religião e desejem se casar no cível e religioso. Conflitos e mais conflitos como já falava o Krisnhamurti.
 Independentemente de religião, todos desejamos Paz, Felicidade e Harmonia, mas tal desiderato é impossível já que seria necessária uma transformação individual de cada pessoa humana na tolerância, no amor ao próximo (inclusive a inimigos) e isso ficou restrito aos Santos pela educação e lavagem cerebral que recebemos desde a mais tenra infância.
Viver intensamente o espírito de tolerância com o próximo, na verdade, acontece com algumas pessoas anônimas e não apenas com Gandhi, Madre Tereza de Calcutá ou Francisco de Assis (o santo cristão) ou ainda o Chico Xavier e, mais além, Jesus, Buda e Alá.
Em suma, nos assuntos referentes à Cultura, Racismo e Sociedade fundamentadas em bases tão frágeis, a Paz tão sonhada não tem como prosperar; sempre haverá conflitos. Religião, fronteiras geográficas e culturas diversas dificilmente se fundirão numa só Sociedade Terrana de tolerância e respeito às individualidades, porquanto em nome de Deus ou em nome do respectivo nacionalismo, muitos inocentes morrem precocemente, continuam morrendo (vejam o exemplo da África e do ebola) e continuarão morrendo no planeta em que vivemos por causa do paradoxo da educação equivocada recebida por nós na infância, nós que, dessa forma, passamos a integrar essa mesma sociedade, ensinando os mesmos erros para nossos filhos num lamentável feedback negativo. Quem se habilita a desfazer o círculo vicioso: a Ciência, a Religião, a Filosofia ou nós mesmo após ampla reflexão dessas questões milenares?





JBFirmino – 13/09/14

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