Como apreender o mundo? Por cada uma de suas manifestações, através de fenômenos naturalmente multidisciplinares.
A abordagem pode envolver uma postura baseada no conhecimento
prévio de quem for identificar determinada manifestação do mundo. A partir de
um conhecimento prévio, e de sua comparação com a novidade, a sensação de que
algo é reconhecível.
Uma memória soma-se a novos elementos análogos, os dois
conjuntos de elementos se casam. Nisso, uma filtragem, sobrando o efetivamente
desconhecido pelo indivíduo.
Tal qual um código fechado, ou um mistério narrativo, vai-se
quebrando através de técnicas de economia de energia. Atalhos são criados para
que sejam efetivos e reproduzíveis.
Um novo aspecto do fenômeno é descoberto e, tal qual um
processo de deglutição, soma-se ao conhecimento prévio, alterando
essencialmente tudo aquilo que existia anteriormente. Cada pedaço do ser é
minimamente mudado após isso. E isso trás a possibilidade de um caminho
seguinte para um novo aspecto do mesmo problema a ser estudado.
Explicando melhor: analogias são criadas. Pontes. Disso, ao
mesmo tempo ocorre uma filtragem, sobrando os elementos mais brutos, mais desconhecidos.
Porém, o conhecimento prévio torna-se diferente com a deglutição anterior,
possibilitando prosseguir no caminho. E nada se perde quando há aspectos
emocionais envolvidos, quando há um “choque” perceptivo e de concepção. É da
mesma forma quando lido com um determinado problema, formal ou informal, mas
que precisa ser resolvido.
Trata-se de um jogo útil, com fases. Cada fase parte
do processo de apreensão e modificação de meu próprio conhecimento. Essa
modificação é fluida, não é enrijecida numa estrutura pesada.
A abordagem por fenômeno aceita a riqueza e natural
complexidade do mundo bruto ao redor. Nossa caixa de ferramentas
necessariamente se utilizará de Física, Matemática, Química, Leitura,
Astronomia, Geografia… e de elementos intermediários entre essas ciências ou
grandes temas.
Na sala de aula, sintetizando, bem como em qualquer
aprendizado mais informal, o ideal seria conseguir ir mostrando o mundo – não
se fechando para ele. É no próprio mundo onde residem todas as disciplinas e
grandes temas. E é a partir de um punhado de realidade que nos choca, que nos
intriga, que podemos nos utilizar de ferramentas que nunca serão apenas
ferramentas, mas um fim tanto delas mesmas como da explicação desse mesmo
fenômeno – que, por sua vez, como disse, é apenas um punhado de realidade.
Assinado: João Batista Firmino Júnior.


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