Os melhores blogs estão aqui

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Últimas considerações para o segundo turno das eleições presidenciais (2014) ou "Nós, os pequenos"

Olá. Hoje, faltam dois dias para as eleições, quando poderemos depositar nossa crença (ou descrença) em nossos respectivos candidatos.

Verifiquei que vivemos num momento muito acirrado, algo muito além da conta, em alguns casos. O que devemos entender e sentir é justamente que a verdadeira oposição que existe é entre o povo e o exercício direto e objetivo do Poder por parte daqueles a quem elegemos. Ou seja, seja qual for nossa escolha, nosso verdadeiro lado é entre nós, os eleitores comuns, aqueles que não exercem cargos políticos de nenhuma natureza. Nós, os pequenos.

Infelizmente, sobre as opções disponíveis, sobre as candidaturas que teremos à nossa frente na tela da urna, não há mais a possibilidade de "amar" uma candidatura, de crer cegamente em alguém. Isso fica para quem é marinheiro de primeira viagem, para quem está começando. Faz parte do amadurecimento a existência do "antes".

Porém, nós, que já votamos há alguns pleitos, devemos pensar muito além da lógica de "torcida de times de futebol". O Brasil não é naturalmente dividido no sentido absoluto, pleno e irresolvível. Somos o que somos, brasileiros repletos de identidades transversais. Somos ao mesmo tempo diversas coisas, e poucos seriam "perfeitamente" encaixáveis como "elite" ou "povo" no sentido ideológico desses termos.

Somos um só país. Nordeste, Norte, Centro-Oeste, Sudeste e Sul. Votamos em Dilma, votamos em Aécio, votamos Nulo, votamos Branco, ou justificamos nosso voto - mas nós, os pequenos, aqueles que não possuem os benefícios que os políticos - honestos ou desonestos - possuem em suas vidas privadas, estamos na mesma ao termos condições de vida diferentes das condições de vida deles.

Há divisões? Há. Não nego. Mas, essas divisões, como digo aqui, não são absolutas, nem irresolvíveis, nem eternas. Tudo possui um fim. Há o racismo? Há. Mas, apesar do racismo, ainda somos uma mesma natureza (com exceção do caráter de cada um, evidentemente), somos biologicamente miscigenáveis e culturalmente hibridizantes.

Há militâncias e condições de vida relativas à orientações sexuais? Há. Entretanto, como disse, as identidades são tão "transversais", havendo tanto elementos que separam como elementos que unem, que tais situações nunca são verdadeiramente absolutas quando pensamos melhor. Todos podemos nos entender.

Há homens e mulheres, que, naturalmente, somente existem na troca constante e geracional entre eles, entre nós mesmos. Homem não nasce sem mulher, e mulher não nasce sem homem. Somos um só, em essência última e fundamental chamada "espécie", alma, inteligência e sofrimentos de vida.

Há os petistas e os tucanos? Há. Não faço parte de nenhum dos dois grupos. Voto por escolhas individuais, por candidatos e candidatas específicos. Mas, antes de petistas e tucanos, todos são brasileiros.

Que domingo próximo seja um dia não de mais acirramento, azedamento das relações familiares ou amizades desfeitas. Que domingo próximo seja aquele momento de festa da democracia, em que cada um vota secretamente em quem desejar, e que, no final, todos possam se reunir para uma boa refeição, seguir com suas vidas e, seja qual for o governo eleito, que saibamos fiscalizar e que sempre torçamos pelo Brasil.


Assinado: João Batista Firmino Júnior. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário