Um
contador de histórias já dizia,
E
Mendes lê, deixado à frente do Portão
Luxuoso
da Metrópole em mármore polido,
Valoroso
escrito desse tal
Empregado
de sua vontade, os males
De
um mal de um Monstro, escrito na rocha
Âncora,
empoeirada, da época em que
Aquela
terra fora colonizada e povoada exageradamente…
Já
dizia a pedra, mais claramente,
O
que soa aqui, sobre um Monstro tal como mal descrito,
Assim:
As portas são fechadas por
ventos que se iniciam,
Os olhos assustados iluminam
a cidade, os cães uivam,
Não é a existência do meio,
a sociedade intacta, mas algo de podre;
É ela, vinda como furacão,
de
Deformação cumulativa a cada
passo que se inicia.
Um furacão que, em seu caos,
às vezes ordena;
Num elogio sutil a uma
Maravilha que sabe que é bela,
Na feiura duma máscara que
expressa muito
Melhor a diferença do que
Está no fundo daqueles olhos
Que nada mais são que os
centros de um conjunto de ventos,
Que se anunciam destruidores
irrequietos.
As primeiras sombras roucas
e melosas reúnem-se como
Manto de uma gosma cruenta,
que ainda assim protege,
Quase como gente, é um furacão
derrubando
A gente, com sua forma mole
de corpo grande e
Mente curta para pensar seu
caos,
Na formação de uma coisa
bela que se forma, mesmo que com um ideal
Comprometido pelos que a
fazem.
É o instinto burro de toda
gente, para o que ainda virá,
É coisa gorda, extensa e
mole, pelo que ainda falta lapidar,
Escurecida pelos Males dos pássaros
que lhe saem a gorjear
A rouquidão afetada pela
catástrofe
De todo dia, numa maravilha
e num terror de ser o que é,
Que se salva ainda
Pela hipocrisia que o todo
tolo dela ainda não é, mesmo com todos os cínicos
Que comem nela.
Alimento para aquele ente… É
algo inflexível como pedra, mesmo sendo como
Pedra de mesma composição
Que toda a matéria, do pó de
estrelas, e de todo o conhecimento;
A fazer todos chorarem por
sua gentileza – de alegria ou de tristeza –,
A fazer todos escreverem,
para que se mantenham vivos,
É o furacão espinhento, metáfora
de toda a ambição que amaldiçoara
Aquela terra, arrasando-a… É
o furacão espinhento mesmo que como
Rosa vermelha e amorosa, da
Dor da realidade que não por
demais sonhadora e hipócrita,
É como é em algum lugar de
algum brilho que se finca na pedra
Em que se escreve isto aqui!
De insetos sugados por sua
podridão que
Não é verdadeiramente podre
como os olhos que o espreitam e que o fazem;
É um cadáver
Que não morre, vivo a
respirar por seus inúmeros poros invisíveis,
Vivo por uma pele atraente,
que encobre a feição de uma fertilidade e de
Uma proteção, se levada em
conta a intenção original de qualquer forma de ambição…
Mas, que só sabe usar, pegar
um daqueles cães que testemunham a desgraça,
E dominá-lo, usá-lo e jogar
fora,
Na indecisão mórbida e
sofrível de quem está no poder, sem saber que
É sustentado de alguma forma
por cada ar parado que forma aquele todo desastroso.”
É a voz que gorjeia por
aquela coisa podre que todos nós fazemos, é aquela
Coisa, é a tormenta, a
destroçar intenções, pois destroçam nela;
A desprezar a vida, em busca
de mais vida;
A jogar-se no lixo, sempre e
quando a não notar que seu
Vento, que só se nutre de
corações, rodeia naquele papel,
No desprezo que faz, ele
próprio – e que fazem dele próprio –
A sua beleza inexistente
Naquela banha estrepitosa
que o povo faz nele…
Tudo ronda na sua Beleza
verdadeira no ideal de um coração
Que tentou construir uma
sociedade poderosa;
Que despreza a gente, pelo
desprezo que cai nele, nela, nisto,
Por uma arrogância incomum,
E que a gente cospe – é o
espelho que reflete nossos rostos cínicos –
E não aceita em nossa casa,
a contaminar nossos entes.
“É o monstrengo, ideal
vítima de todos nós,
Com seus pássaros, seus
corvos, controlados, que gorjeiam,
E cantarolam asneira,
fazendo a burrice que se conta da vida dos outros;
É com seus tentáculos a tentar
dominar a todos, e quem acha que está
No poder engana-se na chefia
de seu controle e se perde nele…
É a palavra feia que imita a
paz, mas a própria paz que se faz pia
Não o imita; que não vê
beira, pois o cegaram…
É o monstrengo a se repelir
com as torres Eira e Moura como é,
É coisa fácil de ser pisada
pelos mentirosos que pisam nele.
Eis que, ainda assim, temos
algo digno
De pena, algo que despreza o
ordeiro pensamento;
Vítima de sua lama rodeada
por um piche…
É quem pensa que não te quer
mais a amedrontar nossos cães,
A torná-los raivosos;
É quem pensa que não pensa,
que olha seu próprio podre e suja o ideal que os
Ares são, que suja
Limpo para que limpe uma
mentira que está no que um povo faz
Em cantorias mecanizadas;
É quem pensa, consciente dos
podres dos ares nossos,
Inconsciente dos seus
próprios, que vê mais do que a Criatura imagina.
É, grande tormenta, se lês,
e se vês ainda por baixo de tudo que o pesa,
Leia com o coração
E capte a intenção
verdadeira, desprovida de torções: nada mais que avisar
A todos do perigo de algo
assim se repetir em outros campos, algo que é
O reflexo de todos nós.
E o ideal original que tu és
ainda segue incorruptível, por baixo da corrupção!
É uma bofetada no teu rosto
pútrido, que é um pedaço do nosso que
Cai sugado pelo vácuo de um
ideal nosso, que não damos vida; e disforme por
Entre o piche,
É, fora da seqüência, a
coisa pensante que avisa a todos os pássaros de
Mente curta, que não
Sabem que o ser pensante tem
ouvidos e compreensão:
Ele sabe tudo! – e não sabe
nada –
É o ser pensante, única
salvação deste lugar,
Conhecedor do podre desta
sociedade, da nata podre,
Vendo além do horizonte…
E
terminava, mais ou menos, nas linhas mais apagadas, dessa maneira:
Levanta, monstrengo!
Estais misturado na lama que
é o povo que te forma
E que suja valiosa pérola
que és tu verdadeiramente por
Trás do manto podre que
colocamos em ti – lama que é
Um excesso de coisa boa, que
Se torna má! Excesso de bravura que se torna mera ambição e
decai em obsessão…
É a pequena sociedade
imbuída em ti como lama que te mela!
Corra! Vamos! Voltes para o
Tártaro, àquele fim
De mundo, início de outro!
És tu a forma daquela
sordidez, mesmo que
Sejamos a essência do que
tentamos formar
Em ti, jogando a responsabilidade
na tua impessoalidade – daquela enganação
Que não sabe de nada;
Estás na corrupção que une,
como
A coisa mais limpa que
habita num mar de cobras!
Estás na violência do
impacto de tanta falta de ordem, no ideal que coroa a
Mente dos condenados, na
fome e na mendicância,
Nos vícios do que vem após a
entrada próxima
Nos vermes da barriga de um
menino que chora;
A piedade não pisa em ti,
sociedade!
És pior, és o que inventam
de ti, pois um ideal
Facilmente elogiado é falso;
és tal sociedade contaminada pelos
Que a tornam opulenta,
Pelos que olham errado e só
vêem os seus reflexos nas sobras
De um admirável mundo novo!
Mendes
de Nenhuma Vocação, sem realmente entender
Aquele
emaranhado de palavras mal dispostas, estica as costas, olha a porta,
Verifica
a viola, o trabalho seria duro, enfrentaria, naquele mesmo dia,
Entes
desconhecidos, sem a resolução do enigma, sem as chaves
Das
mais inúmeras passagens ao caminho, agora bifurcado, do Norte
E
do Este.
Mendes
é esperto e, ao pedir passagem à porta viva, descobre
A
senha pela iluminação das mãos de Mazda.
Grita
a senha para a frente:
“Curve-se
aos Passos de teu Mestre de Longas Terras de Antes do Último Mourão dos Olhos
da Beira! ”
E,
como no ABRE-TE PEDRA MINEIRA de outro, Mendes
Deixa-se
ao léu de uma perdição,
Rumo
à sedução que surge, ao abrir das abas daquela vagem,
Todas
as delícias de uma cidade.
Os
homens Altos lá de cima do comando
Observavam
a entrada de um estranho, mais um,
Passando
pelas grandes Torres: uma que aponta caminho a Leste,
Torre
Eira; outra que aponta caminho a Oeste, Torre Moura;
Forças
de uma força poderosa que impediam a entrada de
Um
ser que só come o pó das insignificantes ranhuras nos
Cascos
tanto da Eira como da Moura, que não
Servia
ao título divinal no nome silencioso da Protetora, pois era
Da
falsa calma da morte, onde as palavras têm vida e, na vida,
“Ma”
seria de Mãe do Grande Rio que Seguia, filho respondão,
General
de legiões contra a canção destemida no tom
Suave
da Terra nobre que encobria seu poder naquele
Inominado
que é motor de propulsão valente.
Muita
gente fazia-se à frente, abaixo
Dos
largos e gigantescos edifícios de uma arquitetura
Desafiadora
dos anseios gravitacionais provocados
Por
uma Mãe desprezada, das
Largas
estradas com seus diversos veículos e máquinas,
E
eletrônicos, e seus conhecimentos do átomo que se parte,
Desprezando
o esqueleto de uma mente, a forma
Original
de uma Mãe eternizada na aura do Sem nome.
E
Mendes desgraçado queria saber do enigma?
Mendes
esquecera-se ali, bem atrás, vestindo-se nos
Podres
dos restos de um Monstro a sempre tentar
Fugir
dali, assim
A
espreitar e a dominar, com sua roupagem,
Os
peregrinos simplórios que o divertiam.
No
meio da multidão havia um boi desgarrado
Na
gente indiferenciada, destacado
Na
sua viola esquecida por seu ultraje,
E
Mendes não entendia as letras saídas
Nos
sons daquelas bocas sanguinolentas,
Era
muito podre enrustido em causas nobres
Destruídas
em lixos ricos desperdiçados
Em
feiras livres a economizar
Para
os fins de uma marginalização,
Do
lado podre da cidade.
Mendes
de Nenhuma Vocação é
Também
de nenhuma luz, chega
A
um beco que não reluz e ouve barulho
Saído
de bocas vencidas, de falsas violas e de
Arte
viciosa e prostituída, pela frequência morta
Daquele
equipamento mostrado numa loja de venda
De
equipamentos, numa enganação saliente, porém, numa
Beleza
de incomensurável força na atração, num desejo
De
quem quer ter a raridade, mesmo que de maneira forçada,
Forçada
por dois “trombetas”, ao dito do povo de Mendes,
Trombetas
quebradas e não fazedoras de sons convincentes, faziam festa
Na
loja de nenhuma gente, faziam
Entrega
numa parte negra dos olhos de um Monstro doente,
Eram
vermes prontos a serem atacados pelas defesas
De
uma ousadia tardia no cacetete de uma farda de nenhuma
Nobilíssima
perda a um sujo de um male social,
Vêm
rápidos os corvos a capturarem as sobras, com curiosidade, na boca
De
palavras pútridas de um hálito de fogo do dono
De
um estabelecimento onde impera:
Interesse
organizado, assalto e crime;
Os
praticantes da profissão desrespeitavam-na
Na
unção de suas práticas na saliva de um Monstro que
Os
batizava e os abençoava, e criava corvos,
Alimentados
pelo sobejo da canalhice declarada
Numa
hipocrisia de todo dia, de gente cafajeste.
É
quando, debaixo das nuvens pretas, entes do
Disfarce,
enclausurados, arrudeiam a um Mendes
Desajustado,
que não lembra mais da viola saudosa que
Sofria
por um desprezo incoerente à mente sadia
De
um Mendes, e uma
Das
sombras diz ser gente, diz-se amiga
Do
visitante sem nome, que era o dono de uma
Viola
escondida na índole enlameada,
Que
aceita o convite para ir com eles,
Conhecer
a cidade.
E a
cidade era aberta
Por
olhos cobertos pelo asfalto adiante
E
as narinas cheias de odores nauseabundos,
Era
aberta por avenidas larguíssimas, e o calor era grande, da
Ilha
de calor que prendia os ares quentes que subiam e quedavam-se encapsulados,
E o
suor de um motorista reluzia, e Mendes seria intrometido
Perguntando
o que este faria, para onde iria, e este
Reponde
em palavras indecifráveis, e Mendes sai inconformado,
E vê,
ainda, muitas coisas novas, muito barulho, as sombras o perdem,
Vai
tudo rodando, como num carrossel, o espetáculo de luzes, o espetáculo
Do
que está errado, e Mendes via todos passarem e o desprezarem,
E
tentava defender sua posição ignorada, ignorado, e quanto
Mais
explicava pouco se compreendia, e ficava pior, e pior lhe acumulava
As
tonturas da rotina que roda, do que corre para não ser comido,
E
Mendes ficava revoltado, andando certo onde todos
Andam
errado, só ele sabia que estava certo, na consciência a saber,
E
que todos estavam errados, mesmo que certos no circo
De
cada cabeça abitolada, cada cabeça de uns rapazes que
Passavam
ouvindo os fones pretos em bitolas pelos ouvidos mascarados,
E
Mendes ia caminhando por entre as ruas, e sujando-se, com as
Trouxas
perdidas, trouxas de sua tradição, impelidas por outra maior,
Desimpedida,
e esquecia o vetor desgraçado apontado à sua terra,
O
danado do Grande Rio que Seguia e, sempre nesse meio termo,
Andava
certo limpado-se na sujeira de uma vida tornada Monstro de
Uma
sociedade de pulgas, sugadores convictos, onde
Se
fala e não é escutado, onde mundos pequenos são criados,
Onde
a ordem segue apenas um papel para justificar a razão,
Ou
a loucura daqueles loucos…
Mendes
para, escuta, uma procissão, uma baderna…
Os
carros iam sumindo por outras avenidas e ruas, e os pedestres desapareciam,
Era
um batalhão de mendigos, e as viaturas do céu e da terra chegavam
Cortando
caminho, caindo no estômago, a tentar fazer o Monstro regurgitar
E
vomitar para dentro de suas celas, o próprio produto excluído
Para
dar lugar a quem senta primeiro na velha brincadeira infantil;
Eram
mendigos! Era gente! Talvez fossem como gente, talvez deixassem de
Ser
as máquinas que dominaram a cidade, e faziam-na dormir,
Talvez
deixassem de ser os homens há tempos transformados nos próprios
Utensílios
domesticados, onde motorista é adorno.
Eram
comandados, ao palanque de um carro, por um deles,
Chamado
Baltazar, e Baltazar berrava pelo fim de um Monstro,
Sujeira
de uma sociedade,
Sujeito
de uma saciedade, dentro
Dele,
e os anticorpos chegavam: os fardas brancas, os leucócitos; e os
Helicópteros,
os linfócitos, e as demais fardas arrumadas no amarrote dantes,
Termo
a que se reduzia a mente de um Mendes ocupado por uma vontade
De
interpelar o homem que ali clamava, e o interrompe dessa maneira:
“Espere!
Por favor, dê-me uma chance:
Sou
de lugar de fora, de lugar nenhum.
Parece
que tu sabes a consciência que tens do lugar,
Consciência
de uma loucura que dificilmente controlamos.
Reconheço
um dos ‘olhos’ do Melro caçador,
Você
conhece o enigma…?”
O
mendigo de nome Baltazar responde em algo declarado
Silenciosamente,
e confirma:
“Sim…
Procures o Outro Lado da Nona Baiana,
Um
espírito que a toma no sono, que a eleva
E a
torna em sua face verdadeira, e que explica a tudo…”
E é
alvejado simplesmente, e o alvejo faz
Antecipar
um encontro de interesses, fato a pôr um Mendes
De
Nenhuma Vocação a correr pela estrada tempestuosa.
Mendes
só para lá na frente, esbaforido, não se cansa,
Tentaria
invadir o Centro de um governo mal governado,
De
um rio desgovernado, pisando naquelas nuvens de uma
Capital
nada majestosa, e que ele só agora descobria, acima
Das
terras lá de baixo… E as sombras avisam, pelas escondidas,
Aos
abutres televisionados.
Mendes
corre para acelerar, não estava em seu mundo, o tempo urgia
Nos
beliscões faltosos numa viola de constante abandono,
Mendes
corre até ser pego por uma das defesas de um Monstro
Que
ataca.
Em
trouxa, é levada uma forma parca, arrastada
Até
o campo de visão de um posto próximo.
Mal
viam, e quando veem ficam consternados, à frente
Da
coisa espumosa que saía, avermelhada, da traz de
Um
Mendes de Nenhuma Vocação, e uma diligência fora chamada
Ao
posto ao qual se fazia um tal de um Mendes como prisioneiro
Das
garras de um Monstro, de mãos algemadas atrás,
E
um Mendes, nunca antes tão assustado, pede mais uma vez
Ajuda
à Grande Mãe, que se faz sentir, em vibrações, naquela
Terra
que a ignora e que se faz ignota, tudo
Em
meio à extensa sala de audiências de um posto pequeno,
Bordado
por cachos de fuligem vinda das rodas, da borracha, acumuladas
Num
terreno baldio ao lado, a remexer as entranhas de um isopor, e a
Fazer
tremer as varas que seguravam, que baseavam
Os
ricos prédios de papelão,
Do
pau podre e das entranhas moles de uma coisa fabricada para ser
A
programação, em religião, aos olhos de fanáticos de uma gente cega,
Fabricante
do próprio mal, em cultura em grande parte como
Defecado
de um Monstro,
Saído
das indústrias que fazem um intestino;
E
tudo aí é rápido, quando Mendes é lançado,
Quando
é jogado por aquela mesma manopla compadecida, filha
De
uma Mãe agradecida, a fazer Mendes, como tal agraciado,
Desfazer
aquele véu negro de cima de sua terra e da fronte
De
um solo do todo, a fazer as palavras e o ritmo da Grande Trova
Saírem
invictas em sua missão dita assim progressiva, ou assim
Mesmo
caótica, sem nada organizado.
Com
tudo arrastado pela confusão, ainda o Forte erguia-se imperiosamente,
E
no meio daquela praça que se estendia, surgem dois grupos, duas
Correntes
fortes de um vento: do Norte e do Este.
Era
agora a vez de tudo acelerar como tal pensara Mendes,
Não
havia Melro ali a lhe ajudar, não surgia mais a manopla
A
lhe cuidar o sangramento correto da ferida aberta,
Nem
uma Mãe reagia ante as forças fortes das duas correntes.
As
trombetas tocavam ante a vinda de uma reviravolta, e as
Palavras
do vento Norte invadem os ouvidos de um Mendes:
“Não
venhas se aproximar mais! Nem se exponha demais!
Sou
chamado de Norte, um ponto mais forte como nome!
E
sei disso, e não sopro mais à tua terra,…
Por
qual motivo? Por não querer salvar quem não merece,
Por
não poder soprar eternamente ante um podre que
Se
funde com teu povo, por não
Ter
de soprar, em meu vento, contra cada um de vós!”
Mendes
ainda não entendia o que fazia naquele piso, e
Não
sabia que desde que fora pego havia caído em proteção,
E
assim não percebera as semanas que se passaram ao se
Fazer
ali naquela praça, ao se ver espantado ante os escombros
Grandiosos,
onde, por baixo, tremeluzia alguma vida.
Mendes
acorda a um quase miado da corrente Este, e
Tem-se,
ainda sem vocação, um homem pequeno perante
A
tradução sem ajuda de um Braz, que não pisa lá.
E o
“miado” aumenta, imponente, e mostra-se:
“Se
tu não te calares… Não sei mais o que posso fazer,
Devemos
ainda soprar, ali na terra da figura que nos olha,
Ou
cada um ao seu lado distante, sem que…”
A
corrente de um vento mais raivoso, ao Norte, via-se
Impelido
pelo Grande Rio que Seguia, que o controlava em
Seus
vapores, e que o fazia vibrar, como furacão, para cima
Dos
sopros a um Este que não parava e que também atacava.
E
os vapores do Grande Rio que Seguia pegavam Mendes,
Um
Mendes como tal nunca mais indestrutível, em choque, calado,
Falso
herói, pelo medo que o torna como tal, a suportar, por
Um
verdadeiro heroísmo que não existe, e o sangue vai sendo apagado,
Mas…
A mesma força que assopra para apagar, faz vibrar
As
cordas de uma viola
Escondida
no corpo flácido de um adormecido, e faz as cordas se
Entreolharem
e
Agirem,
e soa o canto mais enigmático, a usar, como último recurso,
Dito
enigma de um Sem Nome, materializado em música sem letra,
Que
vai tolhendo os vapores do Grande Rio que Seguia,
E
Mendes não estava só,
Pois
os ideais de sua terra já invadiram a mente e o coração de forças de fora,
A
fazer as correntes de ferro que seguravam um Melro a soltá-lo,
E a
coisa solta come a
Lebre
que era o Inominado, a dar-lhe força e coragem, a clamar e a chamar
A
determinação de um Braz de três formas, locupletado, a fazer, assim
De
volta, a força que vem de um Cristóvão, o que sobrou dele das
Antigas
matas escuras, da primeira face de um Eliseu, que perdeu
O
antigo paraíso de seus campos para aquela Capital, governada não
Por
líderes majestosos, mas por um Monstro, uma confusão de encanamentos
Que
vazam no interior de uma cidade, remendados, sem início nem fim,
E a
coisa toda dá a Mendes o espírito que lhe faltava, deixando-o aos
Pés
da Nona Baiana que imperava ali, a olha-lo de longe, ao
Longe
uma confusão, que trouxera o aumentativo das ranhuras
Das
torres Moura e Eira, juntando o Norte com o Este de novo,
Mesmo
assim a não intimidar a Nona Baiana, ainda portentosa
De
artimanhas fortes, a utilizar-se também do enigma proposto,
No
interior da caixa que era o Forte protegido por ela,
E
era Mendes ainda a pensar em se organizar, e teria de ver bem
Como
fazer tal senhora desrespeitosa dormir.
Era
bem visto os alicerces de uma tradição distorcida,
De
nove Ministérios a nove títulos dados à revelia de um capricho
De
nome, onde os tais colonizadores de antigamente construíram
Nove
Fortes de batalha contra o povo mais antigo, povo da nata
De
um Braz, expulso para as zonas lá distante, e Mendes propõe,
Ao
ver a viola que lhe segurava, uma melodia à Nona Baiana, antes
Da
morte declarada de um Mendes, e a senhora meneia um pouco
Levando
sua vontade em consideração, pois nunca ouvira mesmo
Uma
música como desde muito não ouvira, uma melodia cantada pelas
Cordas
de um tempo antigo, e Mendes toca:
Quando a terra era escura,
Quando não havia chão,
Alguma coisa pulsava
De um infinito poderoso.”
Quando a terra era escura,
Quando não havia céu,
Alguma coisa seguia ao léu
De um obscuro e portentoso.
Quando a terra era escura,
E o véu de nossa visão não se formara,
Alguma coisa pulsava
Em algum lugar, numa ilha de um mar.
Quando a terra era irrompida
por um brilho forte que começava a querer,
Um olho que olha…
Um ouvido que ouve…
A necessidade da roda…
As trevas fabricavam a Palavra.
Enquanto a Palavra vem, do
farol de um Trovador,
Nadamos como pescado pelo querer daquele ser,
Nadamos até uma parte de nós, como náufragos
daquela embarcação…
Enquanto a Trova segue triste, por aquela
coisa que pulsa
No coração de uma onipotência solitária,
No coração de quem procura no mar da
eternidade, em algum lugar daquela
Consciência, aquela embarcação perdida, de uma
terra antiga,
Para lembrar da origem de todos nós,
De onde nós nadamos, dando origem a tantas
espécies,
Para lembrar de
Onde nós corremos, para onde vamos, chamados
pela Trova do querer
De nosso identificar.
O
sentido foi esse,
E o
canto inimaginável para
Estes
escritos.
E
no Palácio o toque reverberava, não era um Mendes o cantador,
Era
a voz de uma viola que tocava a cada nota, a cada
Estágio
de um sono que dominava aquela senhora, deixando livre
A
passagem ao topo por onde um Mendes poderia ver a totalidade de seu ser,
Derramado
naquelas terras, e descobrir a resolução de um enigma, longe
De
todo aquele furacão que dominava lá embaixo.
[Continua...]
Autor: João Batista Firmino Júnior.
Autor: João Batista Firmino Júnior.


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