Escrevo este tópico um pouco no improviso, como já fiz com muitos textos deste blog. Além disso, provavelmente, posso ter escrito anteriormente sobre o assunto "liberdade de expressão" neste espaço; ainda assim, tentarei não me repetir, caso tenha feito isso.
Recorto o assunto, para melhor aproveitamento neste espaço, dividindo o assunto "liberdade de expressão" em antes e depois dos sites de redes sociais. Fiquemos no "depois".
Talvez uma das questões mais difíceis sobre o assunto e sua expressão em redes sociais seja descobrir até onde algo é aceitável. É como uma pirâmide, na qual temos uma base (as leis); e o topo, que é a realização "livre" de uma opinião ou de um trabalho científico, ou de uma divulgação (ainda assim em algum grau pautado numa autocensura bem inconsciente).
E no meio? É onde temos questões sobre a falibilidade de todos nós, na condição de moderadores de comunidades ou fóruns. Essa falibilidade pode ser técnica, naturalmente; mas, também, relativa a cair na tentação mais simples, básica e fundamental: eliminar divergências a nós mesmos sem contra-argumentar (eliminar no sentido de apagar, banir, ou seja, dentro das regras de poder que tenho a minha disposição).
Isso pode ocorrer devido não meramente a uma tentação de Poder, mas também a um senso de território, que é formado pelas assim chamadas "regras implícitas" de uma comunidade - indo além do falibilismo de qualquer dono ou moderador, que deseja uma "aparência", um "estilo", para seu espaço (porque, no final, o espaço é sempre de quem tem o poder legitimado de montar todo um fórum ou comunidade).
E é nesse ponto que pode ser possível entender a ausência de contra-argumentação que não seja pela simples eliminação da divergência, a partir do fato de que não há - ainda - relação contratual alguma entre fóruns/comunidades/congêneres e cada usuário.
Diante da condição "movediça" de diversos espaços de "liberdade de expressão", podemos nos decepcionar um pouco. Afinal, lembremos que antes da liberdade de expressão propriamente dita, há a liberdade para qualquer um criar seu território virtual e basear-se, naturalmente, em seu subjetivismo. Um subjetivismo mais "solto" que os critérios estritamente legais, por exemplo.
De qualquer forma, é o que temos: Poder/Território na parte intermediária, e majoritária, da pirâmide a que me referi.
Além disso, o nosso contato com o Outro, com a Diferença, independente de nossa condição de "moderador" ou de "participante". Liberdade não se faz sem interações. Nem é um conceito que faça sentido sem relações de uma coisa com a outra.
Liberdade é sempre com pessoas, e a vida entre diferentes sempre será uma trama repleta de idas e vindas. O que podemos fazer é tornar isso menos drástico. Em ambientes públicos, como as redes sociais, por exemplo, buscar evitar atritos - e se utilizar de espaços até certo ponto mais "isolados" em termos de interação e influências, para opiniões mais contundentes (e ainda assim, voltadas a um espaço, a um grupo específico, ou seja, NUNCA para todo mundo, para qualquer pessoa).
Em suma: vivendo e aprendendo, entendemos que as coisas nunca são somente uma questão "apenas de Legalidade", no que diz respeito às nossas opiniões. Há um jogo de constrangimentos que não começa nem termina nunca - apenas é. E, nesse jogo, nada melhor que (partindo já do pressuposto legal, constitucional e humano): editar e reeditar opiniões; focá-las APENAS a um espaço e grupo específico; e, ainda melhor: ir até a origem das próprias opiniões, ir até a visão de mundo pessoal, e usá-la para trabalhos objetivos, profissionais, e sobretudo muito mais voltados ao mundo fora das redes sociais (não necessariamente um mundo sem internet).
Assinado: João Batista Firmino Júnior.


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