BREVE ENSAIO SOBRE O RACISMO, SOCIEDADE
E EQUÍVOCOS CULTURAIS
Sou
médico (clínico) há 34 anos e servidor público desde os idos de 1983. Na
verdade, não sou o que a profissão indica. Acima e antes de tudo sou uma PESSOA
nascida nesse pequenino planeta chamado Terra. Assim, um Terrano dotado de autoconsciência
corresponde ao que denomino PESSOA. Não Pessoa Humana, pois esse termo vem da
palavra Homem e na Terra também existem mulheres, não é verdade?
Um
grande educador do século passado, Krisnhamurti, costuma dizer em suas
palestras que as pessoas são induzidas desde a infância a absorver aquilo que a
sociedade aceita como verdade inexorável.
Assim,
pretendo emitir algumas considerações sobre racismo, homofobia e
homossexualismo em função do atual momento que vive o Brasil com a “Lei das
Cotas” e suas consequências entre outros temas correlatos.
Aprendi
na escola pública (muito boa na época) que existem as raças brancas, amarela,
vermelha e negra. Hoje, fala-se de afrodescendentes, indígenas, asiáticos e
latinos. Uma confusão só. Os Estados Unidos se autodenominam América, embora o
continente americano seja geograficamente dividido em sul, central e norte.
Americanos, aprendi, são quem nascem nos Estados Unidos da América; temos
sul-americanos, latinos, uma confusão só. Mas nunca contestei essas bobagens.
Peço desculpas pela ligeira troca de foco, mas, no fundo, não fugi do tema
original
Voltemos
à questão racial: somos induzidos (verdadeira lavagem cerebral) a aceitar
passivamente que uma única característica física (cor da pele) determina essa
coisa esquisita denominada raça (negros, brancos etc.). É um equívoco
monstruoso que há séculos vêm sendo vendido como verdade absoluta e inexorável
com consequências lamentáveis relacionadas à escravidão, preconceitos, criação
de leis desnecessárias muitas vezes já que nossa constituição já defende a não
discriminação de sexo, raça, etc., etc..
Chega
um momento em que aqueles que têm pele negra, que são negros, sentem-se
discriminados e o são efetivamente, pois não são culpados da lavagem cerebral a
que foram submetidos. Seria tão bom se nos bancos escolares fosse ensinado que
somos pessoas nascidas no planeta Terra e cujos habitantes (terranos), ao longo
dos anos, criaram fronteiras, separando o planeta em países, por exemplo,
divididos por interesses comuns (idioma, religião, crenças, ou seja, cultura
específica). Daí essas crianças tornar-se-iam adultos sem amarras raciais se é
que estou me fazendo entender. Isso certamente contribuiria para evitar tantos
conflitos...
Com
relação à sexualidade, temos, do ponto de vista, anátomo-funcional, um certo
número de pessoas do gênero compatível com a masculinidade se sentindo atraídas
por pessoas do mesmo sexo (Gays e lésbicas), incluindo o grupo dos que se
submetem à cirurgia de mudança de sexo. A essência do problema se encontra na
assimetria física com a psique de tais pessoas o que levou a Medicina
considerar o homossexualismo como uma doença mental até pelo número reduzido de
pessoas que se declaravam homossexuais.
Já
a homofobia nada mais é que uma intolerância doentia contra os homossexuais. O
próprio termo aponta para patologia. Afinal de contas, por que são tratados os
portadores, por exemplo, de aracnofobia, acrofobia, agorafobia, claustrofobia
e não os homofóbicos que são criminalizados por lei equivocada nesse sentido específico.
Os homofóbicos são um caso médico e não necessariamente de crime. Na verdade,
considero o próprio “racismo” como uma doença mental de variados graus, porém,
como nas demais fobias, há momentos em que tais pessoas devem ser tratadas e
contidas nos surtos homicidas, por exemplo.
Atualmente,
a OMS, considera como doenças as parafilias (pedofilia, fetichismo,
sadomasoquismo, porém não mais enquadra o homossexualismo por considerá-lo uma
opção de modo de vida por assim dizer).
Pessoalmente,
entendo haver no homossexualismo uma dicotomia corpo/psique no aspecto sexual,
visto que pessoas do mesmo sexo não podem procriar pela inviabilidade anatômica
que a Natureza lhes proporcionou, todavia pelo princípio da tolerância, se tais
pessoas se sentem bem nesse modo de vida e não interferem na vida do próximo,
não importa, pois a doença mental para mim só se apresenta quando interfere
gravemente nas relações entre as pessoas.
Todos
somos portadores de neuroses (uma doença mental comum) em diversos níveis e não
necessariamente precisamos de tratamento
para mudança de comportamento ou atitude diante da vida de relação.
Se
numa determinada localidade a maioria das pessoas tivessem, por exemplo, um
medo doentio de altura, aquelas sem tal medo, estas, sim, seriam as doentes.
Continuando,
pela questão cultural (religiões, preconceitos os mais diversos, erros
históricos, entre outros) as crianças foram criadas no entendimento que só há
dois sexos (masculino e feminino). O grande choque atual é sobre o conceito de
família. Um grupo entende família como sendo constituída necessária e
obrigatoriamente por Mãe, Pai e Filhos (o cristianismo é grande exemplo,
havendo até o dogma da Trindade Divina, da Sagrada Família, Maria, José e seu
filho Jesus o que realmente é muito forte para incluir homossexuais casados
civilmente como família no sentido cristão).
Sobre
religião, não se pode discutir ou ousar fazer uma lei que faça um cidadão
abolir de suas crenças, embora muitos casais homossexuais sigam uma religião e
desejem se casar no cível e religioso.
Conflitos e mais conflitos como já falava o Krisnhamurti.
Independentemente de religião, todos desejamos
Paz, Felicidade e Harmonia, mas tal desiderato é impossível já que seria
necessária uma transformação individual de cada pessoa humana na tolerância, no
amor ao próximo (inclusive a inimigos) e isso ficou restrito aos Santos pela
educação e lavagem cerebral que recebemos desde a mais tenra infância.
Viver
intensamente o espírito de tolerância com o próximo, na verdade, acontece com
algumas pessoas anônimas e não apenas com Gandhi, Madre Tereza de Calcutá ou
Francisco de Assis (o santo cristão) ou ainda o Chico Xavier e, mais além,
Jesus, Buda e Alá.
Em
suma, nos assuntos referentes à Cultura, Racismo e Sociedade fundamentadas em
bases tão frágeis, a Paz tão sonhada não tem como prosperar; sempre haverá
conflitos. Religião, fronteiras geográficas e culturas diversas dificilmente se
fundirão numa só Sociedade Terrana de tolerância e respeito às
individualidades, porquanto em nome de Deus ou em nome do respectivo
nacionalismo, muitos inocentes morrem precocemente, continuam morrendo (vejam o
exemplo da África e do ebola) e continuarão morrendo no planeta em que vivemos
por causa do paradoxo da educação equivocada recebida por nós na infância, nós
que, dessa forma, passamos a integrar essa mesma sociedade, ensinando os mesmos
erros para nossos filhos num lamentável feedback negativo. Quem se habilita a
desfazer o círculo vicioso: a Ciência, a Religião, a Filosofia ou nós mesmo
após ampla reflexão dessas questões milenares?
JBFirmino
– 13/09/14


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